O GRANIZO 
Freqüentemente a imprensa noticia eventos meteorológicos que
ocorrem no mundo todo, e também em nosso país, ocasionando
estragos a propriedades urbanas e a lavouras, às vezes com conseqüências
trágicas devido a enormes perdas materiais e de vidas. Tais eventos
são fenômenos aleatórios, cujo estudo, entretanto, tem
sido efetuado através de modelos matemáticos baseados na Teoria
do Caos e na Teoria das Catástrofes.
Dentre esses eventos, tem sido estudado o fenômeno do granizo,
ou “chuva de pedras”, embora ainda de forma incipiente. Trata-se de um
tipo de turbulência meteorológica que constitui ameaça
principalmente às lavouras quando ocorre em intervalos muitos curtos
ou com excepcional intensidade.
O granizo é mencionado no texto bíblico como uma das pragas
destruidoras por ocasião do êxodo do Egito (Êxodo 9:12-35),
e também como algo que ocorrerá de forma devastadora e impressionante
nos tempos finais da história (Apocalipse 8:7 e 16:21). A complexidade
da origem do fenômeno sempre intrigou o homem, e fez parte da argumentação
desenvolvida na conversa entre Deus e Jó (Jó 38:22-23).
Faz-se a seguir a transcrição de trechos do artigo intitulado
“O Granizo no Território Paulista”, apresentado no número
183 do Suplemento Cultural de “O Estado de S. Paulo”, prestigioso matutino
paulista. O artigo, de autoria de José Bueno Conti, descreve os
resultados preliminares de um estudo sobre a ocorrência do fenômeno
no Estado de São Paulo, e apresenta exemplos interessantes do seu
efeito devastador.
Introdução
Nos últimos anos o Sul e o Sudeste do Brasil têm sido particularmente
afetados por anormalidades climáticas, cujas conseqüências
se têm feito sentir nas atividades econômicas e na vida da
população. Um exame retrospectivos permite destacar alguns
desses desvios.
No primeiro semestre de 1978, extensas áreas do Brasil Meridional,
habitualmente bem providas de chuvas, foram flageladas pela estiagem,
especialmente o vale do rio Uruguai, o Oeste catarinense e a maior parte
do Estado do Paraná. Importantes regiões agrícolas
e pastoris sofreram prejuízos consideráveis exigindo uma
mobilização geral de esforços para atenuar os efeitos
da inesperada seca.
Em 1975, houve excessos de frio, e em julho daquele ano a geada devastou
os cafezais paranaenses e paulistas, comprometendo seriamente o resultado
das safras. Em 17/07/75 sobreveio, em Curitiba, a maior nevada registrada
desde 1928. A inclemência do tempo manifestou-se, também,
através de turbulências e quedas de granizo em vários
pontos do Sudeste, sobretudo nas regiões serranas e de planalto.
Apesar do interesse que representa o conhecimento de qualquer tipo de
irregularidade climática e seus reflexos na vida econômica,
nossa atenção concentrou-se no estudo da queda de granizo,
pela sua indiscutível especialidade.
O granizo ou saraiva, denominações que variam conforme o
tamanho dos grãos de gelo, verifica-se notadamente em zonas montanhosas,
afetando áreas onde, em geral, se praticam culturas de clima temperado,
que exigem técnicas apuradas e alto investimento. Tais áreas,
ao mesmo tempo que são recomendadas para esse tipo de produto,
em virtude de suas médias térmicas relativamente baixas,
apresentam-se, por outro lado, muito vulneráveis às granizadas,
cujos efeitos são desastrosos principalmente quando se verificam
na fase inicial do crescimento das plantas ou durante a maturação
dos frutos. Apesar do grande interesse em se encontrar uma defesa contra
esse flagelo atmosférico, as medidas que têm sido sugeridas
ainda são de eficiência discutível. Trata-se, portanto,
de mais de um desafio a ser vencido pelo homem na sua antiga luta contra
os elementos.
O Fenômeno Meteorológico
O granizo é uma ocorrência associada a condições
de forte instabilidade atmosférica e bruscos movimentos convectivos,
responsáveis pela formação de cúmulos-nimbos
com grande concentração de cristais de gelo. O estudo da
distribuição espacial desse fenômeno já permitiu
obter conclusões bem conhecidas, tais como a de que é mais
freqüente nas áreas de montanha e altos planaltos, onde a
temperatura média é mais baixa que ao nível do mar,
diminuindo sua ocorrência à medida que nos afastamos das
regiões tropicais.
Procurando explicá-lo simplificadamente, o esquema seria o seguinte:
nuvens do tipo cúmulo-nimbo contêm em seu interior um complexo
mecanismo de correntes ascendentes que se elevam até seu limite
superior. Pesquisas efetuadas em áreas temperadas demonstram que
as gotículas de água de um cúmulo-nimbo, formadas
em conseqüência da condensação, continuaram a
se elevar impulsionadas pelas correntes ascendentes, permanecendo em estado
líquido até aproximadamente a altitude de 8,5 quilômetros,
onde a temperatura é da ordem de -35ºC, verificando-se, portanto,
o fenômeno da superfusão. A partir desse nível, transformam-se
em cristais de gelo. Ao precipitarem-se, afluem para o nível de
condensação onde tendem a aumentar por “deposição”
(isto é, fixação do vapor d’água diretamente
no estado sólido ou sublimação inversa), processo
bem estudado pelos meteorologistas escandinavos Bergeron e Findeisen,
além de outros. Tem início assim a formação
do granizo. A ação continua – os cristais aumentam de tamanho
graças à coalescência, podendo ser novamente elevados
pelas correntes ascendentes e, mais uma vez, retornarem ao nível
de condensação onde sofrerão nova “deposição”,
razão pela qual o granizo, examinado ao microscópio, e,
mesmo a olho nu, mostra, freqüentemente, várias camadas de
água solidificada. Atingindo um peso superior à força
de arrasto provocada pelas correntes ascendentes, precipita-se ao solo,
indo atingi-lo ainda em estado sólido, ocasionando o que popularmente
se denomina de “chuva de pedra”, cujas conseqüências podem
ser graves conforme o grau de intensidade que o fenômeno assume
(Ver Fig. 1 na RC).
Exemplos de Granizo no Território Paulista
A queda de granizo no Estado de São Paulo foi estudada pelo meteorologista
Sylvio O. Dorta, do 7º Distrito de Meteorologia, na monografia “Subsídios
ao Estudo do Granizo” (edição mimeografada), onde o autor
focaliza a década de 61 a 70, mencionando a região de Franca,
no nordeste do Estado, como a de maior incidência. Há também
um bom acervo de informações levantadas pela Secretaria
da Agricultura do Estado de São Paulo, por meio de suas “Carteiras
de Seguro Contra Granizo”.
As ocorrências dos últimos anos estimularam-nos a ampliar
a investigação desse fenômeno tão temido pelas
lavouras de montanha. Tomamos uma série de 31 anos (1944-74) referentes
a 28 estações meteorológicas operadas pelo 7º
Distrito de Meteorologia – Araçatuba, Bananal, Bauru, Campinas,
Catanduva, Colina, Campos do Jordão, Franca, Iguape, Limeira, Lins,
Mococa, Monte Alegre do Sul, Paraibuna, Pindamonhangaba, Piraçununga,
Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José dos
Campos, Santa Rita do Passa Quatro, Santos, São Paulo (Mirante
de Santana), São Paulo (Horto Florestal), São Simão,
Sorocaba, Taubaté, Tietê e Ubatuba – e procedemos à
contagem dos dias de granizo na série referida, em cada um desses
pontos de observação. Verificamos, de forma muito clara,
a concentração do fenômeno nas áreas serranas
e altos planaltos, aparecendo as regiões de Franca e de Campos
do Jordão como as mais sujeitas, constatação que
veio confirmar o fato de que na faixa intertropical a queda de granizo
coincide com os trechos elevados em relação ao nível
do mar.
A análise demostrou, também, de forma inequívoca,
a existência de correlação linear positiva entre altitude
e queda de granizo, podendo apontar-se como exemplos os dois casos extremos:
Campos do Jordão, a 1.593 metros de altitude, registrou 71 ocorrências,
ao passo que Santos, ao nível do mar, apenas 3. È de se
admitir que, nas áreas serranas, a rugosidade do terreno ative
a turbulência, estimulando situações locais de instabilidade,
tornando, portanto, mais repetidos os episódios de granizo.
A observação da freqüência mensal indicou nítida
concentração nos meses de primavera (40,4% dos casos, dos
quais metade no mês de outubro), corroborando resultados obtidos
em outros pontos do Globo. Temos conhecimento de estudos realizados em
Denver, Colorado (EUA) por W. B. Beckwith, os quais assinalaram o mês
de maio (primavera no Hemisfério Norte) como o de maior incidência
de granizadas.
O episódio de Atibaia
No dia 7 de outubro de 1975, entre 15h30min e 16 horas, verificou-se
uma tempestade de granizo de inusitada intensidade no município
de Atibaia, a 60 quilômetros da capital paulista, afetando cerca
de 120 quilômetros quadrados, numa faixa de altitude entre 740 e
1.000 metros sobre o nível do mar. O fenômeno, embora tivesse
durado apenas 20 minutos, foi de uma violência excepcional, destruindo
significativas áreas de culturas de pêssegos, uva Itália,
morangos, legumes, flores e alguns milhares de cafeeiros. Levantamentos
efetuados pela Cooperativa Agrícola Sul-Brasil, Sindicato Rural
de Atibaia, Associação Rural de Atibaia e Casa da Agricultura
da mesma localidade estimaram em cerca de 1.300.000 pés de frutas
prejudicados, além de 115.000 cafeeiros, ocasionando elevadas perdas
financeiras.
O posto pluviométrico da Cooperativa Agrícola Sul Brasil,
localizado na área afetada, acusou, naquele dia, um total de 92
milímetros de chuva, valor que deve revelar, em grande parte, água
de fusão do granizo recolhido pelo respectivo pluviômetro.
Durante a granizada, o vento era procedente do quadrante sudeste e soprava
com grande força como se constatou pelo enorme número de
vidraças danificadas, voltadas nessa direção.
Pode-se esboçar uma explicação para esse fenômeno,
se examinarmos a situação sinóptica através
das cartas elaboradas pelo 7º Distrito de Meteorologia e das imagens
do satélite NOAA-3. Nos dias 6 e 7 de outubro de 1975, a região
esteve sujeita a uma linha de instabilidade muito pronunciada, e os valores
barométricos baixaram para cerca de 1.000 milibares. O processo
foi ativado pela alta temperatura reinante (28,8ºC), daí resultando
o extraordinário desenvolvimento de nuvens de grande espessura
e a violenta queda de granizo que se seguiu.
A melhor defesa
Muitos processos têm sido ensaiados para combater artificialmente
o granizo. Um destes é o da nucleação artificial
do cúmulo-nimbo no nível adequado, a fim de provocar precipitação
antes da formação dos cristais de gelo que constituem o
embrião dos grãos de granizo. Tem sido tentado, ainda, o
bombardeio das nuvens por meio de explosivos transportados por foguetes,
com base no princípio de desagregação do granizo
graças às ondas de choque produzidas pela explosão.
Este método foi abandonado ao constatar-se que a energia liberada
pela explosão era muito pouco significativa em relação
à energia contida na nuvem.
O único processo que parece ter alguma eficácia, segundo
experiências feitas, seria a nucleação artificial
da nuvem, a partir do solo, no momento adequado da evolução
do cúmulo-nimbo, porém isso exigiria uma rede de observação
em permanente vigilância, com equipamentos distribuídos na
área a ser defendida e preparados para entrar em funcionamento,
o que, nas condições atuais da maioria dos países,
é economicamente inviável. A proteção contra
o granizo limita-se, portanto, a uma previsão bem-feita e a uma
imediata advertência dos serviços meteorológicos às
áreas ameaçadas, a fim de as plantações serem
convenientemente resguardadas, na medida do possível.
