Revista Criacionista Número 70
Notícias



O GRANIZO Topo

Freqüentemente a imprensa noticia eventos meteorológicos que ocorrem no mundo todo, e também em nosso país, ocasionando estragos a propriedades urbanas e a lavouras, às vezes com conseqüências trágicas devido a enormes perdas materiais e de vidas. Tais eventos são fenômenos aleatórios, cujo estudo, entretanto, tem sido efetuado através de modelos matemáticos baseados na Teoria do Caos e na Teoria das Catástrofes.

Dentre esses eventos, tem sido estudado o fenômeno do granizo, ou “chuva de pedras”, embora ainda de forma incipiente. Trata-se de um tipo de turbulência meteorológica que constitui ameaça principalmente às lavouras quando ocorre em intervalos muitos curtos ou com excepcional intensidade.

O granizo é mencionado no texto bíblico como uma das pragas destruidoras por ocasião do êxodo do Egito (Êxodo 9:12-35), e também como algo que ocorrerá de forma devastadora e impressionante nos tempos finais da história (Apocalipse 8:7 e 16:21). A complexidade da origem do fenômeno sempre intrigou o homem, e fez parte da argumentação desenvolvida na conversa entre Deus e Jó (Jó 38:22-23).

Faz-se a seguir a transcrição de trechos do artigo intitulado “O Granizo no Território Paulista”, apresentado no número 183 do Suplemento Cultural de “O Estado de S. Paulo”, prestigioso matutino paulista. O artigo, de autoria de José Bueno Conti, descreve os resultados preliminares de um estudo sobre a ocorrência do fenômeno no Estado de São Paulo, e apresenta exemplos interessantes do seu efeito devastador.


Introdução

Nos últimos anos o Sul e o Sudeste do Brasil têm sido particularmente afetados por anormalidades climáticas, cujas conseqüências se têm feito sentir nas atividades econômicas e na vida da população. Um exame retrospectivos permite destacar alguns desses desvios.

No primeiro semestre de 1978, extensas áreas do Brasil Meridional, habitualmente bem providas de chuvas, foram flageladas pela estiagem, especialmente o vale do rio Uruguai, o Oeste catarinense e a maior parte do Estado do Paraná. Importantes regiões agrícolas e pastoris sofreram prejuízos consideráveis exigindo uma mobilização geral de esforços para atenuar os efeitos da inesperada seca.

Em 1975, houve excessos de frio, e em julho daquele ano a geada devastou os cafezais paranaenses e paulistas, comprometendo seriamente o resultado das safras. Em 17/07/75 sobreveio, em Curitiba, a maior nevada registrada desde 1928. A inclemência do tempo manifestou-se, também, através de turbulências e quedas de granizo em vários pontos do Sudeste, sobretudo nas regiões serranas e de planalto.

Apesar do interesse que representa o conhecimento de qualquer tipo de irregularidade climática e seus reflexos na vida econômica, nossa atenção concentrou-se no estudo da queda de granizo, pela sua indiscutível especialidade.
O granizo ou saraiva, denominações que variam conforme o tamanho dos grãos de gelo, verifica-se notadamente em zonas montanhosas, afetando áreas onde, em geral, se praticam culturas de clima temperado, que exigem técnicas apuradas e alto investimento. Tais áreas, ao mesmo tempo que são recomendadas para esse tipo de produto, em virtude de suas médias térmicas relativamente baixas, apresentam-se, por outro lado, muito vulneráveis às granizadas, cujos efeitos são desastrosos principalmente quando se verificam na fase inicial do crescimento das plantas ou durante a maturação dos frutos. Apesar do grande interesse em se encontrar uma defesa contra esse flagelo atmosférico, as medidas que têm sido sugeridas ainda são de eficiência discutível. Trata-se, portanto, de mais de um desafio a ser vencido pelo homem na sua antiga luta contra os elementos.


O Fenômeno Meteorológico

O granizo é uma ocorrência associada a condições de forte instabilidade atmosférica e bruscos movimentos convectivos, responsáveis pela formação de cúmulos-nimbos com grande concentração de cristais de gelo. O estudo da distribuição espacial desse fenômeno já permitiu obter conclusões bem conhecidas, tais como a de que é mais freqüente nas áreas de montanha e altos planaltos, onde a temperatura média é mais baixa que ao nível do mar, diminuindo sua ocorrência à medida que nos afastamos das regiões tropicais.

Procurando explicá-lo simplificadamente, o esquema seria o seguinte: nuvens do tipo cúmulo-nimbo contêm em seu interior um complexo mecanismo de correntes ascendentes que se elevam até seu limite superior. Pesquisas efetuadas em áreas temperadas demonstram que as gotículas de água de um cúmulo-nimbo, formadas em conseqüência da condensação, continuaram a se elevar impulsionadas pelas correntes ascendentes, permanecendo em estado líquido até aproximadamente a altitude de 8,5 quilômetros, onde a temperatura é da ordem de -35ºC, verificando-se, portanto, o fenômeno da superfusão. A partir desse nível, transformam-se em cristais de gelo. Ao precipitarem-se, afluem para o nível de condensação onde tendem a aumentar por “deposição” (isto é, fixação do vapor d’água diretamente no estado sólido ou sublimação inversa), processo bem estudado pelos meteorologistas escandinavos Bergeron e Findeisen, além de outros. Tem início assim a formação do granizo. A ação continua – os cristais aumentam de tamanho graças à coalescência, podendo ser novamente elevados pelas correntes ascendentes e, mais uma vez, retornarem ao nível de condensação onde sofrerão nova “deposição”, razão pela qual o granizo, examinado ao microscópio, e, mesmo a olho nu, mostra, freqüentemente, várias camadas de água solidificada. Atingindo um peso superior à força de arrasto provocada pelas correntes ascendentes, precipita-se ao solo, indo atingi-lo ainda em estado sólido, ocasionando o que popularmente se denomina de “chuva de pedra”, cujas conseqüências podem ser graves conforme o grau de intensidade que o fenômeno assume (Ver Fig. 1 na RC).


Exemplos de Granizo no Território Paulista

A queda de granizo no Estado de São Paulo foi estudada pelo meteorologista Sylvio O. Dorta, do 7º Distrito de Meteorologia, na monografia “Subsídios ao Estudo do Granizo” (edição mimeografada), onde o autor focaliza a década de 61 a 70, mencionando a região de Franca, no nordeste do Estado, como a de maior incidência. Há também um bom acervo de informações levantadas pela Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, por meio de suas “Carteiras de Seguro Contra Granizo”.

As ocorrências dos últimos anos estimularam-nos a ampliar a investigação desse fenômeno tão temido pelas lavouras de montanha. Tomamos uma série de 31 anos (1944-74) referentes a 28 estações meteorológicas operadas pelo 7º Distrito de Meteorologia – Araçatuba, Bananal, Bauru, Campinas, Catanduva, Colina, Campos do Jordão, Franca, Iguape, Limeira, Lins, Mococa, Monte Alegre do Sul, Paraibuna, Pindamonhangaba, Piraçununga, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Santa Rita do Passa Quatro, Santos, São Paulo (Mirante de Santana), São Paulo (Horto Florestal), São Simão, Sorocaba, Taubaté, Tietê e Ubatuba – e procedemos à contagem dos dias de granizo na série referida, em cada um desses pontos de observação. Verificamos, de forma muito clara, a concentração do fenômeno nas áreas serranas e altos planaltos, aparecendo as regiões de Franca e de Campos do Jordão como as mais sujeitas, constatação que veio confirmar o fato de que na faixa intertropical a queda de granizo coincide com os trechos elevados em relação ao nível do mar.

A análise demostrou, também, de forma inequívoca, a existência de correlação linear positiva entre altitude e queda de granizo, podendo apontar-se como exemplos os dois casos extremos: Campos do Jordão, a 1.593 metros de altitude, registrou 71 ocorrências, ao passo que Santos, ao nível do mar, apenas 3. È de se admitir que, nas áreas serranas, a rugosidade do terreno ative a turbulência, estimulando situações locais de instabilidade, tornando, portanto, mais repetidos os episódios de granizo.

A observação da freqüência mensal indicou nítida concentração nos meses de primavera (40,4% dos casos, dos quais metade no mês de outubro), corroborando resultados obtidos em outros pontos do Globo. Temos conhecimento de estudos realizados em Denver, Colorado (EUA) por W. B. Beckwith, os quais assinalaram o mês de maio (primavera no Hemisfério Norte) como o de maior incidência de granizadas.


O episódio de Atibaia

No dia 7 de outubro de 1975, entre 15h30min e 16 horas, verificou-se uma tempestade de granizo de inusitada intensidade no município de Atibaia, a 60 quilômetros da capital paulista, afetando cerca de 120 quilômetros quadrados, numa faixa de altitude entre 740 e 1.000 metros sobre o nível do mar. O fenômeno, embora tivesse durado apenas 20 minutos, foi de uma violência excepcional, destruindo significativas áreas de culturas de pêssegos, uva Itália, morangos, legumes, flores e alguns milhares de cafeeiros. Levantamentos efetuados pela Cooperativa Agrícola Sul-Brasil, Sindicato Rural de Atibaia, Associação Rural de Atibaia e Casa da Agricultura da mesma localidade estimaram em cerca de 1.300.000 pés de frutas prejudicados, além de 115.000 cafeeiros, ocasionando elevadas perdas financeiras.

O posto pluviométrico da Cooperativa Agrícola Sul Brasil, localizado na área afetada, acusou, naquele dia, um total de 92 milímetros de chuva, valor que deve revelar, em grande parte, água de fusão do granizo recolhido pelo respectivo pluviômetro. Durante a granizada, o vento era procedente do quadrante sudeste e soprava com grande força como se constatou pelo enorme número de vidraças danificadas, voltadas nessa direção.

Pode-se esboçar uma explicação para esse fenômeno, se examinarmos a situação sinóptica através das cartas elaboradas pelo 7º Distrito de Meteorologia e das imagens do satélite NOAA-3. Nos dias 6 e 7 de outubro de 1975, a região esteve sujeita a uma linha de instabilidade muito pronunciada, e os valores barométricos baixaram para cerca de 1.000 milibares. O processo foi ativado pela alta temperatura reinante (28,8ºC), daí resultando o extraordinário desenvolvimento de nuvens de grande espessura e a violenta queda de granizo que se seguiu.


A melhor defesa

Muitos processos têm sido ensaiados para combater artificialmente o granizo. Um destes é o da nucleação artificial do cúmulo-nimbo no nível adequado, a fim de provocar precipitação antes da formação dos cristais de gelo que constituem o embrião dos grãos de granizo. Tem sido tentado, ainda, o bombardeio das nuvens por meio de explosivos transportados por foguetes, com base no princípio de desagregação do granizo graças às ondas de choque produzidas pela explosão. Este método foi abandonado ao constatar-se que a energia liberada pela explosão era muito pouco significativa em relação à energia contida na nuvem.

O único processo que parece ter alguma eficácia, segundo experiências feitas, seria a nucleação artificial da nuvem, a partir do solo, no momento adequado da evolução do cúmulo-nimbo, porém isso exigiria uma rede de observação em permanente vigilância, com equipamentos distribuídos na área a ser defendida e preparados para entrar em funcionamento, o que, nas condições atuais da maioria dos países, é economicamente inviável. A proteção contra o granizo limita-se, portanto, a uma previsão bem-feita e a uma imediata advertência dos serviços meteorológicos às áreas ameaçadas, a fim de as plantações serem convenientemente resguardadas, na medida do possível.

