| PLANEJAMENTO INTELIGENTE ![]() Ariel A. Roth O movimento que defende o planejamento inteligente do Universo pode ser uma evidência de que a ciência está finalmente buscando a Deus.
Laplace, já então famoso, decidiu presentear o imperador Napoleão com um dos seus livros. Sabendo de antemão que o livro não fazia qualquer menção a Deus, o imperador perguntou a Laplace por que ele nem sequer mencionava o Criador do Universo. Laplace respondeu laconicamente: “Eu não vi necessidade alguma dessa hipótese em particular”. Esse fato de que Laplace não precisou de Deus em sua teoria reflete a atitude dominante no pensamento científico durante a maior parte dos dois últimos séculos. Na época em que Laplace estava expondo seus pontos de vista, o teólogo e filósofo William Paley argumentava que Deus era necessário para explicar a complexidade da natureza. Sua ilustração, agora muito comum, era a seguinte: se alguém encontrasse um relógio no chão, concluiria que devia haver um planejador daquele relógio; ele não teria surgido por acaso. Da mesma forma, outras coisas complexas como os seres vivos devem ter tido um planejador. Acontece que um relógio é muito simples quando comparado com os sistemas biológicos. Será que os organismos complexos realmente têm um planejador? Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, classificou o argumento de Paley como “extremamente errado”. Ele salienta que a evolução darwiniana assumiu o papel de um planejador. Apesar disso, o argumento de Paley está novamente sendo considerado
com seriedade nos círculos intelectuais. Muitos cientistas não
estão satisfeitos com a idéia de que a complexidade que
vemos ao nosso redor é simplesmente acidental. Ao contrário,
têm concluído que existe uma inteligência dominante
por trás do Universo. O que a “Coluna Geológica” diz sobre a verdade da Criação Por que e como foram extintos aqueles terríveis dinossauros? Muitas idéias têm sido propostas. Certo artigo científico faz uma lista de 40 possíveis razões, abrangendo desde sua falta de inteligência até alterações no valor da constante gravitacional. (1) Considerações mais recentes sugerem a possibilidade de um imenso asteróide, contendo o elemento químico Irídio, ter atingido a Terra, causando uma gigantesca catástrofe que destruiu os dinossauros e muitas outras formas de vida. Esta emocionante idéia é especialmente divulgada pelos meios de comunicação e pelos geofísicos, embora grupos significativos de outros cientistas – especialmente paleontologistas, que estudam os fósseis - pensem que outros fatores, como o calor ou os vulcões, tenham causado a extinção dos dinossauros. (2) Cientistas que crêem na Bíblia como a Palavra de Deus interpretam a história da vida na Terra de forma diferente, vendo no dilúvio universal descrito no Livro de Gênesis (capítulos 6 a 8) o terrível acontecimento que teria destruído os dinossauros e ocasionado a formação das principais camadas sedimentares fossilíferas da crosta terrestre. Esta maneira de ver, atualmente, não é aceita nos círculos científicos, embora o tivesse sido bastante no passado. A variedade de idéias sobre a extinção dos dinossauros nos alerta para sermos cautelosos na interpretação de um passado que não podemos observar hoje. (3)
Ciência ou Bíblia – qual das duas exprime a verdade? As diferenças entre o modelo evolutivo científico e o modelo criacionista bíblico são gritantes e dificilmente poderiam ser maiores. E isto não apenas sobre a extinção dos dinossauros. O modelo evolutivo propõe que a vida tenha se originado por si mesma há bilhões de anos, e então evoluído em direção a formas cada vez mais avançadas, até culminar na formação dos seres humanos. O modelo criacionista, como exposto na Bíblia, propõe que Deus criou formas básicas de vida, incluindo o ser humano, há alguns milênios. Devido à pecaminosidade da humanidade, a criação original foi destruída pelo dilúvio universal. A interpretação da disposição dos fósseis naquilo que denominamos de coluna geológica tem muito a revelar sobre cada um desses dois modelos. (4) E, mais importante ainda, esses modelos podem afetar profundamente nossa visão de mundo. Estamos aqui somente como resultado de um processo evolutivo prolongado, mecanicista, sem desígnio, ou fomos criados à imagem de Deus, com propósito, responsabilidade e esperança de futura vida eterna, como indicado na Bíblia? Muitos têm-se debatido com estas questões, e muitos ainda continuam a se debater.