Um fenômeno como o que castigou o município de Atibaia em
1975 teria sido menos ruinoso para a economia local se a área pudesse
ter sido previamente alertada. O meteorologista Rubens Junqueira Vilela,
professor do Instituto Astronômico e Geofísico da USP, no
artigo “Granizo pode ser evitado”, publicado na revista “Copercotia” de
setembro de 1969, enumera algumas regras de previsão e orientação
ao agricultor. São elas basicamente as duas seguintes:
1ª) Em dias de sol forte, quando os cúmulos-nimbos começam
a se formar, depois das 10 horas, em menor número, cobrindo menos
da metade do céu, e com bases acima de 1.000 metros, atingindo
grande extensão vertical, são prováveis as granizadas
entre 14 e 17 horas.
2ª) Após dois ou três dias de calor intenso, se a direção
do vento sofrer um giro anti-horário, passando de noroeste para
sudoeste, isso indicaria entrada de frente fria, geralmente precedida
por turbulência atmosférica e possíveis saraivadas.
Além dessas normas práticas e das informações
de que dispomos apontando as áreas mais elevadas e os meses de
primavera como mais sujeitos ao granizo, ainda não contamos com
indicadores mais seguros para orientar um procedimento sistemático
de defesa. Recomenda-se, pois, um tratamento estatístico minucioso,
a fim de se obterem índices confiáveis que auxiliem os trabalhos
de previsão.
(Leia toda a notícia na Revista Criacionista impressa)
LIÇÕES DA RADIESTESIA
A Radiestesia ou Rabdomancia é uma prática milenar que
tem sido usada presumivelmente para a detecção de lençóis
d’água subterrânea, utilizando as chamadas “varinhas mágicas”.
Sua utilização é feita por pessoas “sensitivas”,
os rabdomantes ou hidróscopos, e a sua eficácia tem sido
discutida no decorrer dos tempos.
Evidentemente, em nossos dias – em que a ciência tem-se multiplicado
– existem condições para a aplicação do método
científico, acompanhado de experimentos envolvendo tecnologias
avançadas, para pelo menos comprovar ou não a sua eficácia,
se não descobrir também os seus eventuais fundamentos científicos.
Entretanto, como exposto no artigo abaixo, de autoria de Johan B. Kloosteman,
transcrito da revista “Catastrophist Geology” nº 2-2, de dezembro
de 1977, é este um caso a mais em que idéias pré-concebidas
impedem uma análise verdadeiramente científica dos fatos.
Sem querer defender a Radiestesia, pois nossa posição sobre
a sua eficácia é neutra (embora tenhamos pessoalmente uma
interessante experiência positiva a seu respeito, em ocasião
em que profissionalmente nos dedicávamos ao fascinante campo da
Hidrogeologia), gostaríamos de partilhar da opinião implícita
do articulista quanto aos preconceitos que freqüentemente impedem
o avanço da ciência, como é o caso por exemplo da
posição oficial atual do “establishment” científico
com relação ao Catastrofismo ou ao Criacionismo.
Desejamos ressaltar que a revista “Catastrophist Geology” era publicada
em Inglês no Rio de Janeiro, tendo circulação em escala
mundial nos meios científicos mais abertos aos estudos que aparentemente
contrariam os paradigmas convencionalmente aceitos.
O “United States Geological Survey”
contra a não-convencionalidade
Alguns eventos casuais são menos condenáveis que outros,
e alguns chegam tão perto da aceitação que até
transpassam a fronteira entre a não-convencionalidade e a convencionalidade,
ou para permanecer ou para voltar atrás, às vezes repetidamente.
Alguns desses persistentes eventos não usuais permanecem condenados
somente durante poucas décadas, enquanto outros permanecem no “Index”
do sacerdócio científico durante séculos.
Do ponto de vista universitário ortodoxo, somente as condenações
do passado têm importância. O caso dos meteoritos, por exemplo
é citado freqüentemente. Sua existência era conhecida
há milênios (na Antigüidade Mediterrânea o ferro
era conhecido como “metal de origem celeste” – comparem-se os vocábulos
siderurgia e sideral), porém no final do século XVIII foram
repentinamente execrados, para depois serem novamente aceitos como de
origem celeste. Entretanto, a seqüência de constante oscilação
de rejeição e aceitação entre a convencionalidade
e a não-convencionalidade usualmente é mantida fora dos
registros científicos. Tenho dúvidas de que algum historiador
da ciência estude as vicissitudes dos eventos ou o âmbito
do conhecimento que são censurados nos periódicos científicos
do “establishment”.
Thomas Kuhn (1962) opunha-se ao ponto de vista de um progresso contínuo
da ciência convencional, advogando um ponto de vista até
certo ponto catastrofista de progresso descontínuo aos saltos.
Ele encara, entretanto as revoluções científicas
como ocasionadas por contradições internas geradas pelo
empreendimento científico, e não leva em conta a interação
entre a convencionalidade e a não-convencionalidade. Ele discute
somente alterações menores do “paradigma” – por exemplo
a descoberta do oxigênio – e não saltos maiores tais como
a substituição da Alquimia pela Química, apesar de
podermos legitimamente indagar se algo existe na nossa compreensão
do mundo que pudesse tornar provável a descoberta do oxigênio
e ao mesmo tempo tornar compreensível a Alquimia.
A história do “United States Geological Survey – USGS” (agência
norte-americana semelhante, no Brasil, à Companhia de Pesquisa
de Recursos Minerais e ao Departamento Nacional de Produção
Mineral) provê alguns exemplos interessantes da interação
entre a convencionalidade e a não-convencionalidade.
No início do século XX, o USGS foi encarregado da responsabilidade
de dar aconselhamento sobre recursos minerais, incluindo recursos hídricos.
Um grande número de questões sobre radioestesia lhe foi
encaminhado, e iniciou-se então um projeto visando proporcionar
uma posição oficial sobre o assunto. Foi publicado em 1917
um artigo (Ellis, 1917) descrevendo a radioestesia e sua história
(“uma curiosa superstição”) e apresentando uma lista de
500 referências (“um enorme volume de literatura estranha”). Muitos
fatos curiosos foram relatados, alguns dos quais bastante curiosos. Por
exemplo, as regras às vezes prescritas para o corte das varinhas
“relacionavam-se muito amplamente com a magia e a astrologia pagã”;
em 1659 a varinha de adivinhação foi denunciada por um sacerdote
jesuíta como instrumento diabólico, e em 1701 foi expedido
um decreto contra elas pela Santa Inquisição. E assim, quando
a conclusão do artigo foi de que a “bruxaria hidrológica”
é inútil, e que “experimentos ulteriores pelo USGS constituiriam
...mal uso de fundos públicos”, os representantes da ciência
convencional mais uma vez se puseram como sucessores diretos das igrejas
convencionais na repressão da tradição e do conhecimento
antigo.
Em resumo, o artigo do USGS baseava-se em opiniões pessoais, e
nenhum experimento foi feito. Cinqüenta anos mais tarde, entretanto,
(em 24/12/67), foi publicada uma notícia sobre radioestesia, dizendo
que “Experimentos controlados, feitos por grande número de pesquisadores,
mostraram de maneira conclusiva que a bruxaria hidrológica (radiestesia)
não é um método confiável para a localização
de água subterrânea”. Nenhuma evidência negativa foi
apresentada desde 1917, e as evidências positivas foram ignoradas
– como as pesquisas de Tromp (1949-1956), ou a ampla pesquisa desenvolvida
nos países soviéticos. O USGS estava claramente “blefando”
ao converter meras opiniões em “experimentos controlados”, e quando
foi interpelado, teve de retratar-se.
William T Pecora, que tinha sido Diretor do USGS desde 1965, admitiu
em 1969, em carta dirigida a R. C. Willey, Secretário da Sociedade
Americana de Radioestesistas, que o USGS não possuía informações
suficientes para se pronunciar negativamente sobre a eficácia da
radiestesia. Pecora passou então a envinar todas as solicitações
de informação sobre o assunto à Sociedade. (Ver Willey,
1970).
Luzes sísmicas – fenômenos luminosos visualizando pouco
antes, durante e imediatamente após terremotos – foram relegadas
ao limbo dos fatos condenados durante um bom tempo (talvez um século),
mas hoje estão sendo admitidas, embora friamente, em outra notícia
divulgada pelo USGS, dez anos após a “Bula da Bruxaria Geológica”.
Alguém do USGS “viu as luzes” e foi bem sucedido em pressionar
a publicação de uma notícia a seu respeito, a qual
foi publicada após terem sido adotadas as devidas precauções
no palavreado. Afirmações positivas foram colocadas entre
aspas (“a existência das luzes sísmicas é algo bem
estabelecido, afirma John Derr”), e a observação final,
de que uma teoria sobre as luzes sísmicas poderia possivelmente
ser útil para a previsão de terremotos, foi feita como parecendo
pedir desculpas pela publicação da notícia. Duvido
também que alguém no USGS tivesse pensado nos últimos
50 anos de pesquisas feitas por leigos (Ver, por exemplo, Fort, 1941;
Corliss, 1974; e outros artigos em meia dúzia de revistas leigas),
ao escreverem que as luzes sísmicas merecem “investigação
científica adicional (ênfase minha), disse John Derr”. Ou
será que “investigação adicional é algum termo
esotérico do USGS, à semelhança dos “estudos ulteriores”
da radiestesia, com significado distinto para os não iniciados?
A crítica da terminologia, portanto, sem dar a ela o devido crédito,
certamente seria um sinal de intolerância. Após a mencionada
notícia divulgada naquele ano, os pesquisadores estarão
aptos a referir-se a ela e talvez encontrarão menor resistência
dos editores ao tentar publicar os seus resultados. Talvez até
possam receber recursos para suas pesquisas. Pode-se até esperar
que a comunidade científica seja capaz de aplicar seu potencial
intelectual, facilidades de laboratório e rede de comunicação
à investigação das luzes sísmicas. Algum tipo
de passo positivo foi dado, sem dúvida, o que marca um tento a
favor da não-convencionalidade e da ciência. Alegremo-nos
com isso, e congratulemo-nos com o USGS pela sua coragem.
Para finalizar, uma previsão... Também no USGS cada vez
um número maior de geólogos está entendendo que ignorantes
e supersticiosos são os que aceitam “pela fé” as opiniões
de outros, sem colocá-las à prova. Daqui a mais uns anos,
será divulgada uma nova notícia declarando que a radioestesia
merece investigações científicas adicionais, seguida
por um novo artigo sobre recursos hídricos subterrâneos com
extensa bibliografia cobrindo também o período desde 1917,
e recomendando o uso de fundos públicos para pesquisas ulteriores.
(Leia toda a notícia na Revista Criacionista
impressa)
A FÉ E O GENOMA HUMANO 
Com o título acima, a “American Scientific Affiliation” – ASA,
conhecida entidade criacionista norte-americana, publicou em seu periódico
“Perspectives on Science and Christian Faith”, de setembro de 2003, um
interessante artigo de autoria de Francis S. Collins.
Neste artigo, Collins faz uma pequena introdução, mas bastante
significativa, para em seguida falar um pouco de sua experiência
pessoal como cristão, e finalmente tratar de interessantes detalhes
do Projeto Genoma.
Consideramos de utilidade para nossos leitores transcrever na integra
a introdução e as declarações de Collins a
respeito de sua fé, seguidas de alguns trechos de sua exposição
sobre o Projeto Genoma.