Um fenômeno como o que castigou o município de Atibaia em 1975 teria sido menos ruinoso para a economia local se a área pudesse ter sido previamente alertada. O meteorologista Rubens Junqueira Vilela, professor do Instituto Astronômico e Geofísico da USP, no artigo “Granizo pode ser evitado”, publicado na revista “Copercotia” de setembro de 1969, enumera algumas regras de previsão e orientação ao agricultor. São elas basicamente as duas seguintes:

1ª) Em dias de sol forte, quando os cúmulos-nimbos começam a se formar, depois das 10 horas, em menor número, cobrindo menos da metade do céu, e com bases acima de 1.000 metros, atingindo grande extensão vertical, são prováveis as granizadas entre 14 e 17 horas.

2ª) Após dois ou três dias de calor intenso, se a direção do vento sofrer um giro anti-horário, passando de noroeste para sudoeste, isso indicaria entrada de frente fria, geralmente precedida por turbulência atmosférica e possíveis saraivadas.

Além dessas normas práticas e das informações de que dispomos apontando as áreas mais elevadas e os meses de primavera como mais sujeitos ao granizo, ainda não contamos com indicadores mais seguros para orientar um procedimento sistemático de defesa. Recomenda-se, pois, um tratamento estatístico minucioso, a fim de se obterem índices confiáveis que auxiliem os trabalhos de previsão.

(Leia toda a notícia na Revista Criacionista impressa)




LIÇÕES DA RADIESTESIA Topo

A Radiestesia ou Rabdomancia é uma prática milenar que tem sido usada presumivelmente para a detecção de lençóis d’água subterrânea, utilizando as chamadas “varinhas mágicas”. Sua utilização é feita por pessoas “sensitivas”, os rabdomantes ou hidróscopos, e a sua eficácia tem sido discutida no decorrer dos tempos.

Evidentemente, em nossos dias – em que a ciência tem-se multiplicado – existem condições para a aplicação do método científico, acompanhado de experimentos envolvendo tecnologias avançadas, para pelo menos comprovar ou não a sua eficácia, se não descobrir também os seus eventuais fundamentos científicos.

Entretanto, como exposto no artigo abaixo, de autoria de Johan B. Kloosteman, transcrito da revista “Catastrophist Geology” nº 2-2, de dezembro de 1977, é este um caso a mais em que idéias pré-concebidas impedem uma análise verdadeiramente científica dos fatos. Sem querer defender a Radiestesia, pois nossa posição sobre a sua eficácia é neutra (embora tenhamos pessoalmente uma interessante experiência positiva a seu respeito, em ocasião em que profissionalmente nos dedicávamos ao fascinante campo da Hidrogeologia), gostaríamos de partilhar da opinião implícita do articulista quanto aos preconceitos que freqüentemente impedem o avanço da ciência, como é o caso por exemplo da posição oficial atual do “establishment” científico com relação ao Catastrofismo ou ao Criacionismo.

Desejamos ressaltar que a revista “Catastrophist Geology” era publicada em Inglês no Rio de Janeiro, tendo circulação em escala mundial nos meios científicos mais abertos aos estudos que aparentemente contrariam os paradigmas convencionalmente aceitos.

O “United States Geological Survey”
contra a não-convencionalidade

Alguns eventos casuais são menos condenáveis que outros, e alguns chegam tão perto da aceitação que até transpassam a fronteira entre a não-convencionalidade e a convencionalidade, ou para permanecer ou para voltar atrás, às vezes repetidamente. Alguns desses persistentes eventos não usuais permanecem condenados somente durante poucas décadas, enquanto outros permanecem no “Index” do sacerdócio científico durante séculos.

Do ponto de vista universitário ortodoxo, somente as condenações do passado têm importância. O caso dos meteoritos, por exemplo é citado freqüentemente. Sua existência era conhecida há milênios (na Antigüidade Mediterrânea o ferro era conhecido como “metal de origem celeste” – comparem-se os vocábulos siderurgia e sideral), porém no final do século XVIII foram repentinamente execrados, para depois serem novamente aceitos como de origem celeste. Entretanto, a seqüência de constante oscilação de rejeição e aceitação entre a convencionalidade e a não-convencionalidade usualmente é mantida fora dos registros científicos. Tenho dúvidas de que algum historiador da ciência estude as vicissitudes dos eventos ou o âmbito do conhecimento que são censurados nos periódicos científicos do “establishment”.

Thomas Kuhn (1962) opunha-se ao ponto de vista de um progresso contínuo da ciência convencional, advogando um ponto de vista até certo ponto catastrofista de progresso descontínuo aos saltos. Ele encara, entretanto as revoluções científicas como ocasionadas por contradições internas geradas pelo empreendimento científico, e não leva em conta a interação entre a convencionalidade e a não-convencionalidade. Ele discute somente alterações menores do “paradigma” – por exemplo a descoberta do oxigênio – e não saltos maiores tais como a substituição da Alquimia pela Química, apesar de podermos legitimamente indagar se algo existe na nossa compreensão do mundo que pudesse tornar provável a descoberta do oxigênio e ao mesmo tempo tornar compreensível a Alquimia.

A história do “United States Geological Survey – USGS” (agência norte-americana semelhante, no Brasil, à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais e ao Departamento Nacional de Produção Mineral) provê alguns exemplos interessantes da interação entre a convencionalidade e a não-convencionalidade.

No início do século XX, o USGS foi encarregado da responsabilidade de dar aconselhamento sobre recursos minerais, incluindo recursos hídricos. Um grande número de questões sobre radioestesia lhe foi encaminhado, e iniciou-se então um projeto visando proporcionar uma posição oficial sobre o assunto. Foi publicado em 1917 um artigo (Ellis, 1917) descrevendo a radioestesia e sua história (“uma curiosa superstição”) e apresentando uma lista de 500 referências (“um enorme volume de literatura estranha”). Muitos fatos curiosos foram relatados, alguns dos quais bastante curiosos. Por exemplo, as regras às vezes prescritas para o corte das varinhas “relacionavam-se muito amplamente com a magia e a astrologia pagã”; em 1659 a varinha de adivinhação foi denunciada por um sacerdote jesuíta como instrumento diabólico, e em 1701 foi expedido um decreto contra elas pela Santa Inquisição. E assim, quando a conclusão do artigo foi de que a “bruxaria hidrológica” é inútil, e que “experimentos ulteriores pelo USGS constituiriam ...mal uso de fundos públicos”, os representantes da ciência convencional mais uma vez se puseram como sucessores diretos das igrejas convencionais na repressão da tradição e do conhecimento antigo.

Em resumo, o artigo do USGS baseava-se em opiniões pessoais, e nenhum experimento foi feito. Cinqüenta anos mais tarde, entretanto, (em 24/12/67), foi publicada uma notícia sobre radioestesia, dizendo que “Experimentos controlados, feitos por grande número de pesquisadores, mostraram de maneira conclusiva que a bruxaria hidrológica (radiestesia) não é um método confiável para a localização de água subterrânea”. Nenhuma evidência negativa foi apresentada desde 1917, e as evidências positivas foram ignoradas – como as pesquisas de Tromp (1949-1956), ou a ampla pesquisa desenvolvida nos países soviéticos. O USGS estava claramente “blefando” ao converter meras opiniões em “experimentos controlados”, e quando foi interpelado, teve de retratar-se.

William T Pecora, que tinha sido Diretor do USGS desde 1965, admitiu em 1969, em carta dirigida a R. C. Willey, Secretário da Sociedade Americana de Radioestesistas, que o USGS não possuía informações suficientes para se pronunciar negativamente sobre a eficácia da radiestesia. Pecora passou então a envinar todas as solicitações de informação sobre o assunto à Sociedade. (Ver Willey, 1970).

Luzes sísmicas – fenômenos luminosos visualizando pouco antes, durante e imediatamente após terremotos – foram relegadas ao limbo dos fatos condenados durante um bom tempo (talvez um século), mas hoje estão sendo admitidas, embora friamente, em outra notícia divulgada pelo USGS, dez anos após a “Bula da Bruxaria Geológica”.

Alguém do USGS “viu as luzes” e foi bem sucedido em pressionar a publicação de uma notícia a seu respeito, a qual foi publicada após terem sido adotadas as devidas precauções no palavreado. Afirmações positivas foram colocadas entre aspas (“a existência das luzes sísmicas é algo bem estabelecido, afirma John Derr”), e a observação final, de que uma teoria sobre as luzes sísmicas poderia possivelmente ser útil para a previsão de terremotos, foi feita como parecendo pedir desculpas pela publicação da notícia. Duvido também que alguém no USGS tivesse pensado nos últimos 50 anos de pesquisas feitas por leigos (Ver, por exemplo, Fort, 1941; Corliss, 1974; e outros artigos em meia dúzia de revistas leigas), ao escreverem que as luzes sísmicas merecem “investigação científica adicional (ênfase minha), disse John Derr”. Ou será que “investigação adicional é algum termo esotérico do USGS, à semelhança dos “estudos ulteriores” da radiestesia, com significado distinto para os não iniciados?

A crítica da terminologia, portanto, sem dar a ela o devido crédito, certamente seria um sinal de intolerância. Após a mencionada notícia divulgada naquele ano, os pesquisadores estarão aptos a referir-se a ela e talvez encontrarão menor resistência dos editores ao tentar publicar os seus resultados. Talvez até possam receber recursos para suas pesquisas. Pode-se até esperar que a comunidade científica seja capaz de aplicar seu potencial intelectual, facilidades de laboratório e rede de comunicação à investigação das luzes sísmicas. Algum tipo de passo positivo foi dado, sem dúvida, o que marca um tento a favor da não-convencionalidade e da ciência. Alegremo-nos com isso, e congratulemo-nos com o USGS pela sua coragem.

Para finalizar, uma previsão... Também no USGS cada vez um número maior de geólogos está entendendo que ignorantes e supersticiosos são os que aceitam “pela fé” as opiniões de outros, sem colocá-las à prova. Daqui a mais uns anos, será divulgada uma nova notícia declarando que a radioestesia merece investigações científicas adicionais, seguida por um novo artigo sobre recursos hídricos subterrâneos com extensa bibliografia cobrindo também o período desde 1917, e recomendando o uso de fundos públicos para pesquisas ulteriores.

(Leia toda a notícia na Revista Criacionista impressa)



A FÉ E O GENOMA HUMANO Topo

Com o título acima, a “American Scientific Affiliation” – ASA, conhecida entidade criacionista norte-americana, publicou em seu periódico “Perspectives on Science and Christian Faith”, de setembro de 2003, um interessante artigo de autoria de Francis S. Collins.

Neste artigo, Collins faz uma pequena introdução, mas bastante significativa, para em seguida falar um pouco de sua experiência pessoal como cristão, e finalmente tratar de interessantes detalhes do Projeto Genoma.

Consideramos de utilidade para nossos leitores transcrever na integra a introdução e as declarações de Collins a respeito de sua fé, seguidas de alguns trechos de sua exposição sobre o Projeto Genoma.