A coluna geológica completa não é algo que possa ser encontrado nas camadas de rocha que formam a crosta da Terra. Ela é mais parecida com um mapa – uma representação da ordem geral das camadas sedimentares na superfície da Terra. As camadas inferiores, que deveriam ter sido depositadas primeiro, situam-se na base da coluna, e as mais recentes situam-se no topo da coluna, como as encontramos na natureza. Ao olharmos para locais que sofreram erosão intensa, como o Grand Canyon, nos Estados Unidos (Figura 1), estamos vendo uma parte significativa da coluna geológica representada por camadas que naquele local são excepcionalmente espessas. Pode-se também considerar a coluna geológica como um corte feito em um bolo de várias camadas. No corte, as várias camadas apresentam-se na ordem em que foram dispostas no bolo. De maneira semelhante, se cortássemos uma fatia vertical das encostas do Grand Canyon, teríamos a coluna geológica local formada pelas diversas camadas sedimentares. Como é usual no estudo da natureza, o quadro real é complicado. Freqüentemente, em muitos locais inexistem algumas das camadas da coluna geológica que existem em outros locais. Em lugar algum se encontra uma coluna geológica completa, e somente em poucos lugares estão bem representadas as principais divisões da coluna geológica completa. A coluna geológica completa é algo ideal que representa todas as camadas sedimentares da crosta da Terra na sua ordem “esperada”. Esta coluna geológica completa foi sendo construída pacientemente à medida em que paleontologistas comparavam entre si as seqüências de fósseis das colunas geológicas locais. Observa-se que algumas espécies de fósseis, como os trilobitas (semelhantes a caranguejos), situavam-se abaixo dos dinossauros, e estes abaixo dos elefantes. Uma amostra de alguns organismos característicos encontrados nas principais partes da coluna geológica completa está ilustrada na Figura 2. A coluna apresenta uma impressionante diferença entre sua parte inferior correspondente ao Pré-Cambriano – onde os fósseis são muito raros, e essencialmente de tamanho microscópico – e a parte superior correspondente ao Fanerozóico – onde os fósseis são comparativamente abundantes e representam grande variedade de organismos de porte bem maior. Muito poucos tipos de organismos maiores, e muito singulares (Fauna Ediacara) são encontrados imediatamente abaixo do Fanerozóico.
Ao olharmos para o Grand Canyon (Figura 1), não nos alertamos
para o fato de que ali inexistem importantes partes da coluna geológica
completa. Embora o período Cambriano esteja representado (camadas
logo acima da seta à esquerda na Figura 1), os períodos
Ordoviciano e Siluriano estão ausentes. Além do mais, as
eras Mesozóica e Cenozóica (Ver a Figura 2 para a terminologia)
também não estão presentes, pois consistem de camadas
que estariam acima da encosta do Canyon. Como a coluna geológica
completa é montada a partir de seqüências existentes
em diferentes locais, e como partes dela freqüentemente não
estão presentes no mesmo local, que confiança podemos depositar
na precisão de sua montagem? E existem, ainda, alguns locais em
que partes normalmente na base da coluna geológica completa encontram-se
acima das partes do seu topo. Explica-se que estas são áreas
de perturbação nas quais as camadas inferiores foram carreadas
para cima de camadas mais recentes. A despeito dessas debilidades, na
maioria das regiões do mundo a coluna geológica geralmente
encontra-se na ordem “correta”, e notavelmente confiável. Da mesma forma, o processo de deposição de sedimentos em suspensão dentro de uma massa fluida pode tanto ser considerado como um processo “estático” (quando ocorre com a massa fluida em repouso), como um processo “dinâmico” (quando ocorre com a massa fluida em escoamento). Evidentemente, neste caso, o processo “estático” será um caso particular do processo “dinâmico” mais geral. A Estratigrafia, ramo da Geologia que estuda a ordem e a posição relativa das rochas sedimentares que ocorrem na crosta terrestre, basicamente iniciou-se com Nicolau Steno, que no século XVII, com seu trabalho “Prodromus”, lançou a noção fundamental da superposição dos estratos rochosos. Desta noção resultou o Princípio da Superposição, até hoje aceito na Estratigrafia como fundamental para a interpretação dos relacionamentos existentes entre as seqüências sucessivas das camadas de rochas sedimentares. Este Princípio da Superposição basicamente estabelece que, em uma seqüência de estratos, as camadas superiores foram depositadas anteriormente às camadas inferiores. Foi este Princípio que proporcionou um critério para a possibilidade de determinação das idades relativas das camadas rochosas sucessivas. Robert Hooke, contemporâneo de Steno, foi quem propôs que os fósseis encontrados nos depósitos sedimentares poderiam ser utilizados para estabelecer uma cronologia para as correspondentes camadas rochosas, idéia essa secundada por William Smith praticamente cem anos depois, embora demorasse ainda mais um século para que essa idéia viesse a ser adotada amplamente, já à luz da teoria da evolução proposta por Charles Darwin. Não deveria ter passado despercebido pelos pesquisadores mais argutos que ficava assim estabelecido o círculo vicioso da datação geológica – os “fósseis índices” ditando as idades geológicas das rochas, de