Introdução
Apesar dos melhores esforços da “American Scientific Affiliation”
para eliminar o hiato entre ciência e fé, poucos encontros
de cientistas envolvidos com Biologia têm incluído qualquer
discussão importante sobre o significado espiritual da revolução
que está ocorrendo na Genética e na Genômica. A maior
parte dos biologistas e geneticistas parece ter concluído que ciência
e fé são incompatíveis, porém poucos que aceitam
esta conclusão parecem ter considerado as evidências seriamente.
Da minha perspectiva de Diretor do Projeto Genoma Humano, as visões
de mundo, científica e religiosa, não somente são
compatíveis, como também inerentemente complementares. Assim,
é uma fonte de grande preocupação a profunda polarização
entre as perspectivas científicas e religiosas, ora claramente
evidenciada nos campos da Biologia e da Genética. Extremados defensores
de cada campo pintam quadros crescentemente exclusivistas que forçam
os pesquisadores sinceros a escolher uma das visões em detrimento
da outra. Como tudo isso deve ferir os sentimentos de Deus! A elegância
e a complexidade do genoma humano é uma fonte de profundo embevecimento.
Suas maravilhas somente reforçam minha fé, pois provêem
relances de aspectos referentes à humanidade, que em sua onisciência
Deus sempre conheceu, mas que somente agora nós estamos começando
a descobrir.
Declarações de Collins sobre a sua Fé
Estamos na beira de uma infinidade de desenvolvimentos impulsionados
pela Genética, que requerem exame cuidadoso e deliberado. Aqueles
de nós que têm a bênção de ter um firme
fundamento para decidir em que direção iremos (a saber,
nossa fé), precisam estar profundamente engajados, para que o resultado
seja algo de que o Deus todo poderoso possa se orgulhar.
O Salmo 8 refere-se à interface entre a ciência e a fé:
“Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda
a terra é o Teu nome, pois expuseste nos céus a Tua majestade.
Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força,
por causa dos Teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo
e o vingador. Quando contemplo os Teus céus, obra dos teus dedos,
e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele
Te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto,
por um pouco, menor do que Deus, e de glória e de honra o coroaste.
Deste-lhe domínio sobre as obras da Tua mão, e sob seus
pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os
animais do campo; as aves do céu e os peixes do mar, e tudo o que
percorre as sendas dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão
magnífico em toda a terra é o Teu nome!”
Como cientista, aprecio esse Salmo porque ele realmente exprime o fundo
do coração de Davi e descreve as glórias dos céus,
as maravilhas da Biologia, e ainda apresenta a mensagem real: “Quão
magnífico em toda a terra é o Teu nome!”
Durante cerca de vinte anos tenho sido membro da ASA. Esta é a
primeira vez que pude comparecer a um encontro anual. Confesso que me
vejo constrangido a fala sobre a interface entre a ciência e a fé,
pois muitos dos presentes já escreveram eloqüentemente sobre
as peculiaridades da síntese desses dois diferentes componentes.
Minha conceituação própria a esse respeito ainda
está em formação. Vocês encontrarão
lugar para me desafiar, e espero que o façam. Para mim, a ASA tem
sido constante fonte de encorajamento ao longo desses últimos cerca
de vinte anos.
Observem estas duas imagens bastante ilustrativas, que são tão
parecidas entre si: O belo vitral rosiforme da York Minster Cathedral,
e uma vista pouco comum do DNA, em que a espiral é vista de dentro
para fora, de tal modo que a hélice dupla adquire um aspecto particularmente
belo.
Estas imagens podem representar duas visões de mundo que a maioria
das pessoas julgam incompatíveis – a visão espiritual, e
a visão científica. Alternativamente, a síntese dessas
duas visões de mundo pode constituir uma magnífica oportunidade
para apreciar cada uma delas de maneira particularmente especial.
Minha formação
Nasci e cresci em Shenandoah Valley, na Virginia, em um lar onde era
exercitada a fé de maneira regular. Meus pais eram pessoas muitos
criativas, especialmente no teatro e nas artes. Meus primeiros anos escolares,
até a sexta série, foram em casa, não pelo desejo
de me instilarem crenças religiosas, como hoje é freqüente,
mas para me manter afastado das escolas do povoado, cujos professores
eram tidos como pouco incentivadores dos instintos criativos dos quatro
filhos de minha mãe. Ela me inspirava o desejo de aprender coisas,
porém pouco eu aprendi sobre a fé ou a crença em
Deus. Freqüentei a igreja a partir dos seis anos de idade, por uma
razão bastante específica – participar do coral juvenil
para aprender música. Lembro-me de uma admoestação
de meu pai: “ Você está lá para aprender música.
Você enfrentará outros questionamentos sobre teologia. Não
preste atenção neles, pois eles somente deixarão
você confuso”. Assim, segui essas instruções e aprendi
bastante sobre música, mas nada aprendi sobre o restante dos serviços
religiosos.
Quando meus amigos no dormitório do colégio perguntaram-me
sobre o que eu cria, verifiquei que não tinha absolutamente qualquer
idéia sobre o assunto. Foi muito fácil para eu decidir-me
que não cria em nada daquilo sobre o que os outros falavam – sobre
Cristo, ou outras formas de fé religiosa. Eu supunha que tudo isso
era superstição. Eu tinha vivido bem sem isso, e não
sentia qualquer necessidade particular de aceitar tudo isso.
Terminei minha graduação em Química, e iniciei um
doutorado em Física Química em Yale. Após me aprofundar
nesse campo específico, e concluir que as únicas verdades
reais eram equações diferenciais de segunda ordem, parecia-me
haver menos necessidade ainda de Deus. Tornei-me assim um notório
ateu no curso de pós-graduação. Se alguém
fosse almoçar comigo, certamente não apreciaria a experiência.
Eu não tinha absolutamente interesse algum em coisas relacionadas
com a vida espiritual, pois não achava que tais coisas realmente
existissem.
Nessa ocasião, mudei de direção em minha carreira.
Decidindo que a Biologia era bastante mais interessante do que eu supunha
anteriormente, determinei-me ingressar na carreira médica. Eu desejava
seguir essa carreira para dirigir minha inclinação para
a ciência na direção da saúde humana. Como
estudante de medicina, deparei-me com muitas pessoas passando por sofrimentos
terríveis, afetadas por doenças pelas quais não tinham
culpa. Embora eu não conseguisse ajudá-las, observei que
algumas dessas pessoas pareciam possuir uma incrível fé.
Não contendiam com Deus, o que eu achava que deveriam fazer. Se
eles acreditavam em um Deus que permitia que o câncer os atingisse,
por que não o estavam confrontando? Pelo contrário, eles
pareciam derivar esse notável sentimento de conforto de sua fé,
mesmo em ocasiões de enorme adversidade. Essa posição
realmente me intrigava. Poucos de meus pacientes me perguntaram em que
eu cria. Eu titubeava, e me via muito embaraçado ao dizer: “Eu
não sei!”
Então algo me aconteceu. Como cientista, sempre eu tinha insistido
na coleta rigorosa de dados antes de tirar uma conclusão. E apesar
disso, na questão da fé jamais eu tinha coletado qualquer
tipo de dado. Eu não estava sabendo o que eu rejeitava. Então
decidi que eu deveria estar um pouco melhor fundamentado no meu ateísmo.
Seria melhor que eu descobrisse, afinal, do que se tratava. Encontrando
na rua um paciente que era ministro metodista, apresentei-lhe meus desafios.
Após ouvir meu questionamento, e entendendo que eu não estava
possuindo bastante informação, ele me sugeriu que eu lesse
o Evangelho de S. João. E foi o que fiz. Descobri que as Escrituras
eram interessantes e faziam-me pensar, ao contrário do que sempre
pensei que a fé fazia. Entretanto, eu não estava pronto
ainda para considerar a plausibilidade da fé. Eu necessitava uma
base intelectual maior para superar meus próprios argumentos sobre
tudo isso ser apenas superstição. Com essa intenção,
voltei-me ao livro clássico “Mere Crhistianity”, de C. S. Lewis.
(Até hoje “Mere Crhistianity” parece ainda ser o melhor livro para
ser posto nas mãos de um jovem em busca da verdade sobre a racionalidade
da fé). Ao ler “Mere Crhistianity”, logo minha visão materialista
foi posta em ruínas. Particularmente incisivo foi para mim o argumento
de Lewis sobre a lei da natureza humana. Por que ela existe? Por que ela
é universal? E também o seu argumento: Não seria
este o lugar para procurar evidências de um Deus pessoal, perfeito
e santo, se é que ele existe?
Os sociobiologistas alegarão que, afinal, de alguma maneira a
natureza humana é uma conseqüência da evolução.
Isso nunca me pareceu uma alegação particularmente impelente
como explicação para a lei moral que conhecemos como algo
intrínseco, embora freqüentemente a desobedeçamos.
Segue uma magnífica frase de Lewis:
“Descobrimos mais a respeito de Deus a partir da lei moral do que do
universo em geral, da mesma maneira que descobrimos mais a respeito de
uma pessoa ouvindo sua conversação do que olhando para a
casa que ele construiu.”
Compreendi que minha vida científica estava olhando para a casa,
enquanto eu jamais havia considerado a conversação (a lei
moral) como evidência de Deus. Eu precisava estudar o Criador. Após
uma luta interna de vários meses, compreendi que, se existisse
Deus, Ele era santo, e eu não. Pela primeira vez compreendi quão
deficiente eu era. Então entendi o que Cristo fez provendo uma
ponte entre Deus, com toda a sua santidade, e mim, com toda minha imperfeição.
Finalmente, cedi e rendi-me – não talvez como Lewis, “o mais abominável
e relutante converso em toda a Inglaterra”, que é como ele descreve
sua conversão.
Certamente também não senti uma onda de calor emocional.
Pelo contrário, parecia-me estar caminhando por algo completamente
desconhecido. Deus é bom, e no decorrer de muitos outros anos de
aprendizagem – e ainda estou percorrendo esse caminho – minha fé
se tornou a luz que passou a guiar minha vida.
Minha visão do mundo científico começou cedo. Interessei-me
muito por ciências quando ainda estudante do segundo grau, e em
seguida pela química, continuando pela medicina, e finalmente pela
genética como meio de desvendar todos os difíceis mistérios
das doenças. Certamente, nunca imaginei que pudesse receber um
convite para participar do “National Institutes of Health” (NIH) e tornar-me
um servidor público, dirigindo um projeto visando ao mapeamento
e seqüenciamento de todo o alfabeto do manual do ser humano. Esse
foi verdadeiramente um notável momento na história, momento
esse que estamos vivendo essencialmente agora. Passaram-se nove anos desde
que vim para o NIH, durante os quais fiz uma carreira incrível,
que ainda continua! Sob muitos aspectos, estamos no fim do começo.
Para onde estamos indo em seguida, penso eu, haverá ainda impactos
mais profundos na medicina e na sociedade. Como cristãos, temos
uma perspectiva especial sobre como conduzir essa nova revolução
de maneira a ter os máximos benefícios seguindo o melhor
caminho.
O Futuro do Projeto Genoma Humano
O Projeto Genoma Humano (PGH) já tem doze anos de vida. Todos
os seus objetivos iniciais foram atingidos com antecipação
de três anos relativamente à data prevista, de 2005. Fico
contente ao dizer que o PGH realizou-se com recursos financeiros muito
menores do que os previsto inicialmente. O PGH é um projeto financiado
pelo governo federal americano, que gastou menos do que o previsto, e
que foi realizado antecipando-se ao prazo!