Introdução

Apesar dos melhores esforços da “American Scientific Affiliation” para eliminar o hiato entre ciência e fé, poucos encontros de cientistas envolvidos com Biologia têm incluído qualquer discussão importante sobre o significado espiritual da revolução que está ocorrendo na Genética e na Genômica. A maior parte dos biologistas e geneticistas parece ter concluído que ciência e fé são incompatíveis, porém poucos que aceitam esta conclusão parecem ter considerado as evidências seriamente.

Da minha perspectiva de Diretor do Projeto Genoma Humano, as visões de mundo, científica e religiosa, não somente são compatíveis, como também inerentemente complementares. Assim, é uma fonte de grande preocupação a profunda polarização entre as perspectivas científicas e religiosas, ora claramente evidenciada nos campos da Biologia e da Genética. Extremados defensores de cada campo pintam quadros crescentemente exclusivistas que forçam os pesquisadores sinceros a escolher uma das visões em detrimento da outra. Como tudo isso deve ferir os sentimentos de Deus! A elegância e a complexidade do genoma humano é uma fonte de profundo embevecimento. Suas maravilhas somente reforçam minha fé, pois provêem relances de aspectos referentes à humanidade, que em sua onisciência Deus sempre conheceu, mas que somente agora nós estamos começando a descobrir.

Declarações de Collins sobre a sua Fé

Estamos na beira de uma infinidade de desenvolvimentos impulsionados pela Genética, que requerem exame cuidadoso e deliberado. Aqueles de nós que têm a bênção de ter um firme fundamento para decidir em que direção iremos (a saber, nossa fé), precisam estar profundamente engajados, para que o resultado seja algo de que o Deus todo poderoso possa se orgulhar.

O Salmo 8 refere-se à interface entre a ciência e a fé:

“Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o Teu nome, pois expuseste nos céus a Tua majestade. Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos Teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador. Quando contemplo os Teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele Te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus, e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da Tua mão, e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o Teu nome!”

Como cientista, aprecio esse Salmo porque ele realmente exprime o fundo do coração de Davi e descreve as glórias dos céus, as maravilhas da Biologia, e ainda apresenta a mensagem real: “Quão magnífico em toda a terra é o Teu nome!”

Durante cerca de vinte anos tenho sido membro da ASA. Esta é a primeira vez que pude comparecer a um encontro anual. Confesso que me vejo constrangido a fala sobre a interface entre a ciência e a fé, pois muitos dos presentes já escreveram eloqüentemente sobre as peculiaridades da síntese desses dois diferentes componentes. Minha conceituação própria a esse respeito ainda está em formação. Vocês encontrarão lugar para me desafiar, e espero que o façam. Para mim, a ASA tem sido constante fonte de encorajamento ao longo desses últimos cerca de vinte anos.

Observem estas duas imagens bastante ilustrativas, que são tão parecidas entre si: O belo vitral rosiforme da York Minster Cathedral, e uma vista pouco comum do DNA, em que a espiral é vista de dentro para fora, de tal modo que a hélice dupla adquire um aspecto particularmente belo.

Estas imagens podem representar duas visões de mundo que a maioria das pessoas julgam incompatíveis – a visão espiritual, e a visão científica. Alternativamente, a síntese dessas duas visões de mundo pode constituir uma magnífica oportunidade para apreciar cada uma delas de maneira particularmente especial.
Minha formação

Nasci e cresci em Shenandoah Valley, na Virginia, em um lar onde era exercitada a fé de maneira regular. Meus pais eram pessoas muitos criativas, especialmente no teatro e nas artes. Meus primeiros anos escolares, até a sexta série, foram em casa, não pelo desejo de me instilarem crenças religiosas, como hoje é freqüente, mas para me manter afastado das escolas do povoado, cujos professores eram tidos como pouco incentivadores dos instintos criativos dos quatro filhos de minha mãe. Ela me inspirava o desejo de aprender coisas, porém pouco eu aprendi sobre a fé ou a crença em Deus. Freqüentei a igreja a partir dos seis anos de idade, por uma razão bastante específica – participar do coral juvenil para aprender música. Lembro-me de uma admoestação de meu pai: “ Você está lá para aprender música. Você enfrentará outros questionamentos sobre teologia. Não preste atenção neles, pois eles somente deixarão você confuso”. Assim, segui essas instruções e aprendi bastante sobre música, mas nada aprendi sobre o restante dos serviços religiosos.

Quando meus amigos no dormitório do colégio perguntaram-me sobre o que eu cria, verifiquei que não tinha absolutamente qualquer idéia sobre o assunto. Foi muito fácil para eu decidir-me que não cria em nada daquilo sobre o que os outros falavam – sobre Cristo, ou outras formas de fé religiosa. Eu supunha que tudo isso era superstição. Eu tinha vivido bem sem isso, e não sentia qualquer necessidade particular de aceitar tudo isso.

Terminei minha graduação em Química, e iniciei um doutorado em Física Química em Yale. Após me aprofundar nesse campo específico, e concluir que as únicas verdades reais eram equações diferenciais de segunda ordem, parecia-me haver menos necessidade ainda de Deus. Tornei-me assim um notório ateu no curso de pós-graduação. Se alguém fosse almoçar comigo, certamente não apreciaria a experiência. Eu não tinha absolutamente interesse algum em coisas relacionadas com a vida espiritual, pois não achava que tais coisas realmente existissem.

Nessa ocasião, mudei de direção em minha carreira. Decidindo que a Biologia era bastante mais interessante do que eu supunha anteriormente, determinei-me ingressar na carreira médica. Eu desejava seguir essa carreira para dirigir minha inclinação para a ciência na direção da saúde humana. Como estudante de medicina, deparei-me com muitas pessoas passando por sofrimentos terríveis, afetadas por doenças pelas quais não tinham culpa. Embora eu não conseguisse ajudá-las, observei que algumas dessas pessoas pareciam possuir uma incrível fé. Não contendiam com Deus, o que eu achava que deveriam fazer. Se eles acreditavam em um Deus que permitia que o câncer os atingisse, por que não o estavam confrontando? Pelo contrário, eles pareciam derivar esse notável sentimento de conforto de sua fé, mesmo em ocasiões de enorme adversidade. Essa posição realmente me intrigava. Poucos de meus pacientes me perguntaram em que eu cria. Eu titubeava, e me via muito embaraçado ao dizer: “Eu não sei!”

Então algo me aconteceu. Como cientista, sempre eu tinha insistido na coleta rigorosa de dados antes de tirar uma conclusão. E apesar disso, na questão da fé jamais eu tinha coletado qualquer tipo de dado. Eu não estava sabendo o que eu rejeitava. Então decidi que eu deveria estar um pouco melhor fundamentado no meu ateísmo. Seria melhor que eu descobrisse, afinal, do que se tratava. Encontrando na rua um paciente que era ministro metodista, apresentei-lhe meus desafios. Após ouvir meu questionamento, e entendendo que eu não estava possuindo bastante informação, ele me sugeriu que eu lesse o Evangelho de S. João. E foi o que fiz. Descobri que as Escrituras eram interessantes e faziam-me pensar, ao contrário do que sempre pensei que a fé fazia. Entretanto, eu não estava pronto ainda para considerar a plausibilidade da fé. Eu necessitava uma base intelectual maior para superar meus próprios argumentos sobre tudo isso ser apenas superstição. Com essa intenção, voltei-me ao livro clássico “Mere Crhistianity”, de C. S. Lewis. (Até hoje “Mere Crhistianity” parece ainda ser o melhor livro para ser posto nas mãos de um jovem em busca da verdade sobre a racionalidade da fé). Ao ler “Mere Crhistianity”, logo minha visão materialista foi posta em ruínas. Particularmente incisivo foi para mim o argumento de Lewis sobre a lei da natureza humana. Por que ela existe? Por que ela é universal? E também o seu argumento: Não seria este o lugar para procurar evidências de um Deus pessoal, perfeito e santo, se é que ele existe?

Os sociobiologistas alegarão que, afinal, de alguma maneira a natureza humana é uma conseqüência da evolução. Isso nunca me pareceu uma alegação particularmente impelente como explicação para a lei moral que conhecemos como algo intrínseco, embora freqüentemente a desobedeçamos. Segue uma magnífica frase de Lewis:

“Descobrimos mais a respeito de Deus a partir da lei moral do que do universo em geral, da mesma maneira que descobrimos mais a respeito de uma pessoa ouvindo sua conversação do que olhando para a casa que ele construiu.”

Compreendi que minha vida científica estava olhando para a casa, enquanto eu jamais havia considerado a conversação (a lei moral) como evidência de Deus. Eu precisava estudar o Criador. Após uma luta interna de vários meses, compreendi que, se existisse Deus, Ele era santo, e eu não. Pela primeira vez compreendi quão deficiente eu era. Então entendi o que Cristo fez provendo uma ponte entre Deus, com toda a sua santidade, e mim, com toda minha imperfeição. Finalmente, cedi e rendi-me – não talvez como Lewis, “o mais abominável e relutante converso em toda a Inglaterra”, que é como ele descreve sua conversão.

Certamente também não senti uma onda de calor emocional. Pelo contrário, parecia-me estar caminhando por algo completamente desconhecido. Deus é bom, e no decorrer de muitos outros anos de aprendizagem – e ainda estou percorrendo esse caminho – minha fé se tornou a luz que passou a guiar minha vida.

Minha visão do mundo científico começou cedo. Interessei-me muito por ciências quando ainda estudante do segundo grau, e em seguida pela química, continuando pela medicina, e finalmente pela genética como meio de desvendar todos os difíceis mistérios das doenças. Certamente, nunca imaginei que pudesse receber um convite para participar do “National Institutes of Health” (NIH) e tornar-me um servidor público, dirigindo um projeto visando ao mapeamento e seqüenciamento de todo o alfabeto do manual do ser humano. Esse foi verdadeiramente um notável momento na história, momento esse que estamos vivendo essencialmente agora. Passaram-se nove anos desde que vim para o NIH, durante os quais fiz uma carreira incrível, que ainda continua! Sob muitos aspectos, estamos no fim do começo. Para onde estamos indo em seguida, penso eu, haverá ainda impactos mais profundos na medicina e na sociedade. Como cristãos, temos uma perspectiva especial sobre como conduzir essa nova revolução de maneira a ter os máximos benefícios seguindo o melhor caminho.


O Futuro do Projeto Genoma Humano

O Projeto Genoma Humano (PGH) já tem doze anos de vida. Todos os seus objetivos iniciais foram atingidos com antecipação de três anos relativamente à data prevista, de 2005. Fico contente ao dizer que o PGH realizou-se com recursos financeiros muito menores do que os previsto inicialmente. O PGH é um projeto financiado pelo governo federal americano, que gastou menos do que o previsto, e que foi realizado antecipando-se ao prazo!

As aplicações do PGH excederão as expectativas virtualmente em todas as áreas da medicina, porque praticamente todas as doenças têm alguma componente genética. Os cientistas tenderam a enfatizar as doenças que são herdadas geneticamente, como a fibrose cística, a doença de Huntington ou a anemia falciforme. Porém, virtualmente todas, exceto talvez alguns casos de trauma, têm componente genética – diabetes, doenças cardíacas, distúrbios mentais, asma, hipertensão, e câncer. Todas essas doenças tendem a se manifestar hereditariamente, o que significa que deve haver algo na seqüência do DNA que predispõe as pessoas ao risco.

Além disso, compreendemos que não existem indivíduos perfeitos. Esse é o equivalente biológico do pecado original. Todos nós somos imperfeitos; todos nós estamos geneticamente longe da perfeição. Não existe seqüência de DNA perfeita; existe erro em todos nós. Todos nós temos provavelmente dezenas de locais em nossa seqüência de DNA em que gostaríamos que estivesse um T (timina), mas onde realmente está um C (citosina). Conseqüentemente, essa alteração acarreta um risco para nós com relação a alguma doença. Não seremos incomodados por muitos desses riscos porque não encontraremos o gatilho ambiental necessário para ocasionar a doença, ou não teremos o conjunto de susceptibilidades para nos levar a transpor certo limite. Entretanto, temos todos nós algo que está oculto em nosso genoma, e carregamos a probabilidade de que nosso genoma específico poderá nos causa algum incômodo. Estamos prestes a podermos descobrir, dentro de aproximadamente 10 anos, quais são essas probabilidades, para cada um de nós. É realmente sério contemplar todo esse potencial.

Hoje, cinqüenta anos após Watson e Crick terem desvendado a estrutura da hélice dupla, acho interessante contemplar a elegância do DNA que armazena informação – essa linguagem que é partilhada por todas as formas de vida. De maneira bastante fácil para ser copiada, esse código digital permite levar uma quantidade enorme de informação para dentro de cada célula do corpo humano. Essa dupla hélice de DNA é construída com pares básicos de letras. O genoma humano todo consiste de 3 bilhões desses pares, todos armazenados dentro do núcleo da célula (Ver Figura 2 na RC).

Embora este seja um número enorme, para mim é surpreendente que ainda seja um número finito. Os 3 bilhões da letras são capazes de dirigir todas as propriedades biológicas de um ser humano. Apesar de existir uma imensidade de propriedades biológicas em um ser humano, especialmente se considerarmos as complexidades do crescimento, essa estrutura ainda é suficiente.

O PGH visava a leitura de todas essas letras, e o desenvolvimento de técnicas que levem à compreensão do significado dessa linguagem, sem o que de pouco serviria. Assim, enquanto parte do sucesso do projeto foi a leituras das letras, a parte principal foi o desenvolvimento de outros métodos para a compreensão do que está codificado nelas.

...Descobrimos algumas belas surpresas na leitura da seqüência do genoma humano. Dentre elas podemos destacar as seguintes (transcreveremos aqui apenas uma delas):

Os seres humanos têm menos genes do que se esperava.

Minha definição de gene, aqui, já que é diversificada a terminologia utilizada, é um segmento do DNA que codifica uma proteína determinada. Provavelmente há segmentos do DNA que codificam RNA que não produzem proteínas. Esse entendimento está somente em seu início, e pode ser muito complexo. Porém, a definição padrão do gene como “um segmento de DNA que codifica uma proteína” nos leva surpreendentemente ao pequeno número de cerca de 30.000 genes humanos. Considerando que temos estado a falar de cerca de 100.000 genes durante os últimos quinze anos (e é ainda o que a maioria dos livros didáticos afirma), isso foi algo chocante para algumas pessoas, penso que porque o número de genes de outros organismos mais simples já haviam sido determinados anteriormente. Afinal de contas, um nematóide tem 19.000 genes, e a mostarda selvagem 25.000, e nós só temos 30.000?! Isso está correto? Pior ainda, quando decodificaram o genoma do arroz, ele apareceu com cerca de 55.000 genes. O que isso significa? Certamente, um extraterrestre vindo do espaço, olhando para um ser humano e para um pé de arroz, diria que o ser humano é biologicamente mais complexo, sem dúvida. Assim, o número de genes não parece ser significativo!


O artigo continua com numerosas outras considerações sobre aspectos genéticos e médicos, de caráter bastante técnico, que deixamos de transcrever pela sua especificidade. Finalizamos esta nossa transcrição com as considerações sobre Bioética bastante interessantes expostas pelo autor:

...Porém serão desenvolvidos muitos debates sobre questões éticas. O que dizer dos usos não-médicos da genética? Um artigo na revista Science descreveu um grupo da Nova Zelândia que identificou uma variante em um gene do cromossomo X que, conforme eles, desempenha um papel de destaque na questão sobre se rapazes que na infância sofreram sevícias, se tornam criminosos ao crescerem (2). Nesse estudo, em particular, mais de 30% dos que foram seviciados na infância, e que tinham essa variante específica no gene monoaminaoxidase, foram condenados devido a atividades criminosas. Esse percentual foi muito superior ao obtido considerando-se isoladamente cada um dos dois fatores citados. Poder-se-ia imaginar como isso se desdobraria no sistema judicial atual? Seria uma defesa a favor da atividade criminosa – “meus genes me levaram a proceder assim”, e ainda “tive uma infância prejudicada, e portanto não sou responsável”? Ou isso seria usado de maneira a negar oportunidades a quem tiver essa versão de alto risco de gene monoaminaoxidase, por causa de um eventual possível mau comportamento futuro? Esses são assuntos sérios envoltos nas sombras do futuro – não tão distante.


Especialmente em face destas últimas declarações de Francis S. Collins, pode-se adiantar a pergunta que sem dúvida fazem muitos interessados no aspecto ético dos problemas que poderão surgir:: Aproxima-se de nós uma catástrofe bioética? E com relação a estes aspectos, conclui Francis S. Collins:

Uma perspectiva de fé será cada vez mais necessária. De fato, o debate desses assuntos bioéticos é feito por pessoas inteligentes, porém nem sempre firmadas sobre um fundamento sólido quanto ao sentido do que é certo ou errado. Os cristãos são incrivelmente abençoados por terem uma Rocha sobre a qual se firmarem ao tentarem fazer juízo sobre complicados tópicos éticos. Certamente, embora essa Rocha faça alguns de nossos colegas ficarem apreensivos, sob nossa perspectiva isso deveria nos colocar em uma posição especial para contribuirmos nesse debates de maneira altamente significativa.

(Leia todo o texto com Figuras/Fotos na Revista Criacionista)



HOMENS E CHIMPANZÉS NÃO TÃO PRÓXIMOS ASSIM Topo

Mais uma interessante notícia publicada no “site” da revista Galileu, que lança água fria na efervescência da propalada similaridade genética entre os seres humanos e os chimpanzés!

Em 27 de maio passado, com o título acima, foi veiculada no “site” a notícia transcrita a seguir, que deixa transparecer claramente a tendenciosidade das notícias anteriores sobre a comparação dos genomas respectivos dos seres humanos e dos chimpanzés.


Homens e macacos podem não estar tão próximos quanto se pensava, de acordo com uma equipe de cientistas envolvida no primeiro seqüenciamento preciso do DNA de um cromossomo de chimpanzé. O resultado da pesquisa foi publicado na revista "Nature" desta semana e conclui que, mesmo que nosso código genético seja bastante semelhante, as proteínas que produzimos podem ser muito diferentes.

Os cientistas do Centro de Ciências Genômicas Riken, no Japão, seqüenciaram o cromossomo 22 dos chimpanzés e o compararam com seu equivalente no genoma humano, o nosso cromossomo 21. Descobriram então que as bases de DNA dos dois são apenas 1,44% diferentes. Essa informação confirmou as suposições anteriores dos cientistas, baseadas no seqûenciamento do genoma humano, que diziam que homens e chimpanzés eram iguais em cerca de 98,5% de seu genoma.

Apesar disso, entender de fato a importância dessas diferenças é muito mais difícil do que parecia. Um gene é formado por milhares ou milhões dessas bases de DNA. Logo, pequenas alterações nas bases criam também genes diferentes e, portanto, proteínas diferentes (os genes são combinações de bases que formam um ou mais aminoácidos para controlar ou produzir proteínas). Nos 231 genes comparados na pesquisa, os cientistas encontraram 83% de alterações que afetam aminoácidos e proteínas. Além disso, 20% deles apresentavam "mudanças estruturais significativas".

A grande surpresa em relação a isso veio do fato dos cientistas não esperarem encontrar as diferenças entre homens e chimpanzés nessa parte do genoma. Eles acreditavam que as encontrariam em diversos trechos de DNA, cujas funções são ainda desconhecidas, pois não formam nenhum gene. Além disso, eles observaram 68 mil regiões - o que equivale a 5% desses cromossomos - que estavam sobrando ou faltando nos dois genomas.

As diferenças entre o genoma do homem e o do chimpanzé podem ser substancialmente maiores, uma vez que o cromossomo 22 representa somente 1% do código genético deles. Para ter a visão completa dessas alterações, os cientistas vão ter que esperar a conclusão do seqüenciamento de todo o genoma do chimpanzé, previsto para ainda este ano.



A RECENTE REFORMA EDUCACIONAL ITALIANA E O CRIACIONISMO Topo

A Sociedade Criacionista Brasileira tem-se mantido atenta ao desenvolvimento da polêmica em torno da questão do ensino das doutrinas evolucionistas nas escolas, em vários países do mundo em que cada vez mais está sendo questionado o propalado aspecto científico dessas doutrinas.

Recentemente este assunto foi trazido à baila no contexto da reforma educacional ocorrida na Itália, e temos a satisfação de apresentar a seguir o comentário feito a respeito, pelo nosso amigo Professor Fernando De Angelis, que, como criacionista italiano, nos apresenta importantes esclarecimentos sobre o que está acontecendo naquele país.

Desejamos expressar aqui nossos sinceros agradecimentos ao Professor Fernando De Angelis por mais esta colaboração prestada à nossa Sociedade.


OBSOLESCÊNCIA DO EVOLUCIONISMO NA ESCOLA ITALIANA

Fernando De Angelis

Nos novos programas para os oito primeiros anos escolares, a Ministra da Educação Letizia Moratti eliminou o Evolucionismo dos currículos de Ciências Naturais. Resultou disso uma conseqüência indireta nos currículos de História, nos quais, sem dúvida, o Evolucionismo foi também relegado aos mitos e lendas da Pré-História. Trata-se de um procedimento inédito que, entretanto, é conseqüência de um crescente anti-darwinismo iniciado na Itália há pouco menos de vinte anos.

1. COMPARAÇÃO ENTRE OS PROGRAMAS ANTIGOS E NOVOS

Com a Circular nº 29 de 5 de fevereiro de 2004, a Ministra da Educação Letizia Moratti deu as necessárias diretrizes para que já no próximo ano letivo de 2004/2005 comecem a ser adotados os novos programas para as oito primeiras séries do ensino fundamental (cobrindo a faixa etária de 6 a 14 anos).

A reforma mantém a distinção entre as primeiras cinco séries e as três subseqüentes, porém agora vendo esses oito anos iniciais como um sistema único denominado “Primeiro Ciclo”, no qual os primeiros cinco anos receberam o novo nome de “Escola Primária” (ex “Escola Elementar”), enquanto os seguintes três anos receberam a nova denominação de “Escola Secundária de 1º Grau” (ex “Escola Média Inferior”).