As aplicações do PGH excederão as expectativas virtualmente
em todas as áreas da medicina, porque praticamente todas as doenças
têm alguma componente genética. Os cientistas tenderam a
enfatizar as doenças que são herdadas geneticamente, como
a fibrose cística, a doença de Huntington ou a anemia falciforme.
Porém, virtualmente todas, exceto talvez alguns casos de trauma,
têm componente genética – diabetes, doenças cardíacas,
distúrbios mentais, asma, hipertensão, e câncer. Todas
essas doenças tendem a se manifestar hereditariamente, o que significa
que deve haver algo na seqüência do DNA que predispõe
as pessoas ao risco.
Além disso, compreendemos que não existem indivíduos
perfeitos. Esse é o equivalente biológico do pecado original.
Todos nós somos imperfeitos; todos nós estamos geneticamente
longe da perfeição. Não existe seqüência
de DNA perfeita; existe erro em todos nós. Todos nós temos
provavelmente dezenas de locais em nossa seqüência de DNA em
que gostaríamos que estivesse um T (timina), mas onde realmente
está um C (citosina). Conseqüentemente, essa alteração
acarreta um risco para nós com relação a alguma doença.
Não seremos incomodados por muitos desses riscos porque não
encontraremos o gatilho ambiental necessário para ocasionar a doença,
ou não teremos o conjunto de susceptibilidades para nos levar a
transpor certo limite. Entretanto, temos todos nós algo que está
oculto em nosso genoma, e carregamos a probabilidade de que nosso genoma
específico poderá nos causa algum incômodo. Estamos
prestes a podermos descobrir, dentro de aproximadamente 10 anos, quais
são essas probabilidades, para cada um de nós. É
realmente sério contemplar todo esse potencial.
Hoje, cinqüenta anos após Watson e Crick terem desvendado
a estrutura da hélice dupla, acho interessante contemplar a elegância
do DNA que armazena informação – essa linguagem que é
partilhada por todas as formas de vida. De maneira bastante fácil
para ser copiada, esse código digital permite levar uma quantidade
enorme de informação para dentro de cada célula do
corpo humano. Essa dupla hélice de DNA é construída
com pares básicos de letras. O genoma humano todo consiste de 3
bilhões desses pares, todos armazenados dentro do núcleo
da célula (Ver Figura 2 na RC).
Embora este seja um número enorme, para mim é surpreendente
que ainda seja um número finito. Os 3 bilhões da letras
são capazes de dirigir todas as propriedades biológicas
de um ser humano. Apesar de existir uma imensidade de propriedades biológicas
em um ser humano, especialmente se considerarmos as complexidades do crescimento,
essa estrutura ainda é suficiente.
O PGH visava a leitura de todas essas letras, e o desenvolvimento de
técnicas que levem à compreensão do significado dessa
linguagem, sem o que de pouco serviria. Assim, enquanto parte do sucesso
do projeto foi a leituras das letras, a parte principal foi o desenvolvimento
de outros métodos para a compreensão do que está
codificado nelas.
...Descobrimos algumas belas surpresas na leitura da seqüência
do genoma humano. Dentre elas podemos destacar as seguintes (transcreveremos
aqui apenas uma delas):
Os seres humanos têm menos genes do que se esperava.
Minha definição de gene, aqui, já que é diversificada
a terminologia utilizada, é um segmento do DNA que codifica uma
proteína determinada. Provavelmente há segmentos do DNA
que codificam RNA que não produzem proteínas. Esse entendimento
está somente em seu início, e pode ser muito complexo. Porém,
a definição padrão do gene como “um segmento de DNA
que codifica uma proteína” nos leva surpreendentemente ao pequeno
número de cerca de 30.000 genes humanos. Considerando que temos
estado a falar de cerca de 100.000 genes durante os últimos quinze
anos (e é ainda o que a maioria dos livros didáticos afirma),
isso foi algo chocante para algumas pessoas, penso que porque o número
de genes de outros organismos mais simples já haviam sido determinados
anteriormente. Afinal de contas, um nematóide tem 19.000 genes,
e a mostarda selvagem 25.000, e nós só temos 30.000?! Isso
está correto? Pior ainda, quando decodificaram o genoma do arroz,
ele apareceu com cerca de 55.000 genes. O que isso significa? Certamente,
um extraterrestre vindo do espaço, olhando para um ser humano e
para um pé de arroz, diria que o ser humano é biologicamente
mais complexo, sem dúvida. Assim, o número de genes não
parece ser significativo!
O artigo continua com numerosas outras considerações sobre
aspectos genéticos e médicos, de caráter bastante
técnico, que deixamos de transcrever pela sua especificidade. Finalizamos
esta nossa transcrição com as considerações
sobre Bioética bastante interessantes expostas pelo autor:
...Porém serão desenvolvidos muitos debates sobre questões
éticas. O que dizer dos usos não-médicos da genética?
Um artigo na revista Science descreveu um grupo da Nova Zelândia
que identificou uma variante em um gene do cromossomo X que, conforme
eles, desempenha um papel de destaque na questão sobre se rapazes
que na infância sofreram sevícias, se tornam criminosos ao
crescerem (2). Nesse estudo, em particular, mais de 30% dos que foram
seviciados na infância, e que tinham essa variante específica
no gene monoaminaoxidase, foram condenados devido a atividades criminosas.
Esse percentual foi muito superior ao obtido considerando-se isoladamente
cada um dos dois fatores citados. Poder-se-ia imaginar como isso se desdobraria
no sistema judicial atual? Seria uma defesa a favor da atividade criminosa
– “meus genes me levaram a proceder assim”, e ainda “tive uma infância
prejudicada, e portanto não sou responsável”? Ou isso seria
usado de maneira a negar oportunidades a quem tiver essa versão
de alto risco de gene monoaminaoxidase, por causa de um eventual possível
mau comportamento futuro? Esses são assuntos sérios envoltos
nas sombras do futuro – não tão distante.
Especialmente em face destas últimas declarações
de Francis S. Collins, pode-se adiantar a pergunta que sem dúvida
fazem muitos interessados no aspecto ético dos problemas que poderão
surgir:: Aproxima-se de nós uma catástrofe bioética?
E com relação a estes aspectos, conclui Francis S. Collins:
Uma perspectiva de fé será cada vez mais necessária.
De fato, o debate desses assuntos bioéticos é feito por
pessoas inteligentes, porém nem sempre firmadas sobre um fundamento
sólido quanto ao sentido do que é certo ou errado. Os cristãos
são incrivelmente abençoados por terem uma Rocha sobre a
qual se firmarem ao tentarem fazer juízo sobre complicados tópicos
éticos. Certamente, embora essa Rocha faça alguns de nossos
colegas ficarem apreensivos, sob nossa perspectiva isso deveria nos colocar
em uma posição especial para contribuirmos nesse debates
de maneira altamente significativa.
(Leia todo o texto com Figuras/Fotos na Revista
Criacionista)
HOMENS E CHIMPANZÉS NÃO TÃO
PRÓXIMOS ASSIM 
Mais uma interessante notícia publicada no “site” da revista Galileu,
que lança água fria na efervescência da propalada
similaridade genética entre os seres humanos e os chimpanzés!
Em 27 de maio passado, com o título acima, foi veiculada no “site”
a notícia transcrita a seguir, que deixa transparecer claramente
a tendenciosidade das notícias anteriores sobre a comparação
dos genomas respectivos dos seres humanos e dos chimpanzés.
Homens e macacos podem não estar tão próximos quanto
se pensava, de acordo com uma equipe de cientistas envolvida no primeiro
seqüenciamento preciso do DNA de um cromossomo de chimpanzé.
O resultado da pesquisa foi publicado na revista "Nature" desta
semana e conclui que, mesmo que nosso código genético seja
bastante semelhante, as proteínas que produzimos podem ser muito
diferentes.
Os cientistas do Centro de Ciências Genômicas Riken, no Japão,
seqüenciaram o cromossomo 22 dos chimpanzés e o compararam
com seu equivalente no genoma humano, o nosso cromossomo 21. Descobriram
então que as bases de DNA dos dois são apenas 1,44% diferentes.
Essa informação confirmou as suposições anteriores
dos cientistas, baseadas no seqûenciamento do genoma humano, que
diziam que homens e chimpanzés eram iguais em cerca de 98,5% de
seu genoma.
Apesar disso, entender de fato a importância dessas diferenças
é muito mais difícil do que parecia. Um gene é formado
por milhares ou milhões dessas bases de DNA. Logo, pequenas alterações
nas bases criam também genes diferentes e, portanto, proteínas
diferentes (os genes são combinações de bases que
formam um ou mais aminoácidos para controlar ou produzir proteínas).
Nos 231 genes comparados na pesquisa, os cientistas encontraram 83% de
alterações que afetam aminoácidos e proteínas.
Além disso, 20% deles apresentavam "mudanças estruturais
significativas".
A grande surpresa em relação a isso veio do fato dos cientistas
não esperarem encontrar as diferenças entre homens e chimpanzés
nessa parte do genoma. Eles acreditavam que as encontrariam em diversos
trechos de DNA, cujas funções são ainda desconhecidas,
pois não formam nenhum gene. Além disso, eles observaram
68 mil regiões - o que equivale a 5% desses cromossomos - que estavam
sobrando ou faltando nos dois genomas.
As diferenças entre o genoma do homem e o do chimpanzé
podem ser substancialmente maiores, uma vez que o cromossomo 22 representa
somente 1% do código genético deles. Para ter a visão
completa dessas alterações, os cientistas vão ter
que esperar a conclusão do seqüenciamento de todo o genoma
do chimpanzé, previsto para ainda este ano.
A RECENTE REFORMA EDUCACIONAL ITALIANA E O CRIACIONISMO

A Sociedade Criacionista Brasileira tem-se mantido atenta ao desenvolvimento
da polêmica em torno da questão do ensino das doutrinas evolucionistas
nas escolas, em vários países do mundo em que cada vez mais
está sendo questionado o propalado aspecto científico dessas
doutrinas.
Recentemente este assunto foi trazido à baila no contexto da reforma
educacional ocorrida na Itália, e temos a satisfação
de apresentar a seguir o comentário feito a respeito, pelo nosso
amigo Professor Fernando De Angelis, que, como criacionista italiano,
nos apresenta importantes esclarecimentos sobre o que está acontecendo
naquele país.
Desejamos expressar aqui nossos sinceros agradecimentos ao Professor
Fernando De Angelis por mais esta colaboração prestada à
nossa Sociedade.
OBSOLESCÊNCIA DO EVOLUCIONISMO NA ESCOLA ITALIANA
Fernando De Angelis
Nos novos programas para os oito primeiros anos escolares, a Ministra
da Educação Letizia Moratti eliminou o Evolucionismo dos
currículos de Ciências Naturais. Resultou disso uma conseqüência
indireta nos currículos de História, nos quais, sem dúvida,
o Evolucionismo foi também relegado aos mitos e lendas da Pré-História.
Trata-se de um procedimento inédito que, entretanto, é conseqüência
de um crescente anti-darwinismo iniciado na Itália há pouco
menos de vinte anos.
1. COMPARAÇÃO ENTRE OS PROGRAMAS ANTIGOS E NOVOS
Com a Circular nº 29 de 5 de fevereiro de 2004, a Ministra da Educação
Letizia Moratti deu as necessárias diretrizes para que já
no próximo ano letivo de 2004/2005 comecem a ser adotados os novos
programas para as oito primeiras séries do ensino fundamental (cobrindo
a faixa etária de 6 a 14 anos).
A reforma mantém a distinção entre as primeiras
cinco séries e as três subseqüentes, porém agora
vendo esses oito anos iniciais como um sistema único denominado
“Primeiro Ciclo”, no qual os primeiros cinco anos receberam o novo nome
de “Escola Primária” (ex “Escola Elementar”), enquanto os seguintes
três anos receberam a nova denominação de “Escola
Secundária de 1º Grau” (ex “Escola Média Inferior”).
Nos programas antigos, nas cinco primeiras séries não se
falava explicitamente da Evolução, que era mencionada somente
nas três últimas séries (“Escola Média Inferior”),
em que, no programa de “Ciências Matemáticas, Químicas,
Físicas e Naturais” era previso tratar da “Evolução
da Terra” no tópico que abrangia a “Origem da Vida na Terra” Em
outra parte era previsto tratar do tema “Estrutura, Funções
e Evolução dos Seres Vivos” no tópico que abrangia
a “Origem e Evolução Biológica e Cultural da Espécie
Humana”, o que fazia vir à mente imediatamente os supostos ancestrais
simiescos do Homem.
Nos novos programas não restam sequer traços de tudo isso,
e o tópico das origens é abordado somente de passagem nos
programas da segunda e terceira séries da “Escola Primária”,
como introdução à abordagem posterior da História.
A formulação correspondente passou a ser a seguinte:
· A Terra antes do Homem e a experiência humana pré-histórica:
o surgimento do Homem, os caçadores da época glacial, a
revolução neolítica e a agricultura, o desenvolvimento
do artesanato e das primeiras trocas comerciais.
· Passagem do Homem Pré-histórico ao Homem Histórico
nas civilizações antigas.
· Mitos e lendas das origens.
É claro que estes tópicos poderão ainda ser tratados
sob o prisma evolucionista, mas não de maneira obrigatória
porque, por exemplo, fala-se de “Surgimento do Homem”, e não de
“Evolução do Homem”.
O programa encerra-se então com o tópico “Mitos e Lendas
das Origens”, que (embora não creiamos que o relato bíblico
se enquadre nessa categoria) permite entretanto que se possa expor o conteúdo
do livro de Gênesis.
A restrição, finalmente, do assunto das origens a um contexto
pré-histórico e pré-científico, de qualquer
modo contempla a tese criacionista que considera o Darwinismo (e de maneira
mais geral o Evolucionismo) como uma fé não demonstrada,
semelhantemente ao relato bíblico, que também não
é passível de demonstração científica.
2. RETROSPECTO SOBRE A NOMEAÇÃO DA MINISTRA
Para alguns, a decisão da Ministra Moratti apresenta-se como “um
relâmpago em céu sereno”, e de fato ninguém a esperava,
embora existissem sinais que permitiriam prevê-la, e agora podemos
enumerar alguns deles, relembrando que Moratti faz parte de um governo
de centro-direita, é de orientação católica
e é de Milão.
Certamente a Ministra Moratti não é “criacionista”, se
por Criacionismo entendermos o movimento que se originou nos Estados Unidos,
mas certamente é dela que partiu a contestação ao
Evolucionismo e à sua formulação específica
feita por Darwin. Nos Estados Unidos, o primeiro livro criacionista de
grande sucesso data de 1961 (H. Morris, e John Whitcomb, “The Genesis
Flood”) e um destaque do Criacionismo americano é o de ter conduzido
suas argumentações críticas sobre bases racionais
e científicas. É por isso que a sua influência pôde
alcançar também pessoas que não têm idêntico
perfil religioso. Este Criacionismo penetrou na Itália através
de missionários evangélicos e encontrou eco sobretudo nessa
esfera.
O Catolicismo, ao contrário, há tempos e repetidamente
tem afirmado a aceitabilidade do Evolucionismo e do Darwinismo, porque
não deu a eles uma interpretação que excluisse a
intervenção de Deus. Apesar disso, dois cientistas italianos
de formação católica, e de prestígio internacional
(Sermonti e Zichichi) tomaram posição pública contra
o Darwinismo (isto é, contra essa concepção específica
do Evolucionismo), porém, como o Darwinismo e o Evolucionismo são
percebidos como estreitamente ligados entre si, a sua crítica acabou
atingindo também o Evolucionismo. Sermonti e Zichichi, porém,
não são preconcebidamente contrários ao Evolucionismo,
e certamente não propõem uma interpretação
literal do livro de Gênesis.
Giuseppe Sermonti trabalha em Genética, e tornou-se célebre
em 1980 quando, juntamente com o paleontólogo Roberto Fondi, publicou
o livro “Depois de Darwin”. Sermonti colabora com a Academia Pontifícia
de Ciências, e recentemente renovou sua oposição ao
Darwinismo com a publicação de outro livro com o título
inequívoco “Esquecer-se de Darwin”.
Antonino Zichichi é um dos maiores físicos vivos, e preside
a Federação Mundial dos Cientistas (“World Federation of
Scientists”). Em dois de seus livros mais recentes, sustenta que o Darwinismo
não tem qualquer base científica (“Porque creio nAquele
que fez o mundo”, 1999, e “Galileo, Homem Completo”, 2001). Creio que
a sua tomada de posição bastante nítida sobre o assunto,
e a estima que também goza na Itália, tenham sido determinantes
na orientação tomada pela Ministra Moratti.
Entretanto, há ainda uma outra influência, especificamente
milanesa, que não deve ser descurada. Ela tem a ver com a publicação
do livro de Maurizio Blondet “O Passarossauro e Outros Animais”, em 2002.
Blondet é um dos mais respeitados jornalistas do “L’Avvenire”,
o jornal dos bispos italianos, que em seu livro não só defende
o Criacionismo e os criacionistas, mas realmente mantém-se distante
da posição oficial do Vaticano.
Este livro mostrou-se muito convincente para um jovem expoente da direita
milanesa, Fabrizio Fratus, que se interessou pelo assunto, e manteve contato
com os criacionistas italianos (particularmente com o “site” www.creazionismo.org,
presidido por Romano Ricci), estimulando importantes setores da centro-direita
milanesa até a organizar uma “semana antievolucionista” realizada
em Milão em fevereiro de 2003.
Letizia Moratti destaca-se por ser uma administradora, não sendo
por isso sujeita a fáceis entusiasmos, mas uma demonstração
desse tipo, realizada em sua cidade, e organizada por expoentes políticos
de suas próprias fileiras, inevitavelmente constituiu para ela
mais um um elemento de reflexão.
Em conclusão, a decisão da Ministra italiana de dar um
passo contra o Evolucionismo, por constituir um fato inesperado, enquadra-se
principalmente na crise geral do Darwinismo, que em todo o mundo está
sendo posto em discussão.
ADENDO
Após termos recebido em primeira mão do Prof. De Angelis
a notícia veiculada acima, recebemos uma complementação
enviada por ele dando ciência do desenvolvimento da reforma do ensino
na Itália a partir das reações orquestradas contra
a supressão da explicitação de Darwin nos currículos
de ciências. Podemos ter uma pálida idéia da comoção
que a reforma iniciada pela Ministra Moratti suscitou nos meios tradicionais,
pela imensa onda que se levantou, comandada especialmente pelos meios
de comunicação, como resumido a seguir a partir de notícias
da imprensa italiana.
A notícia geral enviada pelo Prof. De Angelis tem o título
“O Ensino de Darwin nos Primeiros Oito Anos Escolares”, e é de
autoria de Mihael Giorgiev, redator-chefe do “site” www.creazionismo.org.
Nela, o articulista faz menção inicialmente à composição
de uma comissão de alto nível, pela Ministra da Educação,
para se manifestar a respeito do ensino do evolucionismo nas escolas.
A comissão é presidida por Rita Levi Montalcini, laureada
com o Prêmio Nobel de Medicina, e tem mais três membros: Carlo
Rubia, Prêmio Nobel de Física; Roberto Clombo, docente de
Neurobiologia e Genética na Pontifícia Universidade Católica;
e Vittorio Sgaramella, professor de Biologia Molecular na Universidade
da Calábria.
A movimentação em torno da defesa do ensino do evolucionismo
nas escolas partiu do jornal La Repubblica, que não só acionou
grande número de expressivos nomes da ciência italiana (incluindo
outro laureado com o Prêmio Nobel em Medicina, Renato Dulbecco),
como também colheu em poucos dias mais de 47 mil assinaturas apelando
a favor do ensino de Darwin nas escolas. Dados sobre essa manifestação
podem ser assessados no “site” http://www.repubblica.it/2004/appelli/scuola2/index.html.
Do apelo resume-se o seguinte:
“A exclusão do ensino da teoria da evolução para
jovens de 13 a 14 anos representa uma limitação cultural
e o desprezo pelo desenvolvimento da curiosidade científica e pela
abertura mental. Por outro lado, é justo explicar que o Darwinismo
e as teorias que dele derivaram apresentam lacunas e apresentam problemas
insolúveis, mas não se pode passar por cima do elo que liga
o passado ao presente de nossa espécie. Solicitamos, assim, ao
Ministério da Educação, que reveja os programas da
Escola Média para evitar um esquecimento danoso para a cultura
científica das novas gerações.”
Paralelamente, o jornal La Repubblica apresenta a entrevista concedida
por Renato Dulbecco à reporter Elena Dusi, da qual ressaltamos
alguns trechos:
· Pode-se estudar Darwin nos Liceus e nas Universidades. Por que,
então, conforme o Sr., é grave eliminá-lo dos programas
do ensino médio?
“Porque os jovens que estão em fase de crescimento deveriam conquistar
a abertura mental mais ampla possível. É muito triste que
uma das hipóteses sobre o surgimento da vida na Terra simplesmente
seja eliminada dos programas escolares. Ela pode ser criticada por quem
não estiver de acordo: a teoria da evolução de Darwin
e as idéias que dela derivaram formam um sistema que sem dúvida
não é perfeito. Existem pontos obscuros sobre as fases intermediárias,
não facilmente decifráveis. Entretanto, trata-se de limitações
que superaremos provavelmente no futuro, à medida que ampliarmos
nosso conhecimento.”
· É justo apresentar a teoria do Criacionismo aos jovens
estudantes?
“Certamente. Nenhuma hipótese deve ser descartada a priori. Nem
mesmo a hipótese Criacionista, a qual, porém, é completamente
estranha aos critérios do pensamento científico. Para poder
ter sua concepção própria, os jovens necessitam examinar
todas as opções. Posteriormente será a vida que lhes
fará decidir a adotar a racionalidade da teoria da evolução
ou outro âmbito como o das hipóteses religiosas sobre a origem
do mundo.”
· Podem existir hoje bons biólogos e bons médicos
sem o estudo da teoria da evolução?
“... Certamente, pode-se aprender todos os elementos para o conhecimento
do homem e dos outros seres viventes também sem estudar Darwin.
Mas seria mais problemática a explicação de quais
são as conexões entre as várias espécies...”
O periódico La Repubblica de 29 de abril anunciou em sua primeira
página a “Evolução da Ministra”, com o título
“Moratti muda de idéia sobre Darwin: será estudado na Escola
Elementar”. Entretanto, para saber mais sobre a “Evolução
da Ministra” (que já havia respondido ao apelo de La Repubblica
em 24 de abril, convém consultar outro periódico também
de 29 de abril – Il Giornale:
A discussão da teoria darwinista, fundamento da moderna ciência
biológica, está assegurada na formação de
todos os jovens dos 6 aos 18 anos, segundo critérios didáticos
graduais.O objetivo primeiro da reforma é exatamente o de criar
consciência livre, desenvolvendo o senso crítico dos alunos,
desde os primeiros anos dos currículos escolares. Desejamos assegurar
aos nossos jovens, sob a guia dos docentes, uma pluralidade de fontes
e de opiniões, de maneira que, através do diálogo
possam formar uma consciência crítica própria. Desejamos
estimular todos os alunos na busca pelo conhecimento, desde os menores
até os das escolas superiores, de modo que possam formar sua personalidade
responsável baseada em princípios, valores, estilos de vida
e comportamentos conscientes, fundados sobre o respeito aos outros, e
abertos ao diálogo.