Nos programas antigos, nas cinco primeiras séries não se falava explicitamente da Evolução, que era mencionada somente nas três últimas séries (“Escola Média Inferior”), em que, no programa de “Ciências Matemáticas, Químicas, Físicas e Naturais” era previso tratar da “Evolução da Terra” no tópico que abrangia a “Origem da Vida na Terra” Em outra parte era previsto tratar do tema “Estrutura, Funções e Evolução dos Seres Vivos” no tópico que abrangia a “Origem e Evolução Biológica e Cultural da Espécie Humana”, o que fazia vir à mente imediatamente os supostos ancestrais simiescos do Homem.

Nos novos programas não restam sequer traços de tudo isso, e o tópico das origens é abordado somente de passagem nos programas da segunda e terceira séries da “Escola Primária”, como introdução à abordagem posterior da História.

A formulação correspondente passou a ser a seguinte:

· A Terra antes do Homem e a experiência humana pré-histórica: o surgimento do Homem, os caçadores da época glacial, a revolução neolítica e a agricultura, o desenvolvimento do artesanato e das primeiras trocas comerciais.
· Passagem do Homem Pré-histórico ao Homem Histórico nas civilizações antigas.
· Mitos e lendas das origens.

É claro que estes tópicos poderão ainda ser tratados sob o prisma evolucionista, mas não de maneira obrigatória porque, por exemplo, fala-se de “Surgimento do Homem”, e não de “Evolução do Homem”.

O programa encerra-se então com o tópico “Mitos e Lendas das Origens”, que (embora não creiamos que o relato bíblico se enquadre nessa categoria) permite entretanto que se possa expor o conteúdo do livro de Gênesis.

A restrição, finalmente, do assunto das origens a um contexto pré-histórico e pré-científico, de qualquer modo contempla a tese criacionista que considera o Darwinismo (e de maneira mais geral o Evolucionismo) como uma fé não demonstrada, semelhantemente ao relato bíblico, que também não é passível de demonstração científica.


2. RETROSPECTO SOBRE A NOMEAÇÃO DA MINISTRA

Para alguns, a decisão da Ministra Moratti apresenta-se como “um relâmpago em céu sereno”, e de fato ninguém a esperava, embora existissem sinais que permitiriam prevê-la, e agora podemos enumerar alguns deles, relembrando que Moratti faz parte de um governo de centro-direita, é de orientação católica e é de Milão.

Certamente a Ministra Moratti não é “criacionista”, se por Criacionismo entendermos o movimento que se originou nos Estados Unidos, mas certamente é dela que partiu a contestação ao Evolucionismo e à sua formulação específica feita por Darwin. Nos Estados Unidos, o primeiro livro criacionista de grande sucesso data de 1961 (H. Morris, e John Whitcomb, “The Genesis Flood”) e um destaque do Criacionismo americano é o de ter conduzido suas argumentações críticas sobre bases racionais e científicas. É por isso que a sua influência pôde alcançar também pessoas que não têm idêntico perfil religioso. Este Criacionismo penetrou na Itália através de missionários evangélicos e encontrou eco sobretudo nessa esfera.

O Catolicismo, ao contrário, há tempos e repetidamente tem afirmado a aceitabilidade do Evolucionismo e do Darwinismo, porque não deu a eles uma interpretação que excluisse a intervenção de Deus. Apesar disso, dois cientistas italianos de formação católica, e de prestígio internacional (Sermonti e Zichichi) tomaram posição pública contra o Darwinismo (isto é, contra essa concepção específica do Evolucionismo), porém, como o Darwinismo e o Evolucionismo são percebidos como estreitamente ligados entre si, a sua crítica acabou atingindo também o Evolucionismo. Sermonti e Zichichi, porém, não são preconcebidamente contrários ao Evolucionismo, e certamente não propõem uma interpretação literal do livro de Gênesis.

Giuseppe Sermonti trabalha em Genética, e tornou-se célebre em 1980 quando, juntamente com o paleontólogo Roberto Fondi, publicou o livro “Depois de Darwin”. Sermonti colabora com a Academia Pontifícia de Ciências, e recentemente renovou sua oposição ao Darwinismo com a publicação de outro livro com o título inequívoco “Esquecer-se de Darwin”.

Antonino Zichichi é um dos maiores físicos vivos, e preside a Federação Mundial dos Cientistas (“World Federation of Scientists”). Em dois de seus livros mais recentes, sustenta que o Darwinismo não tem qualquer base científica (“Porque creio nAquele que fez o mundo”, 1999, e “Galileo, Homem Completo”, 2001). Creio que a sua tomada de posição bastante nítida sobre o assunto, e a estima que também goza na Itália, tenham sido determinantes na orientação tomada pela Ministra Moratti.

Entretanto, há ainda uma outra influência, especificamente milanesa, que não deve ser descurada. Ela tem a ver com a publicação do livro de Maurizio Blondet “O Passarossauro e Outros Animais”, em 2002. Blondet é um dos mais respeitados jornalistas do “L’Avvenire”, o jornal dos bispos italianos, que em seu livro não só defende o Criacionismo e os criacionistas, mas realmente mantém-se distante da posição oficial do Vaticano.

Este livro mostrou-se muito convincente para um jovem expoente da direita milanesa, Fabrizio Fratus, que se interessou pelo assunto, e manteve contato com os criacionistas italianos (particularmente com o “site” www.creazionismo.org, presidido por Romano Ricci), estimulando importantes setores da centro-direita milanesa até a organizar uma “semana antievolucionista” realizada em Milão em fevereiro de 2003.

Letizia Moratti destaca-se por ser uma administradora, não sendo por isso sujeita a fáceis entusiasmos, mas uma demonstração desse tipo, realizada em sua cidade, e organizada por expoentes políticos de suas próprias fileiras, inevitavelmente constituiu para ela mais um um elemento de reflexão.

Em conclusão, a decisão da Ministra italiana de dar um passo contra o Evolucionismo, por constituir um fato inesperado, enquadra-se principalmente na crise geral do Darwinismo, que em todo o mundo está sendo posto em discussão.

ADENDO

Após termos recebido em primeira mão do Prof. De Angelis a notícia veiculada acima, recebemos uma complementação enviada por ele dando ciência do desenvolvimento da reforma do ensino na Itália a partir das reações orquestradas contra a supressão da explicitação de Darwin nos currículos de ciências. Podemos ter uma pálida idéia da comoção que a reforma iniciada pela Ministra Moratti suscitou nos meios tradicionais, pela imensa onda que se levantou, comandada especialmente pelos meios de comunicação, como resumido a seguir a partir de notícias da imprensa italiana.

A notícia geral enviada pelo Prof. De Angelis tem o título “O Ensino de Darwin nos Primeiros Oito Anos Escolares”, e é de autoria de Mihael Giorgiev, redator-chefe do “site” www.creazionismo.org. Nela, o articulista faz menção inicialmente à composição de uma comissão de alto nível, pela Ministra da Educação, para se manifestar a respeito do ensino do evolucionismo nas escolas. A comissão é presidida por Rita Levi Montalcini, laureada com o Prêmio Nobel de Medicina, e tem mais três membros: Carlo Rubia, Prêmio Nobel de Física; Roberto Clombo, docente de Neurobiologia e Genética na Pontifícia Universidade Católica; e Vittorio Sgaramella, professor de Biologia Molecular na Universidade da Calábria.

A movimentação em torno da defesa do ensino do evolucionismo nas escolas partiu do jornal La Repubblica, que não só acionou grande número de expressivos nomes da ciência italiana (incluindo outro laureado com o Prêmio Nobel em Medicina, Renato Dulbecco), como também colheu em poucos dias mais de 47 mil assinaturas apelando a favor do ensino de Darwin nas escolas. Dados sobre essa manifestação podem ser assessados no “site” http://www.repubblica.it/2004/appelli/scuola2/index.html. Do apelo resume-se o seguinte:

“A exclusão do ensino da teoria da evolução para jovens de 13 a 14 anos representa uma limitação cultural e o desprezo pelo desenvolvimento da curiosidade científica e pela abertura mental. Por outro lado, é justo explicar que o Darwinismo e as teorias que dele derivaram apresentam lacunas e apresentam problemas insolúveis, mas não se pode passar por cima do elo que liga o passado ao presente de nossa espécie. Solicitamos, assim, ao Ministério da Educação, que reveja os programas da Escola Média para evitar um esquecimento danoso para a cultura científica das novas gerações.”

Paralelamente, o jornal La Repubblica apresenta a entrevista concedida por Renato Dulbecco à reporter Elena Dusi, da qual ressaltamos alguns trechos:

· Pode-se estudar Darwin nos Liceus e nas Universidades. Por que, então, conforme o Sr., é grave eliminá-lo dos programas do ensino médio?
“Porque os jovens que estão em fase de crescimento deveriam conquistar a abertura mental mais ampla possível. É muito triste que uma das hipóteses sobre o surgimento da vida na Terra simplesmente seja eliminada dos programas escolares. Ela pode ser criticada por quem não estiver de acordo: a teoria da evolução de Darwin e as idéias que dela derivaram formam um sistema que sem dúvida não é perfeito. Existem pontos obscuros sobre as fases intermediárias, não facilmente decifráveis. Entretanto, trata-se de limitações que superaremos provavelmente no futuro, à medida que ampliarmos nosso conhecimento.”
· É justo apresentar a teoria do Criacionismo aos jovens estudantes?
“Certamente. Nenhuma hipótese deve ser descartada a priori. Nem mesmo a hipótese Criacionista, a qual, porém, é completamente estranha aos critérios do pensamento científico. Para poder ter sua concepção própria, os jovens necessitam examinar todas as opções. Posteriormente será a vida que lhes fará decidir a adotar a racionalidade da teoria da evolução ou outro âmbito como o das hipóteses religiosas sobre a origem do mundo.”
· Podem existir hoje bons biólogos e bons médicos sem o estudo da teoria da evolução?
“... Certamente, pode-se aprender todos os elementos para o conhecimento do homem e dos outros seres viventes também sem estudar Darwin. Mas seria mais problemática a explicação de quais são as conexões entre as várias espécies...”

O periódico La Repubblica de 29 de abril anunciou em sua primeira página a “Evolução da Ministra”, com o título “Moratti muda de idéia sobre Darwin: será estudado na Escola Elementar”. Entretanto, para saber mais sobre a “Evolução da Ministra” (que já havia respondido ao apelo de La Repubblica em 24 de abril, convém consultar outro periódico também de 29 de abril – Il Giornale:

A discussão da teoria darwinista, fundamento da moderna ciência biológica, está assegurada na formação de todos os jovens dos 6 aos 18 anos, segundo critérios didáticos graduais.O objetivo primeiro da reforma é exatamente o de criar consciência livre, desenvolvendo o senso crítico dos alunos, desde os primeiros anos dos currículos escolares. Desejamos assegurar aos nossos jovens, sob a guia dos docentes, uma pluralidade de fontes e de opiniões, de maneira que, através do diálogo possam formar uma consciência crítica própria. Desejamos estimular todos os alunos na busca pelo conhecimento, desde os menores até os das escolas superiores, de modo que possam formar sua personalidade responsável baseada em princípios, valores, estilos de vida e comportamentos conscientes, fundados sobre o respeito aos outros, e abertos ao diálogo.

Neste ínterim, “evoluiu” não só a posição da Ministra, mas também a dos defensores de Darwin. Após a manifestação de Dulbecco, foi divulgada a opinião de Umberto Veronesi, segundo o qual “o Darwinismo é um hábito mental que deve ser adquirido o mais precocemente possível, porque entre os 13 e 14 anos os jovens estão desenvolvendo, ou já desenvolveram, um modo próprio de pensar e de viver”.

De fato, estamos de acordo com Veronese, de que o Darwinismo não é ciência, mas um hábito mental. E aí está todo o problema! Exatamente por isso, desejamos que nas aulas de ciências se ensine ciências a nossos filhos, dentro dos seus limites, da maneira como formulado no apelo dos cientistas. Entendemos que o papel da escola é o de preparar os jovens para a escolha crítica e para a consciência do hábito mental, e não o de impor-lhes o hábito escolhido pela cultura dominante.



CRIACIONISMO NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO RIO DE JANEIRO Topo

Como amplamente divulgado, e já sabido pela maior parte da população que acompanha as principais notícias veiculadas pelos meios de comunicação, neste primeiro semestre de 2004, as páginas dos principais periódicos nacionais – jornais e revistas – foram bastante usadas para destacar aspectos vários da celeuma levantada no Estado do Rio de Janeiro relativamente ao ensino do Criacionismo nas aulas de Educação Religiosa.

Essa questão foi levantada – a nosso ver, de maneira tendenciosa e equivocada – devido ao fato de a Governadora do Estado do Rio de Janeiro ter apenas feito cumprir as leis que regem a educação religiosa em nosso País e no Estado.

Nesse contexto, a Sociedade Criacionista Brasileira foi contactada por redatores de diversos órgãos da imprensa para expor sua opinião sobre a controvérsia entre o Criacionismo e o Evolucionismo.

Obviamente, o espaço disponível neste número da Revista Criacionista não seria suficiente para expor detalhes das perguntas que nos foram endereçadas e das respostas que demos por escrito, nem de toda a matéria publicada, com seus viéses e tendenciosidades. Entretanto, apenas para informar nossos leitores, selecionamos três das mais significativas declarações veiculadas pela imprensa, incluindo direta ou indiretamente algumas perguntas e as respectivas respostas dadas pela SCB – sem considerar toda a argumentação que encaminhamos por escrito – e as transcrevemos abaixo, tal como foram publicadas:

Jornal “O Globo” de 9 de maio de 2004:

Adeptos do criacionismo criaram, há 30 anos, no Brasil, a Sociedade Criacionista, que divulga o que considera evidências da veracidade da teoria. Descrente na evolução das espécies, Ruy Carlos de Camargo Vieira, presidente da sociedade, critica o ensino do evolucionismo nas escolas e considera a teoria darwinista ultrapassada. ”Os alunos aprendem, ou desaprendem, que a evolução das espécies é cientificamente comprovada. Isso é ensinado como verdade absoluta. Enquanto o criacionismo é sempre visto como algo mítico”, disse Ruy Carlos.

Revista “Época” de 24 de maio:

“Nosso objetivo é divulgar a idéia no País”, diz o presidente (da SCB), professor Ruy Vieira. Sem vínculo com nenhuma entidade religiosa específica, a organização traduz e edita livros sobre o tema para todas as faixas etárias. Tem livros até para alunos do ensino fundamental.

Jornal “O Estado de S. Paulo” de 30 de maio de 2004:

Para o vice-presidente da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), Rui Vieira, os colégios devem dar espaço ao criacionismo e ao evolucionismo “em igualdade de condições”. Ele diz que os professores devem oferecer bibliografia séria e científica para os alunos pesquisarem, para que eles escolham em quais delas devem acreditar.

De qualquer forma, não deixa de ser significativo que o Evolucionismo hoje se encontra cada vez mais na defensiva, à medida em que o Criacionismo toma vulto e recebe adeptos de reconhecida integridade científica.

Resta-nos, aqui, cumprimentar a Governadora Rosinha pela firmeza e coragem com que está conduzindo a questão em seu Estado.




CRIACIONISMO NA SBPC? Topo

Algo completamente inusitado ocorreu na publicação “Ciência Hoje” da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC – em seu nº 200, vol. 34,de dezembro de 2003!

Trata-se de um excelente artigo intitulado “Girafas, Mariposas e Anacronismos Didáticos”, de autoria de Isabel Rebelo Roque, que corajosamente enfrentou a realidade do silêncio cúmplice dos livros didáticos em nosso país quanto às calorosas polêmicas que têm ocorrido na mídia científica internacional relativamente a exemplos apresentados como comprovação da evolução das espécies – a explicação de Lamarck para o tamanho do pescoço das girafas (e seu contraponto darwinista), e o da seleção natural em mariposas dos bosques da Inglaterra durante a Revolução Industrial. Conforme explicitado na primeira página do artigo, “Tais exemplos permitem uma completa discussão que envolve interesses e responsabilidades da comunidade científica sobre o modo como divulgar, ou deixar de divulgar seus estudos e conclusões”.

A literatura criacionista, de longa data, tem desmascarado ambos os casos citados acima, deixando claro que para nada servem as explicações tendenciosas usualmente apresentadas nos livros textos como argumentos a favor da evolução das espécies. Não obstante, coube à autora do artigo despertar a atenção dos próprios círculos evolucionistas para a falácia desses exemplos, neste seu ótimo artigo. E ainda mais, a autora aponta para outros aspectos nefastos para o próprio desenvolvimento da ciência, decorrentes da perpetuação de mitos semelhantes a estes. São dela as palavras transcritas a seguir:

Quando falamos em atualizar as informações em materiais de divulgação científica, cursos e livros didáticos, falamos em pôr em evidência um problema maior: o da “cristalização” de conceitos, em ciência e em outros campos. Falamos, ainda, do problema crônico da não-ventilação das informações a que professores e autores de material didático têm acesso – ambos têm formação superior, mas em geral não são cientistas.

Falamos do risco de apresentar a ciência como instância sagrada e fechada, que permanece imutável, a salvo de reavaliações e, ao mesmo tempo (como revela a história das girafas), tão vulnerável a ponto de cair em “armadilhas”, pela perda da perspectiva histórica. Falamos, ainda, do comodismo de nos agarrarmos a modelos científicos que seriam excelentes, não fossem eles inconsistentes como modelos.

... A jornalista Judith Hooper lançou em 2002, na Inglaterra (e depois nos Estados Unidos), o livro “Of Moths and Men” [Sobre Mariposas e Homens]. A obra utiliza outro exemplo clássico de evolução para lançar luz sobre um tema antes restrito ao círculo dos que defendem as idéias criacionistas – mais modernamente os teóricos do “Design Inteligente”.

... Nos livros didáticos, esse exemplo costuma vir acompanhado da descrição de uma série de experimentos do biólogo Bernard Kettlewell, da Universidade de Oxford, na década de 1950. Muitas vezes os livros trazem fotografias que registram os experimentos (ou que reproduzem os registros originais), mostrando mariposas “Biston” claras e escuras em repouso sobre troncos de árvores. Os livros relatam que Kettlewell, nos experimentos, coletou mariposas com os dois padrões de cor e os liberou em ambientes controlados onde havia troncos também com diferentes colorações. Ao recapturar as sobreviventes, ele teria constatado o que já se esperava: o índice de sobrevivência era diretamente relacionado ao padrão de cor dos troncos.

Tudo estaria perfeito, não fossem, como no caso das girafas, alguns senões. O primeiro foi a descoberta de que os experimentos não transcorreram exatamente como foram descritos. Houve um “empurrãozinho”, pois as mariposas não estavam vivas: foram coladas aos troncos. O segundo é que o comportamento das mariposas Biston na natureza não se encaixa tão perfeitamente no modelo descrito. O terceiro é que a relação “predomínio de uma cor / grau de poluição do ar” não se manteve como o esperado.

O livro de Hooper não é o primeiro a “devassar” o caso Kettlewell. Há cinco anos, por exemplo, Michael Majerus fez o mesmo em “Melanism: Evolution in Action” (Melanismo: Evolução em Ação). Em resenha sobre esse livro, publicada na revista “Nature" (396, p. 35, 1998), Jerry Coyne, do Departamento de Ecologia e Evolução da Universidade de Chicago, compara a decepção diante da verdade sobre os experimentos de Kettlewell ao que sentiu quando criança ao saber que Papai Noel não existia.

Segundo Coyne, o livro de Majerus é o primeiro a reunir os pontos criticáveis no trabalho de Kettlewell. O mais grave é que as mariposas Biston, em condições naturais, provavelmente não repousam sobre troncos – em mais de 40 anos de estudos sobre os seus hábitos, apenas duas foram vistas fazendo isso. O local preferido continua um mistério, mas acredita-se que seja o alto das copas das árvores. Só isso, afirma Coyne, invalidaria os experimentos, já que colocar as mariposas sobre os troncos as tornaria altamente visívies, o que aumentaria artificialmente a predação. Além disso, Kettlewell expôs as mariposas durante o dia, quando em geral elas escolhem locais de repouso à noite.

Mas outro fator compromete a história: na verdade, o novo aumento na proporção da variedade clara ocorreu bem antes da recolonização dos troncos pelos líquens (que supostamente favoreceriam a camuflagem das mariposas claras). E mais: o aumento e depois a redução de mariposas escuras também ocorreram em áreas industriais dos Estados Unidos, onde, porém, não houve alteração na incidência de líquens – é o que relativiza bastante o papel destes na história toda.

O artigo conclui então com o tópico “E agora: descartar ou não o exemplo?”, do qual transcrevemos o seguinte trecho:

Majerus, em seu livro, admite as inúmeras falhas do modelo, mas ainda assim o considera didaticamente útil. Jerry Coyne, entretanto, pondera que esse não é o melhor exemplo a ser usado em sala de aula, devido a seus pontos fracos. Essa posição fez de Coyne, à sua revelia, uma “arma” dos criacionistas contra a teoria da evolução. Ele sugere como mais apropriado o trabalho mais recente dos ecólogos Peter e Rosemary Grant sobre a evolução do bico dos tentilhões das ilhas Galápagos – tema de um livro de leitura fácil e agradável, já traduzido para o português: “O bico do tentilhão: uma história da evolução no nosso tempo” (Rocco, 1995), do jornalista Jonathan Weiner.

O debate sobre usar ou não o exemplo das mariposas para fins didáticos está longe de uma solução fácil. O biólogo evolucionista David Rudge, da Universidade Western Michigan, escreveu que manter a história no espaço escolar teria inúmeras vantagens. Enquanto Coyne diz que suas contradições inviabilizam o uso pedagógico. Rudge acredita que ela constitui excelente veículo para apresentar a estudantes o conceito de seleção natural. Para ele, expor as discrepâncias envolvidas no assunto permitiria mostrar a natureza da ciência como um processo.