Neste ínterim, “evoluiu” não só a posição
da Ministra, mas também a dos defensores de Darwin. Após
a manifestação de Dulbecco, foi divulgada a opinião
de Umberto Veronesi, segundo o qual “o Darwinismo é um hábito
mental que deve ser adquirido o mais precocemente possível, porque
entre os 13 e 14 anos os jovens estão desenvolvendo, ou já
desenvolveram, um modo próprio de pensar e de viver”.
De fato, estamos de acordo com Veronese, de que o Darwinismo não
é ciência, mas um hábito mental. E aí está
todo o problema! Exatamente por isso, desejamos que nas aulas de ciências
se ensine ciências a nossos filhos, dentro dos seus limites, da
maneira como formulado no apelo dos cientistas. Entendemos que o papel
da escola é o de preparar os jovens para a escolha crítica
e para a consciência do hábito mental, e não o de
impor-lhes o hábito escolhido pela cultura dominante.
CRIACIONISMO NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO RIO
DE JANEIRO 
Como amplamente divulgado, e já sabido pela maior parte da população
que acompanha as principais notícias veiculadas pelos meios de
comunicação, neste primeiro semestre de 2004, as páginas
dos principais periódicos nacionais – jornais e revistas – foram
bastante usadas para destacar aspectos vários da celeuma levantada
no Estado do Rio de Janeiro relativamente ao ensino do Criacionismo nas
aulas de Educação Religiosa.
Essa questão foi levantada – a nosso ver, de maneira tendenciosa
e equivocada – devido ao fato de a Governadora do Estado do Rio de Janeiro
ter apenas feito cumprir as leis que regem a educação religiosa
em nosso País e no Estado.
Nesse contexto, a Sociedade Criacionista Brasileira foi contactada por
redatores de diversos órgãos da imprensa para expor sua
opinião sobre a controvérsia entre o Criacionismo e o Evolucionismo.
Obviamente, o espaço disponível neste número da
Revista Criacionista não seria suficiente para expor detalhes das
perguntas que nos foram endereçadas e das respostas que demos por
escrito, nem de toda a matéria publicada, com seus viéses
e tendenciosidades. Entretanto, apenas para informar nossos leitores,
selecionamos três das mais significativas declarações
veiculadas pela imprensa, incluindo direta ou indiretamente algumas perguntas
e as respectivas respostas dadas pela SCB – sem considerar toda a argumentação
que encaminhamos por escrito – e as transcrevemos abaixo, tal como foram
publicadas:
Jornal “O Globo” de 9 de maio de 2004:
Adeptos do criacionismo criaram, há 30 anos, no Brasil, a Sociedade
Criacionista, que divulga o que considera evidências da veracidade
da teoria. Descrente na evolução das espécies, Ruy
Carlos de Camargo Vieira, presidente da sociedade, critica o ensino do
evolucionismo nas escolas e considera a teoria darwinista ultrapassada.
”Os alunos aprendem, ou desaprendem, que a evolução das
espécies é cientificamente comprovada. Isso é ensinado
como verdade absoluta. Enquanto o criacionismo é sempre visto como
algo mítico”, disse Ruy Carlos.
Revista “Época” de 24 de maio:
“Nosso objetivo é divulgar a idéia no País”, diz
o presidente (da SCB), professor Ruy Vieira. Sem vínculo com nenhuma
entidade religiosa específica, a organização traduz
e edita livros sobre o tema para todas as faixas etárias. Tem livros
até para alunos do ensino fundamental.
Jornal “O Estado de S. Paulo” de 30 de maio de 2004:
Para o vice-presidente da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), Rui
Vieira, os colégios devem dar espaço ao criacionismo e ao
evolucionismo “em igualdade de condições”. Ele diz que os
professores devem oferecer bibliografia séria e científica
para os alunos pesquisarem, para que eles escolham em quais delas devem
acreditar.
De qualquer forma, não deixa de ser significativo que o Evolucionismo
hoje se encontra cada vez mais na defensiva, à medida em que o
Criacionismo toma vulto e recebe adeptos de reconhecida integridade científica.
Resta-nos, aqui, cumprimentar a Governadora Rosinha pela firmeza e coragem
com que está conduzindo a questão em seu Estado.
CRIACIONISMO NA SBPC? 
Algo completamente inusitado ocorreu na publicação “Ciência
Hoje” da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC
– em seu nº 200, vol. 34,de dezembro de 2003!
Trata-se de um excelente artigo intitulado “Girafas, Mariposas e Anacronismos
Didáticos”, de autoria de Isabel Rebelo Roque, que corajosamente
enfrentou a realidade do silêncio cúmplice dos livros didáticos
em nosso país quanto às calorosas polêmicas que têm
ocorrido na mídia científica internacional relativamente
a exemplos apresentados como comprovação da evolução
das espécies – a explicação de Lamarck para o tamanho
do pescoço das girafas (e seu contraponto darwinista), e o da seleção
natural em mariposas dos bosques da Inglaterra durante a Revolução
Industrial. Conforme explicitado na primeira página do artigo,
“Tais exemplos permitem uma completa discussão que envolve interesses
e responsabilidades da comunidade científica sobre o modo como
divulgar, ou deixar de divulgar seus estudos e conclusões”.
A literatura criacionista, de longa data, tem desmascarado ambos os
casos citados acima, deixando claro que para nada servem as explicações
tendenciosas usualmente apresentadas nos livros textos como argumentos
a favor da evolução das espécies. Não obstante,
coube à autora do artigo despertar a atenção dos
próprios círculos evolucionistas para a falácia desses
exemplos, neste seu ótimo artigo. E ainda mais, a autora aponta
para outros aspectos nefastos para o próprio desenvolvimento da
ciência, decorrentes da perpetuação de mitos semelhantes
a estes. São dela as palavras transcritas a seguir:
Quando falamos em atualizar as informações em materiais
de divulgação científica, cursos e livros didáticos,
falamos em pôr em evidência um problema maior: o da “cristalização”
de conceitos, em ciência e em outros campos. Falamos, ainda, do
problema crônico da não-ventilação das informações
a que professores e autores de material didático têm acesso
– ambos têm formação superior, mas em geral não
são cientistas.
Falamos do risco de apresentar a ciência como instância
sagrada e fechada, que permanece imutável, a salvo de reavaliações
e, ao mesmo tempo (como revela a história das girafas), tão
vulnerável a ponto de cair em “armadilhas”, pela perda da perspectiva
histórica. Falamos, ainda, do comodismo de nos agarrarmos a modelos
científicos que seriam excelentes, não fossem eles inconsistentes
como modelos.
... A jornalista Judith Hooper lançou em 2002, na Inglaterra
(e depois nos Estados Unidos), o livro “Of Moths and Men” [Sobre Mariposas
e Homens]. A obra utiliza outro exemplo clássico de evolução
para lançar luz sobre um tema antes restrito ao círculo
dos que defendem as idéias criacionistas – mais modernamente os
teóricos do “Design Inteligente”.
... Nos livros didáticos, esse exemplo costuma vir acompanhado
da descrição de uma série de experimentos do biólogo
Bernard Kettlewell, da Universidade de Oxford, na década de 1950.
Muitas vezes os livros trazem fotografias que registram os experimentos
(ou que reproduzem os registros originais), mostrando mariposas “Biston”
claras e escuras em repouso sobre troncos de árvores. Os livros
relatam que Kettlewell, nos experimentos, coletou mariposas com os dois
padrões de cor e os liberou em ambientes controlados onde havia
troncos também com diferentes colorações. Ao recapturar
as sobreviventes, ele teria constatado o que já se esperava: o
índice de sobrevivência era diretamente relacionado ao padrão
de cor dos troncos.
Tudo estaria perfeito, não fossem, como no caso das girafas,
alguns senões. O primeiro foi a descoberta de que os experimentos
não transcorreram exatamente como foram descritos. Houve um “empurrãozinho”,
pois as mariposas não estavam vivas: foram coladas aos troncos.
O segundo é que o comportamento das mariposas Biston na natureza
não se encaixa tão perfeitamente no modelo descrito. O terceiro
é que a relação “predomínio de uma cor / grau
de poluição do ar” não se manteve como o esperado.
O livro de Hooper não é o primeiro a “devassar” o caso
Kettlewell. Há cinco anos, por exemplo, Michael Majerus fez o mesmo
em “Melanism: Evolution in Action” (Melanismo: Evolução
em Ação). Em resenha sobre esse livro, publicada na revista
“Nature" (396, p. 35, 1998), Jerry Coyne, do Departamento de Ecologia
e Evolução da Universidade de Chicago, compara a decepção
diante da verdade sobre os experimentos de Kettlewell ao que sentiu quando
criança ao saber que Papai Noel não existia.
Segundo Coyne, o livro de Majerus é o primeiro a reunir os pontos
criticáveis no trabalho de Kettlewell. O mais grave é que
as mariposas Biston, em condições naturais, provavelmente
não repousam sobre troncos – em mais de 40 anos de estudos sobre
os seus hábitos, apenas duas foram vistas fazendo isso. O local
preferido continua um mistério, mas acredita-se que seja o alto
das copas das árvores. Só isso, afirma Coyne, invalidaria
os experimentos, já que colocar as mariposas sobre os troncos as
tornaria altamente visívies, o que aumentaria artificialmente a
predação. Além disso, Kettlewell expôs as mariposas
durante o dia, quando em geral elas escolhem locais de repouso à
noite.
Mas outro fator compromete a história: na verdade, o novo aumento
na proporção da variedade clara ocorreu bem antes da recolonização
dos troncos pelos líquens (que supostamente favoreceriam a camuflagem
das mariposas claras). E mais: o aumento e depois a redução
de mariposas escuras também ocorreram em áreas industriais
dos Estados Unidos, onde, porém, não houve alteração
na incidência de líquens – é o que relativiza bastante
o papel destes na história toda.
O artigo conclui então com o tópico “E agora: descartar
ou não o exemplo?”, do qual transcrevemos o seguinte trecho:
Majerus, em seu livro, admite as inúmeras falhas do modelo, mas
ainda assim o considera didaticamente útil. Jerry Coyne, entretanto,
pondera que esse não é o melhor exemplo a ser usado em sala
de aula, devido a seus pontos fracos. Essa posição fez de
Coyne, à sua revelia, uma “arma” dos criacionistas contra a teoria
da evolução. Ele sugere como mais apropriado o trabalho
mais recente dos ecólogos Peter e Rosemary Grant sobre a evolução
do bico dos tentilhões das ilhas Galápagos – tema de um
livro de leitura fácil e agradável, já traduzido
para o português: “O bico do tentilhão: uma história
da evolução no nosso tempo” (Rocco, 1995), do jornalista
Jonathan Weiner.
O debate sobre usar ou não o exemplo das mariposas para fins
didáticos está longe de uma solução fácil.
O biólogo evolucionista David Rudge, da Universidade Western Michigan,
escreveu que manter a história no espaço escolar teria inúmeras
vantagens. Enquanto Coyne diz que suas contradições inviabilizam
o uso pedagógico. Rudge acredita que ela constitui excelente veículo
para apresentar a estudantes o conceito de seleção natural.
Para ele, expor as discrepâncias envolvidas no assunto permitiria
mostrar a natureza da ciência como um processo.