Novamente trata-se de uma questão delicada, na qual estão em jogo aspectos como corporativismo da comunidade científica, necessidade de controle, manipulação, de um lado, e desinformação, de outro. Como no exemplo da girafa – perfeito, didático, mas falso –, recorrer às mariposas de Manchester é tentador: permite trabalhar de modo simples, conceitos complexos como evolução e seleção natural. Mas insistir neles é falsear informações e, de quebra, passar a alunos e professores uma idéia dogmática e nem um pouco ética da ciência. A ciência não tem de ser ensinada como a arte do “jeitinho”, mas como um campo do conhecimento sujeito a falhas, aperfeiçoamentos e inesperadas complexidades diante do que parecia simples e “didático”.


Parabéns à autora pela coragem de enfrentar as “vacas sagradas” do evolucionismo!


É interessante observar que, no número seguinte da revista “Ciência Hoje” foram apresentadas duas cartas de leitores sobre o assunto versado no artigo sobre “Girafas, Mariposas e Anacronismos Didáticos”.

· Uma das cartas tentou se contrapor à crítica feita aos anacronismos didáticos, mencionando que um livro em português abriu um “box” discutindo a história das mariposas, e outro “box” discutindo a vantagem seletiva do pescoço da girafa. Na mesma carta foram feitas menções a cientistas que trabalharam sobre o tema das mariposas, que estariam defendendo o indefensável... Neste caso, a própria redação da revista incumbiu-se de se contrapor a essa manifestação, deixando claro que ambos os exemplos continuam sendo polêmicos, e citando afirmações de Stephen J. Gould e outros cientistas de peso convergentes com o ponto de vista esposado pela autora do artigo em questão.

· A segunda carta foi de autoria de Enézio E. de Almeida Filho, do Núcleo de Design Inteligente, autor de um dos artigos que constam neste número da Revista Criacionista, no qual o mesmo assunto foi tratado. Achamos bastante útil transcrever esta carta, para conhecimento de nossos leitores.


“O tema abordado por Isabel Rebelo Roque em “Girafas, mariposas e anacronismos didáticos” na edição 200 presta um serviço para a urgentíssima correção e atualização de nossos livros didáticos nos ensinos fundamental, médio e superior. Em 1980, Stephen Jay Gould teve a ousadia de declarar (...) que o ‘neodarwinismo’ era uma ‘teoria efetivamente morta’ mas que persistia como ‘ortodoxia’ nos livros-textos de biologia.

Por essa postura ética e científica, foi e é desancado até hoje por muitos luminares como [Richard] Dawkins. Quando cursava o mestrado em história da ciência na PUC-SP em 1998, pretendia abordar na minha dissertação cinco ‘anacronismos’ encontrados nos melhores livros didáticos de autores brasileiros e quais os interesses ‘velados’ da comunidade científica pela omissão da divulgação dos estudos e conclusões que contrariam o atual paradigma. Durante a elaboração da pesquisa, notifiquei os autores sobre a existência dessas distorções e até sobre o uso de duas fraudes: os embriões de Haeckel e a seleção natural em mariposas Biston betularia. A maioria dos autores não estava atualizada [quanto a isso] e os poucos que sabiam, mais por razões ideológicas do que científicas, preferiram varrer aquelas anomalias para debaixo do tapete epistemológico.

Falseando as informações, com ou sem conhecimento de causa, passa aos professores e alunos não só uma idéia dogmática mas não ética de ciência: a manutenção de evidências distorcidas para apoiar uma teoria que há muito tempo deveria ter sido reestruturada ou descartada.

Se a ciência é um processo de conhecimento que sempre se corrige, por que os nossos melhores livros didáticos ainda veiculam essas fraudes [uma secular – os embriões de Haeckel] e ‘anacronismos’? Qual é o motivo que impede a veiculação democrática e atualizada desses conhecimentos? Em ciência não devemos seguir as evidências onde quer que elas vão dar? Com a palavra a Semtec/MEC, que já foi notificada documentalmente por este autor a respeito dessa grave e inusitada situação.”


Dentro deste contexto, vale ressaltar que a Sociedade Criacionista Brasileira publicou a tradução do livro “Evolução – Um Livro-texto Crítico”, premiado na Alemanha e no Brasil, que constitui uma excelente contribuição para a apresentação equilibrada de temas como os que foram tratados na revista “Ciência Hoje” que envolvem a controvérsia entre o Criacionismo e o Evolucionismo.



A UNESP E O CRIACIONISMO Topo

(Súmula de reportagem de Wendel Lima)


Nos dias 28 a 30 de maio deste ano, aproximadamente 150 pessoas participaram de um mini-curso promovido pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, no Instituto de Geociências do campus de Rio Claro.

O evento teve o objetivo de contrastar o modelo geológico evolucionista com o criacionista. Tanto quanto se saiba, é a primeira vez que é proporcionada uma oportunidade como esta para serem debatidas no ambiente universitário as duas teses que se opõem. Conforme destacado na reportagem de Wendel Lima, “É essa uma abertura fantástica”, segundo a afirmação do Professor Doutor Nahor Neves de Souza Júnior.

A programação do evento foi a seguinte:

28-05-04 – 20:00hs – “A Origem dos Asteróides – Um Marco na História do Sistema Solar” – Dr. Nahor Neves de Souza Hr. (UNASP)
29-05-04 – 8:00hs – “Fenômenos Geológicos Globais” – Dr. Nahor Neves de Souza Jr. (UNASP)
10:30hs – “Estratificação Espontânea e a Origem dos Ritmitos” – Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira (SCB)
14:00hs – “Fósseis e o Tempo Geológico” – Dr. Reinaldo José Bertini (UNESP)
15:00hs – “Isótopos e o Tempo Geológico” – Dr. Peter Christian Hackspacher (UNESP)
30-05-04 – 8:00hs – Excursão para Piracicaba e Itu (visita a estruturas geológicas)


Após a excursão a sítios de interesse geológico, quando foram apontadas evidências a favor das duas teorias em confronto, houve manifestações dos participantes – alunos e professores – de que o evento foi bastante positivo.

Alguns depoimentos foram registrados por Wendel Lima. “Não existe apenas um ponto de vista para entender o mundo”, comentou Natália Sobreira, do 4º ano de Geologia da UNESP. Alguns evolucionistas declararam que o encontro mudou a visão que possuiam do Criacionismo. Bruno Leonel, do 3º ano de Geologia da UNESP, ao falar sobre a teoria criacionista afirmou que “muitos preconceitos que eu tinha foram quebrados Os argumentos foram plausíveis e consistentes”.

A Sociedade Criacionista Brasileira congratula-se com os organizadores do evento pela sua abertura e manifestação de verdadeiro espírito científico, conforme demonstrado durante todas as etapas do encontro.



MARCELO GLEISER E OS TABUS Topo

Reproduzimos abaixo a interessante entrevista concedida pelo conhecido físico brasileiro Marcelo Gleiser a Maurício Tuffani, disponibilizada no “site” da revista Galileu, com o título de “Abaixo os Tabus”.

O subtítulo da entrevista é bastante significativo, e deixa transparecer a focalização dada pelo entrevistado, com a qual sem dúvida concordamos plenamente: “O físico brasileiro Marcelo Gleiser afirma que o dogmatismo científico é tão inflexível quanto o da religião”. Na realidade, sob certos aspectos, em função desse próprio dogmatismo, a ciência acaba se revestindo de muitas das características que são inerentes à maior parte das religiões, como por exemplo a intolerância.

A entrevista é introduzida pelo texto seguinte:

A rigidez da maior parte dos cientistas para lidar com assuntos desconhecidos é um dos alvos da crítica do físico brasileiro Marcelo Gleiser, professor de uma das mais conceituadas faculdades norte-americanas, o Dartmouth College, no pequeno Estado de New Hampshire. Seu último livro “O Fim da Terra e do Céu”, lançado no ano passado, foi o vencedor do Prêmio Jabuti 2002 e acaba de ser publicado nos Estados Unidos com o título “The Prophet and the Astronomer” e já vem despertando repercussões entre os críticos. Nesta entrevista realizada em São Paulo, Gleiser, que é autor do “best seller” “A Dança do Universo”, que lhe valeu também o Prêmio Jabuti 1998, falou também sobre outros temas polêmicos, como o criacionismo, e o crescimento da mentalidade extremista apocalíptica.

E então seguem as perguntas e as respostas da reportagem:

Galileu – Seu livro “O Fim da Terra e do Céu” foi escrito antes dos ataques terroristas de 2001. Mas esses acontecimentos têm sido abordados em suas palestras sobre a obra. Por que?

Marcelo Gleiser – Eu tenho puxado bastante para esse lado, principalmente nos Estados Unidos, pois nesse livro eu falo muito sobre as seitas apocalípticas, o extremismo religioso e como as pessoas podem matar ou se matar pela fé. Para muitos extremistas, o martírio faz parte da salvação, da redenção final. Muitas pessoas continuam a pensar desse jeito.

Galileu – Apesar desse enfoque, seu livro segue a linha de seus trabalhos anteriores que é a da divulgação científica. O que você acha que a divulgação científica pode trazer para esta virada de século influenciada pelo espírito apocalíptico?

Gleiser – Eu sempre digo, inclusive nesse livro, que a ciência não promete a salvação eterna. Ela pode, através da reflexão sobre o conhecimento da natureza, dar às pessoas condições para uma emancipação individual, ou uma liberdade pessoal. Ela oferece uma capacidade de emancipação racional, uma capacidade de cada pessoa decidir sobre a sua vida. Com ela, não é preciso depender da fé para alguém escolher qual vai ser o seu destino. E a fé, muitas vezes, só pode oferecer uma alternativa dogmática, como a recompensa em outra vida, muitas vezes por um ato.

Galileu – Por outro lado, esse dogmatismo existe também no meio científico, onde muitas vezes não se reconhecem limitações da própria ciência, e isso acaba fortalecendo os argumentos contrários ...

Gleiser – Concordo plenamente. Tenho feito uma verdadeira cruzada junto a colegas cientistas, principalmente nos Estados Unidos, que seguem uma linha quase reacionária, que é a do dogmatismo científico. Não se fala em espiritualidade. É um assunto proibido, um tabu. Para eles, a sociedade não deveria dar espaço para qualquer coisa que tenha a ver com emoções ou com o que não esteja relacionado aos processos da descoberta científica. Essa é a linha de Carl Sagan e de Lawrence Krauss, o autor do livro “A Física de Jornada nas Estrelas”. Essa atitude tem efeito extremamente negativo com as pessoas religiosas, tratando-as de uma forma tão inflexível quanto o dogmatismo que se pretende combater. Tive uma discussão com Krauss sobre os criacionistas – que pretendem combater o ensino da teoria da evolução nas escolas – em que ele disse que nem aceita debater com eles para não lhes dar legitimidade. E eu repondi que isso é errado, pois é justamente a falta desse diálogo que vai dar oportunidade aos criacionistas para convencer cada vez mais pessoas.

Galileu – Por falar em criacionismo, essa dputrina tem sido revigorada até mesmo nos meios acadêmicos pela teoria do “Intelligent Design”, ou Planejamento Inteligente, que, sem recorrer aos textos bíblicos, tenta comprovar que a origrm e a evolução do Universo e dos seres vivos foram guiadas por um ser superior. O que o sr. acha dessa teoria?

Gleiser – Essa é a teoria dos criacionistas mais sofisticados. Eles dizem que a natureza funciona de uma forma muito precisa, harmoniosa demais, para que seja fruto de um mero acaso e, portanto, tudo só pode ter surgido com um “design”, ou melhor, um planejamento inteligente. Tem vários problemas nessa visão. Um deles é que o ser humano é fruto de um longo processo evolutivo que o dotou de um córtex cerebral capaz de perceber semelhanças, simetrias e padrões. Essa capacidade tornou o homem apto a sobreviver em um ambiente hostil. Somos especialmente preparados para reconhecer padrões e somos recompensados por nossa química cerebral – e isso vale também para o reconhecimento da beleza. A explicação criacionista inverte a ordem das coisas. Nossa inteligência consiste em reconhecer padrões na natureza e construir a ciência sobre esses padrões, podendo escapar muitos aspectos que não percebemos – o que significa também que a ciência não detém a verdade sobre tudo.

Galileu – Voltando ao tema do extremismo havia pessoas com conhecimento tecnológico de nível superior entre os terroristas que participaram dos atentados do ano passado, mas esse conhecimento não os impediu de cometer uma ação suicida. Por que essa mentalidade não diminuiu nos últimos anos com o crescimento da divulgação científica?

Gleiser – Esse conhecimento nada pode fazer com a cegueira causada pela fé extremista. Ele não passa de um meio, e acaba servindo para cumprir missões fanáticas em busca da redenção final.


Vários aspectos desta entrevista merecem ser considerados, exatamente no contexto da divulgação científica, dos extremismos (de maneira geral), e das posições filosóficas relativas à questão das origens. Assim, permitimo-nos abordar rapidamente alguns desses aspectos, para melhor elucidar nossos leitores sobre o que de fato está envolvido na questão das origens.

Primeiramente, é de se louvar a atitude do entrevistado quando alerta quanto à incoerência do dogmatismo científico, e quando verbera a atitude preconceituosa de cientistas e divulgadores da ciência que não permitem abertura de espaço para idéias contrárias ao do “establishment” científico.

Entretanto, pode-se observar que, lamentavelmente, o entrevistado mostra completa falta de lógica em seu raciocínio circular (tautologia, ou círculo vicioso) quando, ao falar sobre o “Intelligent Design”, aponta um dentre vários problemas que a seu ver existem nessa visão”. De fato, seu raciocínio parte da premissa de que “o ser humano é fruto de um longo processo evolutivo”, aceitando, portanto, preliminarmente a própria tese que deseja comprovar mediante a crítica à posição contrária. E, ainda mais, declara que a “explicação criacionista inverte a ordem das coisas”, assumindo portanto de forma incoerente (e dogmática) a posição de que a evolução é um fato inquestionável, sem atentar para a argumentação científica apresentada pelos criacionistas a favor exatamente de uma outra ordem das coisas. Incoerente, sim, porque embora critique o dogmatismo científico, essas suas declarações enquadram-se claramente no quadro geral do dogmatismo científico vigente!

A questão da fé constitui outro ponto a ser ressaltado na entrevista. A declaração de que “com ela (a ciência) não é preciso depender da fé ...“ ignora que a própria ciência baseia-se em numerosíssimos atos de fé – fé em que a própria natureza tem um comportamento que obedece certas leis que são passíveis da investigação científica, fé em hipóteses que são feitas para construir teorias que venham depois a ser testadas, fé na veracidade daquilo que estamos observando com nossos sentidos, fé na estrutura conceitual que adotamos para o delineamento e a condução de nossos experimentos, fé nos paradigmas ou postulados que aceitamos previamente como base para o desenvolvimento de nossas pesquisas da natureza, etc.

O próprio entrevistado demonstra fé em que sua posição é mais consentânea do que a de Carl Sagan ou Lawrence Krauss, embora por outro lado não demonstre fé na posição de numerosos outros cientistas, como por exemplo Michael Behe e Antonino Zichichi.

A nosso ver, a declaração que melhor se ajusta aos princípios básicos propugnados pelo entrevistado, de forma coerente, sem dúvida é a de que “Nossa inteligência consiste em reconhecer padrões na natureza e construir a ciência sobre esses padrões, podendo escapar muitos aspectos que não percebemos – o que significa também que a ciência não detém a verdade sobre tudo” Só temos a lamentar que não é essa a posição assumida hoje pelos defensores do evolucionismo!




BIG BANG AMEAÇADO? Topo


A revista Scientific American – Brasil nº 25, ano 3, de junho de 2004, trouxe um interessante artigo com o título “O Enigma sobre o Início do Tempo”, de autoria de Gabriele Veneziano, físico teórico do CERN – Centro Europeu de Pesquisas Nucleares. É interessante notar como paradigmas estabelecidos no seio do “establishment” científico aparentemente bastante solidamente podem ser ameaçados seriamente com o avanço dos conhecimentos. Fatos como este apenas fortalecem a posição de Thomas Kuhn apresentada em seu famoso livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, relativamente ao declínio e queda de paradigmas científicos (diríamos com mais propriedade: paradigmas filosóficos sobre os quais repousa a estrutura da ciência) e confirmam que a construção do conhecimento científico é um processo contínuo em busca da verdade. O que hoje é considerado “certeza científica” amanhã poderá ser considerado inteiramente ultrapassado, como aconteceu com o flogístico, o calórico, o éter, etc.

Transcrevemos, a seguir, alguns trechos do referido artigo, para que nossos leitores possam sentir o que realmente está em jogo atualmente nessa área do conhecimento humano.

Será que o tempo realmente começou com o Big Bang? Ou será que o Universo já existia antes dele? Uma pergunta como essa era quase uma blasfêmia há apenas uma década. Muitos cosmólogos insistiam que ela simplesmente não fazia sentido – que observar um tempo anterior ao Big Bang era como pedir informaçoes sobre um lugar ao norte do pólo norte. Mas os desenvolvimentos da física teórica, particularmente a ascenção da teoria das cordas, mudaram essa perspectiva. O Universo pré-Big Bang tornou-se a última fronteira da cosmologia.

... Os gregos antigos discutiam calorosamente a origem do tempo. Aristóteles, partidário do tempo sem início (eterno), invocava o princípio de que do nada, nada vem. Se o Universo não poderia nunca ter passado do não ser para o ser, deveria ter existido sempre. Por essa e outras razões, o tempo deve se expandir eternamente pelo passado e pelo futuro.

Os teólogos cristãos costumavam adotar ponto de vista contrário. Santo Agostinho defendia a existência de Deus fora do espaço e do tempo, capaz de dar vida a esses construtos da mesma forma como podia forjar outros aspectos de nosso mundo. Quando lhe perguntaram “O que Deus estava fazendo antes de criar o Universo?”, Santo Agostinho respondeu: “Como o próprio tempo faz parte da criação de Deus, simplesmente não existia antes”.

Essas duas concepções extremas relativas à existência do Universo no decorrer do tempo acabaram tendo sua contrapartida nos tempos modernos nas diferentes teorias, formuladas com grande grau de sofisticação, utilizando ferramentas matemáticas complexas, que em síntese ou admitem um início pontual para o Universo, simultaneamente em termos de espaço e de tempo – o Big Bang – ou então admitem a possibilidade de existência de um “pré-Universo”, do qual se tenha originado, de alguma maneira, o atual Universo que podemos observar.

O artigo em questão aprofunda-se em considerações específicas sobre os dois diferentes modelos, apresentando ilustrações interessantes visando explicar os respectivos pontos de vista distintos. De tudo que é apresentado conclui-se, certamente, que o paradigma do Big Bang encontra-se de fato seriamente ameaçado em resultado das propriedades matemáticas derivadas da teoria das cordas quânticas aplicada à cosmologia.

Talvez a ilustração mais impressionante da diferença entre as duas concepções que se defrontam seja a que reproduzimos neste apanhado, com as respectivas legendas originais publicadas no artigo. Em linguagem mais simples e objetiva, dentro do panorama geral da controvérsia entre evolução e criação, verifica-se, a partir dessas ilustrações, que a nova teoria põe por terra a “árvore evolutiva das galáxias” que supunha a sua origem a partir de um ponto no qual se concentrariam toda a matéria e toda a energia primordiais.

A situação de um Universo originado pelo Big Bang é similar, mutatis mutandis, à complexidade da “explosão cambriana” originada a partir da fauna e flora pré-cambrianas – como explicar por evolução ambos os processos? As evidências realmente favorecem não uma “árvore”, mas um conjunto de troncos paralelos correspondentes a tipos pré-determinados existentes desde o início de uma criação especial.




II SEMINÁRIO SOBRE A FILOSOFIA DAS ORIGENS Topo

Apresentamos a seguir para nossos leitores algumas informações sobre as atividades que serão desenvolvidas no II Seminário sobre a Filosofia das Origens, a ser realizado no Rio de Janeiro, nos dias 10, 11 e 12 de setembro.

Este Seminário – da mesma forma que o I Seminário realizado há dois anos tendo como local o Auditório da UNIVERCIDADE do Rio de Janeiro – constitui um evento organizado pela Sociedade Criacionista Brasileira em parceria com a Igreja Adventista do Botafogo, com apoio de várias outras entidades.

No I Seminário, além da cessão gratuita do Auditório da UNIVERCIDADE, houve a colaboração logística e financeira da Igreja Adventista do Botafogo, e colaboração específica do Hospital Silvestre e da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A participação conjunta dessas entidades com a Sociedade Criacionista Brasileira permitiu alcançar grande sucesso especialmente no sentido de divulgar a mensagem criacionista a um publico de nível universitário que demonstrou grande interesse pelo assunto.
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Como no Seminário anterior, a programação abre espaço específico para a divulgação tanto das publicações da Sociedade Criacionista Brasileira como da Casa Publicadora Brasileira e de outras editoras, visando pôr à disposição dos participantes o excelente material que hoje existe sobre a controvérsia entre o Criacionismo e o Evolucionismo. Esperamos que, dado o perfil presumível dos possíveis participantes, a divulgação atinja indiretamente também instituições de ensino particularmente localizadas no Estado do Rio de Janeiro, numa oportunidade ímpar em que se debate nos círculos educacionais do Estado o ensino do Criacionismo nas aulas de Educação Religiosa.

Será também uma ótima oportunidade para a divulgação dos programas de televisão produzidos pelo SISAC/ADSAT em parceria com a Sociedade Criacionista Brasileira – especialmente o “De Olho nas Origens” – devendo para isso ser organizado um “stand” com material promocional, com vídeos e informações sobre como adquiri-los.

Desejamos destacar que a realização destes dois Seminários sobre “A Filosofia das Origens” tem precipuamente o objetivo de tentar divulgar a mensagem criacionista para pessoas de um nível educacional – eivado de conotações evolucionistas, materialistas e ateístas – que, em princípio, de outra maneira teria dificuldade de ter sua mente despertada para o cuidadoso planejamento e providência observados na complexidade da natureza, desde uma “simples” célula até à interação dos nichos ecológicos.

O Seminário pretende também referir-se à obliteração da imagem de um Deus de amor, efetuada através de conceitos errôneos supostamente apoiados no conhecimento científico. Para isso, pretende incluir na sua abordagem aspectos pesquisados modernamente pela ciência que comprovam o “planejamento inteligente”, levando à conclusão de que tudo será restaurado devidamente, para cumprir os propósitos originais do Criador.