Novamente trata-se de uma questão delicada, na qual estão
em jogo aspectos como corporativismo da comunidade científica,
necessidade de controle, manipulação, de um lado, e desinformação,
de outro. Como no exemplo da girafa – perfeito, didático, mas falso
–, recorrer às mariposas de Manchester é tentador: permite
trabalhar de modo simples, conceitos complexos como evolução
e seleção natural. Mas insistir neles é falsear informações
e, de quebra, passar a alunos e professores uma idéia dogmática
e nem um pouco ética da ciência. A ciência não
tem de ser ensinada como a arte do “jeitinho”, mas como um campo do conhecimento
sujeito a falhas, aperfeiçoamentos e inesperadas complexidades
diante do que parecia simples e “didático”.
Parabéns à autora pela coragem de enfrentar as “vacas sagradas”
do evolucionismo!
É interessante observar que, no número seguinte da revista
“Ciência Hoje” foram apresentadas duas cartas de leitores sobre
o assunto versado no artigo sobre “Girafas, Mariposas e Anacronismos Didáticos”.
· Uma das cartas tentou se contrapor à crítica feita
aos anacronismos didáticos, mencionando que um livro em português
abriu um “box” discutindo a história das mariposas, e outro “box”
discutindo a vantagem seletiva do pescoço da girafa. Na mesma carta
foram feitas menções a cientistas que trabalharam sobre
o tema das mariposas, que estariam defendendo o indefensável...
Neste caso, a própria redação da revista incumbiu-se
de se contrapor a essa manifestação, deixando claro que
ambos os exemplos continuam sendo polêmicos, e citando afirmações
de Stephen J. Gould e outros cientistas de peso convergentes com o ponto
de vista esposado pela autora do artigo em questão.
· A segunda carta foi de autoria de Enézio E. de Almeida
Filho, do Núcleo de Design Inteligente, autor de um dos artigos
que constam neste número da Revista Criacionista, no qual o mesmo
assunto foi tratado. Achamos bastante útil transcrever esta carta,
para conhecimento de nossos leitores.
“O tema abordado por Isabel Rebelo Roque em “Girafas, mariposas e anacronismos
didáticos” na edição 200 presta um serviço
para a urgentíssima correção e atualização
de nossos livros didáticos nos ensinos fundamental, médio
e superior. Em 1980, Stephen Jay Gould teve a ousadia de declarar (...)
que o ‘neodarwinismo’ era uma ‘teoria efetivamente morta’ mas que persistia
como ‘ortodoxia’ nos livros-textos de biologia.
Por essa postura ética e científica, foi e é desancado
até hoje por muitos luminares como [Richard] Dawkins. Quando cursava
o mestrado em história da ciência na PUC-SP em 1998, pretendia
abordar na minha dissertação cinco ‘anacronismos’ encontrados
nos melhores livros didáticos de autores brasileiros e quais os
interesses ‘velados’ da comunidade científica pela omissão
da divulgação dos estudos e conclusões que contrariam
o atual paradigma. Durante a elaboração da pesquisa, notifiquei
os autores sobre a existência dessas distorções e
até sobre o uso de duas fraudes: os embriões de Haeckel
e a seleção natural em mariposas Biston betularia. A maioria
dos autores não estava atualizada [quanto a isso] e os poucos que
sabiam, mais por razões ideológicas do que científicas,
preferiram varrer aquelas anomalias para debaixo do tapete epistemológico.
Falseando as informações, com ou sem conhecimento de causa,
passa aos professores e alunos não só uma idéia dogmática
mas não ética de ciência: a manutenção
de evidências distorcidas para apoiar uma teoria que há muito
tempo deveria ter sido reestruturada ou descartada.
Se a ciência é um processo de conhecimento que sempre se
corrige, por que os nossos melhores livros didáticos ainda veiculam
essas fraudes [uma secular – os embriões de Haeckel] e ‘anacronismos’?
Qual é o motivo que impede a veiculação democrática
e atualizada desses conhecimentos? Em ciência não devemos
seguir as evidências onde quer que elas vão dar? Com a palavra
a Semtec/MEC, que já foi notificada documentalmente por este autor
a respeito dessa grave e inusitada situação.”
Dentro deste contexto, vale ressaltar que a Sociedade Criacionista Brasileira
publicou a tradução do livro “Evolução – Um
Livro-texto Crítico”, premiado na Alemanha e no Brasil, que constitui
uma excelente contribuição para a apresentação
equilibrada de temas como os que foram tratados na revista “Ciência
Hoje” que envolvem a controvérsia entre o Criacionismo e o Evolucionismo.
A UNESP E O CRIACIONISMO 
(Súmula de reportagem de Wendel Lima)
Nos dias 28 a 30 de maio deste ano, aproximadamente 150 pessoas participaram
de um mini-curso promovido pela Universidade Estadual Paulista – UNESP,
no Instituto de Geociências do campus de Rio Claro.
O evento teve o objetivo de contrastar o modelo geológico evolucionista
com o criacionista. Tanto quanto se saiba, é a primeira vez que
é proporcionada uma oportunidade como esta para serem debatidas
no ambiente universitário as duas teses que se opõem. Conforme
destacado na reportagem de Wendel Lima, “É essa uma abertura fantástica”,
segundo a afirmação do Professor Doutor Nahor Neves de Souza
Júnior.
A programação do evento foi a seguinte:
28-05-04 – 20:00hs – “A Origem dos Asteróides – Um Marco na História
do Sistema Solar” – Dr. Nahor Neves de Souza Hr. (UNASP)
29-05-04 – 8:00hs – “Fenômenos Geológicos Globais” – Dr.
Nahor Neves de Souza Jr. (UNASP)
10:30hs – “Estratificação Espontânea e a Origem dos
Ritmitos” – Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira (SCB)
14:00hs – “Fósseis e o Tempo Geológico” – Dr. Reinaldo José
Bertini (UNESP)
15:00hs – “Isótopos e o Tempo Geológico” – Dr. Peter Christian
Hackspacher (UNESP)
30-05-04 – 8:00hs – Excursão para Piracicaba e Itu (visita a estruturas
geológicas)
Após a excursão a sítios de interesse geológico,
quando foram apontadas evidências a favor das duas teorias em confronto,
houve manifestações dos participantes – alunos e professores
– de que o evento foi bastante positivo.
Alguns depoimentos foram registrados por Wendel Lima. “Não existe
apenas um ponto de vista para entender o mundo”, comentou Natália
Sobreira, do 4º ano de Geologia da UNESP. Alguns evolucionistas declararam
que o encontro mudou a visão que possuiam do Criacionismo. Bruno
Leonel, do 3º ano de Geologia da UNESP, ao falar sobre a teoria criacionista
afirmou que “muitos preconceitos que eu tinha foram quebrados Os argumentos
foram plausíveis e consistentes”.
A Sociedade Criacionista Brasileira congratula-se com os organizadores
do evento pela sua abertura e manifestação de verdadeiro
espírito científico, conforme demonstrado durante todas
as etapas do encontro.
MARCELO GLEISER E OS TABUS 
Reproduzimos abaixo a interessante entrevista concedida pelo conhecido
físico brasileiro Marcelo Gleiser a Maurício Tuffani, disponibilizada
no “site” da revista Galileu, com o título de “Abaixo os Tabus”.
O subtítulo da entrevista é bastante significativo, e
deixa transparecer a focalização dada pelo entrevistado,
com a qual sem dúvida concordamos plenamente: “O físico
brasileiro Marcelo Gleiser afirma que o dogmatismo científico é
tão inflexível quanto o da religião”. Na realidade,
sob certos aspectos, em função desse próprio dogmatismo,
a ciência acaba se revestindo de muitas das características
que são inerentes à maior parte das religiões, como
por exemplo a intolerância.
A entrevista é introduzida pelo texto seguinte:
A rigidez da maior parte dos cientistas para lidar com assuntos desconhecidos
é um dos alvos da crítica do físico brasileiro Marcelo
Gleiser, professor de uma das mais conceituadas faculdades norte-americanas,
o Dartmouth College, no pequeno Estado de New Hampshire. Seu último
livro “O Fim da Terra e do Céu”, lançado no ano passado,
foi o vencedor do Prêmio Jabuti 2002 e acaba de ser publicado nos
Estados Unidos com o título “The Prophet and the Astronomer” e
já vem despertando repercussões entre os críticos.
Nesta entrevista realizada em São Paulo, Gleiser, que é
autor do “best seller” “A Dança do Universo”, que lhe valeu também
o Prêmio Jabuti 1998, falou também sobre outros temas polêmicos,
como o criacionismo, e o crescimento da mentalidade extremista apocalíptica.
E então seguem as perguntas e as respostas da reportagem:
Galileu – Seu livro “O Fim da Terra e do Céu” foi escrito antes
dos ataques terroristas de 2001. Mas esses acontecimentos têm sido
abordados em suas palestras sobre a obra. Por que?
Marcelo Gleiser – Eu tenho puxado bastante para esse lado, principalmente
nos Estados Unidos, pois nesse livro eu falo muito sobre as seitas apocalípticas,
o extremismo religioso e como as pessoas podem matar ou se matar pela
fé. Para muitos extremistas, o martírio faz parte da salvação,
da redenção final. Muitas pessoas continuam a pensar desse
jeito.
Galileu – Apesar desse enfoque, seu livro segue a linha de seus trabalhos
anteriores que é a da divulgação científica.
O que você acha que a divulgação científica
pode trazer para esta virada de século influenciada pelo espírito
apocalíptico?
Gleiser – Eu sempre digo, inclusive nesse livro, que a ciência
não promete a salvação eterna. Ela pode, através
da reflexão sobre o conhecimento da natureza, dar às pessoas
condições para uma emancipação individual,
ou uma liberdade pessoal. Ela oferece uma capacidade de emancipação
racional, uma capacidade de cada pessoa decidir sobre a sua vida. Com
ela, não é preciso depender da fé para alguém
escolher qual vai ser o seu destino. E a fé, muitas vezes, só
pode oferecer uma alternativa dogmática, como a recompensa em outra
vida, muitas vezes por um ato.
Galileu – Por outro lado, esse dogmatismo existe também no meio
científico, onde muitas vezes não se reconhecem limitações
da própria ciência, e isso acaba fortalecendo os argumentos
contrários ...
Gleiser – Concordo plenamente. Tenho feito uma verdadeira cruzada junto
a colegas cientistas, principalmente nos Estados Unidos, que seguem uma
linha quase reacionária, que é a do dogmatismo científico.
Não se fala em espiritualidade. É um assunto proibido, um
tabu. Para eles, a sociedade não deveria dar espaço para
qualquer coisa que tenha a ver com emoções ou com o que
não esteja relacionado aos processos da descoberta científica.
Essa é a linha de Carl Sagan e de Lawrence Krauss, o autor do livro
“A Física de Jornada nas Estrelas”. Essa atitude tem efeito extremamente
negativo com as pessoas religiosas, tratando-as de uma forma tão
inflexível quanto o dogmatismo que se pretende combater. Tive uma
discussão com Krauss sobre os criacionistas – que pretendem combater
o ensino da teoria da evolução nas escolas – em que ele
disse que nem aceita debater com eles para não lhes dar legitimidade.
E eu repondi que isso é errado, pois é justamente a falta
desse diálogo que vai dar oportunidade aos criacionistas para convencer
cada vez mais pessoas.
Galileu – Por falar em criacionismo, essa dputrina tem sido revigorada
até mesmo nos meios acadêmicos pela teoria do “Intelligent
Design”, ou Planejamento Inteligente, que, sem recorrer aos textos bíblicos,
tenta comprovar que a origrm e a evolução do Universo e
dos seres vivos foram guiadas por um ser superior. O que o sr. acha dessa
teoria?
Gleiser – Essa é a teoria dos criacionistas mais sofisticados.
Eles dizem que a natureza funciona de uma forma muito precisa, harmoniosa
demais, para que seja fruto de um mero acaso e, portanto, tudo só
pode ter surgido com um “design”, ou melhor, um planejamento inteligente.
Tem vários problemas nessa visão. Um deles é que
o ser humano é fruto de um longo processo evolutivo que o dotou
de um córtex cerebral capaz de perceber semelhanças, simetrias
e padrões. Essa capacidade tornou o homem apto a sobreviver em
um ambiente hostil. Somos especialmente preparados para reconhecer padrões
e somos recompensados por nossa química cerebral – e isso vale
também para o reconhecimento da beleza. A explicação
criacionista inverte a ordem das coisas. Nossa inteligência consiste
em reconhecer padrões na natureza e construir a ciência sobre
esses padrões, podendo escapar muitos aspectos que não percebemos
– o que significa também que a ciência não detém
a verdade sobre tudo.
Galileu – Voltando ao tema do extremismo havia pessoas com conhecimento
tecnológico de nível superior entre os terroristas que participaram
dos atentados do ano passado, mas esse conhecimento não os impediu
de cometer uma ação suicida. Por que essa mentalidade não
diminuiu nos últimos anos com o crescimento da divulgação
científica?
Gleiser – Esse conhecimento nada pode fazer com a cegueira causada pela
fé extremista. Ele não passa de um meio, e acaba servindo
para cumprir missões fanáticas em busca da redenção
final.
Vários aspectos desta entrevista merecem ser considerados, exatamente
no contexto da divulgação científica, dos extremismos
(de maneira geral), e das posições filosóficas relativas
à questão das origens. Assim, permitimo-nos abordar rapidamente
alguns desses aspectos, para melhor elucidar nossos leitores sobre o que
de fato está envolvido na questão das origens.
Primeiramente, é de se louvar a atitude do entrevistado quando
alerta quanto à incoerência do dogmatismo científico,
e quando verbera a atitude preconceituosa de cientistas e divulgadores
da ciência que não permitem abertura de espaço para
idéias contrárias ao do “establishment” científico.
Entretanto, pode-se observar que, lamentavelmente, o entrevistado mostra
completa falta de lógica em seu raciocínio circular (tautologia,
ou círculo vicioso) quando, ao falar sobre o “Intelligent Design”,
aponta um dentre vários problemas que a seu ver existem nessa visão”.
De fato, seu raciocínio parte da premissa de que “o ser humano
é fruto de um longo processo evolutivo”, aceitando, portanto, preliminarmente
a própria tese que deseja comprovar mediante a crítica à
posição contrária. E, ainda mais, declara que a “explicação
criacionista inverte a ordem das coisas”, assumindo portanto de forma
incoerente (e dogmática) a posição de que a evolução
é um fato inquestionável, sem atentar para a argumentação
científica apresentada pelos criacionistas a favor exatamente de
uma outra ordem das coisas. Incoerente, sim, porque embora critique o
dogmatismo científico, essas suas declarações enquadram-se
claramente no quadro geral do dogmatismo científico vigente!
A questão da fé constitui outro ponto a ser ressaltado
na entrevista. A declaração de que “com ela (a ciência)
não é preciso depender da fé ...“ ignora que a própria
ciência baseia-se em numerosíssimos atos de fé – fé
em que a própria natureza tem um comportamento que obedece certas
leis que são passíveis da investigação científica,
fé em hipóteses que são feitas para construir teorias
que venham depois a ser testadas, fé na veracidade daquilo que
estamos observando com nossos sentidos, fé na estrutura conceitual
que adotamos para o delineamento e a condução de nossos
experimentos, fé nos paradigmas ou postulados que aceitamos previamente
como base para o desenvolvimento de nossas pesquisas da natureza, etc.
O próprio entrevistado demonstra fé em que sua posição
é mais consentânea do que a de Carl Sagan ou Lawrence Krauss,
embora por outro lado não demonstre fé na posição
de numerosos outros cientistas, como por exemplo Michael Behe e Antonino
Zichichi.
A nosso ver, a declaração que melhor se ajusta aos princípios
básicos propugnados pelo entrevistado, de forma coerente, sem dúvida
é a de que “Nossa inteligência consiste em reconhecer padrões
na natureza e construir a ciência sobre esses padrões, podendo
escapar muitos aspectos que não percebemos – o que significa também
que a ciência não detém a verdade sobre tudo” Só
temos a lamentar que não é essa a posição
assumida hoje pelos defensores do evolucionismo!
BIG BANG AMEAÇADO?
A revista Scientific American – Brasil nº 25, ano 3, de junho de
2004, trouxe um interessante artigo com o título “O Enigma sobre
o Início do Tempo”, de autoria de Gabriele Veneziano, físico
teórico do CERN – Centro Europeu de Pesquisas Nucleares. É
interessante notar como paradigmas estabelecidos no seio do “establishment”
científico aparentemente bastante solidamente podem ser ameaçados
seriamente com o avanço dos conhecimentos. Fatos como este apenas
fortalecem a posição de Thomas Kuhn apresentada em seu famoso
livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, relativamente
ao declínio e queda de paradigmas científicos (diríamos
com mais propriedade: paradigmas filosóficos sobre os quais repousa
a estrutura da ciência) e confirmam que a construção
do conhecimento científico é um processo contínuo
em busca da verdade. O que hoje é considerado “certeza científica”
amanhã poderá ser considerado inteiramente ultrapassado,
como aconteceu com o flogístico, o calórico, o éter,
etc.
Transcrevemos, a seguir, alguns trechos do referido artigo, para que
nossos leitores possam sentir o que realmente está em jogo atualmente
nessa área do conhecimento humano.
Será que o tempo realmente começou com o Big Bang? Ou
será que o Universo já existia antes dele? Uma pergunta
como essa era quase uma blasfêmia há apenas uma década.
Muitos cosmólogos insistiam que ela simplesmente não fazia
sentido – que observar um tempo anterior ao Big Bang era como pedir informaçoes
sobre um lugar ao norte do pólo norte. Mas os desenvolvimentos
da física teórica, particularmente a ascenção
da teoria das cordas, mudaram essa perspectiva. O Universo pré-Big
Bang tornou-se a última fronteira da cosmologia.
... Os gregos antigos discutiam calorosamente a origem do tempo. Aristóteles,
partidário do tempo sem início (eterno), invocava o princípio
de que do nada, nada vem. Se o Universo não poderia nunca ter passado
do não ser para o ser, deveria ter existido sempre. Por essa e
outras razões, o tempo deve se expandir eternamente pelo passado
e pelo futuro.
Os teólogos cristãos costumavam adotar ponto de vista
contrário. Santo Agostinho defendia a existência de Deus
fora do espaço e do tempo, capaz de dar vida a esses construtos
da mesma forma como podia forjar outros aspectos de nosso mundo. Quando
lhe perguntaram “O que Deus estava fazendo antes de criar o Universo?”,
Santo Agostinho respondeu: “Como o próprio tempo faz parte da criação
de Deus, simplesmente não existia antes”.
Essas duas concepções extremas relativas à existência
do Universo no decorrer do tempo acabaram tendo sua contrapartida nos
tempos modernos nas diferentes teorias, formuladas com grande grau de
sofisticação, utilizando ferramentas matemáticas
complexas, que em síntese ou admitem um início pontual para
o Universo, simultaneamente em termos de espaço e de tempo – o
Big Bang – ou então admitem a possibilidade de existência
de um “pré-Universo”, do qual se tenha originado, de alguma maneira,
o atual Universo que podemos observar.
O artigo em questão aprofunda-se em considerações
específicas sobre os dois diferentes modelos, apresentando ilustrações
interessantes visando explicar os respectivos pontos de vista distintos.
De tudo que é apresentado conclui-se, certamente, que o paradigma
do Big Bang encontra-se de fato seriamente ameaçado em resultado
das propriedades matemáticas derivadas da teoria das cordas quânticas
aplicada à cosmologia.
Talvez a ilustração mais impressionante da diferença
entre as duas concepções que se defrontam seja a que reproduzimos
neste apanhado, com as respectivas legendas originais publicadas no artigo.
Em linguagem mais simples e objetiva, dentro do panorama geral da controvérsia
entre evolução e criação, verifica-se, a partir
dessas ilustrações, que a nova teoria põe por terra
a “árvore evolutiva das galáxias” que supunha a sua origem
a partir de um ponto no qual se concentrariam toda a matéria e
toda a energia primordiais.
A situação de um Universo originado pelo Big Bang é
similar, mutatis mutandis, à complexidade da “explosão cambriana”
originada a partir da fauna e flora pré-cambrianas – como explicar
por evolução ambos os processos? As evidências realmente
favorecem não uma “árvore”, mas um conjunto de troncos paralelos
correspondentes a tipos pré-determinados existentes desde o início
de uma criação especial.
II SEMINÁRIO SOBRE A FILOSOFIA DAS ORIGENS
Apresentamos a seguir para nossos leitores algumas informações
sobre as atividades que serão desenvolvidas no II Seminário
sobre a Filosofia das Origens, a ser realizado no Rio de Janeiro, nos
dias 10, 11 e 12 de setembro.
Este Seminário – da mesma forma que o I Seminário realizado
há dois anos tendo como local o Auditório da UNIVERCIDADE
do Rio de Janeiro – constitui um evento organizado pela Sociedade Criacionista
Brasileira em parceria com a Igreja Adventista do Botafogo, com apoio
de várias outras entidades.
No I Seminário, além da cessão gratuita do Auditório
da UNIVERCIDADE, houve a colaboração logística e
financeira da Igreja Adventista do Botafogo, e colaboração
específica do Hospital Silvestre e da Divisão Sul-Americana
da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A participação
conjunta dessas entidades com a Sociedade Criacionista Brasileira permitiu
alcançar grande sucesso especialmente no sentido de divulgar a
mensagem criacionista a um publico de nível universitário
que demonstrou grande interesse pelo assunto.
…..
Como no Seminário anterior, a programação abre espaço
específico para a divulgação tanto das publicações
da Sociedade Criacionista Brasileira como da Casa Publicadora Brasileira
e de outras editoras, visando pôr à disposição
dos participantes o excelente material que hoje existe sobre a controvérsia
entre o Criacionismo e o Evolucionismo. Esperamos que, dado o perfil presumível
dos possíveis participantes, a divulgação atinja
indiretamente também instituições de ensino particularmente
localizadas no Estado do Rio de Janeiro, numa oportunidade ímpar
em que se debate nos círculos educacionais do Estado o ensino do
Criacionismo nas aulas de Educação Religiosa.
Será também uma ótima oportunidade para a divulgação
dos programas de televisão produzidos pelo SISAC/ADSAT em parceria
com a Sociedade Criacionista Brasileira – especialmente o “De Olho nas
Origens” – devendo para isso ser organizado um “stand” com material promocional,
com vídeos e informações sobre como adquiri-los.
Desejamos destacar que a realização destes dois Seminários
sobre “A Filosofia das Origens” tem precipuamente o objetivo de tentar
divulgar a mensagem criacionista para pessoas de um nível educacional
– eivado de conotações evolucionistas, materialistas e ateístas
– que, em princípio, de outra maneira teria dificuldade de ter
sua mente despertada para o cuidadoso planejamento e providência
observados na complexidade da natureza, desde uma “simples” célula
até à interação dos nichos ecológicos.
O Seminário pretende também referir-se à obliteração
da imagem de um Deus de amor, efetuada através de conceitos errôneos
supostamente apoiados no conhecimento científico. Para isso, pretende
incluir na sua abordagem aspectos pesquisados modernamente pela ciência
que comprovam o “planejamento inteligente”, levando à conclusão
de que tudo será restaurado devidamente, para cumprir os propósitos
originais do Criador.
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