conformidade com um suposto processo evolutivo, e as rochas, por sua vez, caracterizando a evolução dos “fósseis índices”. Em busca da determinação das idades das formações rochosas sedimentares, e com a aceitação do “Atualismo” – isto é, do “Princípio do Uniformismo”, ou seja, que o presente descreve o passado – passaram a ser atribuídos longos intervalos de tempo para a deposição dos sedimentos que estivesem em suspensão em massas de água, supostamente em repouso, estabelecendo-se assim a chamada “Coluna Geológica” com suas camadas dispostas em uma seqüência cronológica padrão. Acontece, porém, que as evidências não favorecem a suposição de que a maioria das camadas sedimentares tenham sido formadas por deposição de sedimentos que estivessem em suspensão em massas de água em repouso, em condições “estáticas”. Pelo contrário, não só dados de campo, como também dados experimentais obtidos em laboratório mediante experimentos cuidadosamente elaborados, apontam para a possibilidade de formação rápida dos estratos rochosos sob condições “dinâmicas” decorrentes de escoamentos de água carregando sedimentos em suspensão. Surge assim, modernamente, um questionamento de peso ao Princípio da Superposição – tal como formulado há cerca de 300 anos – como explicação válida para a formação de todos os estratos rochosos encontrados na crosta terrestre! Para melhor esclarecer esta linha de argumentação, os Editores julgaram apropriado apresentar a seguir a narração das experiências procedidas pelo sedimentologista francês Guy Berthault, que constam de um excelente vídeo produzido por Sarong Jersey, e que já se encontra dublado em português, podendo ser disponibilizado aos interessados no “site” da Sociedade Criacionista Brasileira. Guy Berthault é formado pela École Polytechnique de Paris, e é membro da Sociedade Geológica e da Associação dos Sedimentologistas da França. Seus trabalhos experimentais originais foram publicados pela Academia de Ciências Francesa e pela Revista da Sociedade Geológica da França. NARRAÇÃO DO FILME “EXPERIMENTOS DE ESTRATIFICAÇÃO” Guy Berthault (Video-teipe com 35 minutos de duração) Sempre fiquei curioso com as longas eras da Geologia Histórica, com seus milhões de anos, e interessei-me em saber até que ponto isso estaria correto, e se era algo que tinha sido testado experimentalmente. Foi por essa razão que há alguns anos retomei meus estudos sobre o assunto, focalizando particularmente a aplicação dos Princípios da Estratificação para a obtenção da cronologia relativa da superposição dos estratos. Iniciei, na década de 1970, a leitura dos relatórios da Geological Society of America sobre as campanhas de perfuração do leito oceânico feitas pelo navio “Glomar Challenger”. Foi a partir desses relatórios que fiquei conhecendo os trabalhos do geólogo alemão Johannes Walther, um dos principais fundadores da Sedimentologia. Antes de continuar, vejamos o significado de alguns dos termos envolvidos: Durante dois séculos, desde que a Estratigrafia foi fundada, sem comprovação experimental, os estratos superpostos um sobre o outro, e numa escala maior, as fácies superpostas, foram considerados como camadas sucessivas de sedimentos depositados isocronicamente. Isso quer dizer que a camada inferior foi formada primeiro, a que se sobrepõe a ela foi formada em seguida, e assim por diante. Os Princípios da Estratigrafia derivaram da aceitação dessa crença de que os estratos nas fácies são camadas sucessivas. O termo “Princípio”, como usado na Estratigrafia, é definido no “Oxford Dictionary” como “uma lei geral e inclusiva exemplificada em numerosos casos”. Foi em 1669, que Nicolau Steno, naturalista dinamarquês que viveu na Toscana, definiu os Princípios da Estratigrafia, em seu livro “Pródromos”. Esses Princípios incluíram o Princípio da Superposição, pelo qual, numa seqüência de estratos, qualquer estrato é mais recente do que a seqüência de estratos sobre os quais ele fica, e mais velho que os estratos que ficam acima dele. Na época em que qualquer estrato estava sendo formado, toda a matéria existente acima dele era fluida, e portanto, nessa época não existiam estratos acima dele (Steno, 1669). O Princípio da Horizontalidade Inicial declara que os estratos são depositados horizontalmente, e então deformados em várias atitudes. Estratos hoje perpendiculares ou inclinados relativamente ao horizonte, inicialmente eram paralelos ao horizonte (Steno, 1669). O Princípio da Continuidade dos Estratos afirma que se pode supor que os estratos no passado continuavam lateralmente para bem além de onde hoje eles terminam. Todos os estratos foram formados por acréscimos contínuos de depósitos sobre a superfície da Terra, a menos que outros corpos sólidos interferissem na sua formação (Steno, 1669). Estes três Princípios da Estratigrafia forneceram a base sobre a qual os geólogos estabeleceram a “Coluna Geológica” no final do Século XVIII e início do XIX. Eles supuseram que os sedimentos foram depositados horizontalmente em todo o mundo, e que a taxa de deposição foi a mesma em todos os locais, para cada camada. Além disso, desde os dias dos geólogos James Hutton e Charles Lyell, foi suposto que as taxas de erosão e de sedimentação no passado eram as mesmas observadas hoje. Conseqüentemente, a idade de um estrato era calculada a partir das atuais taxas de deposição de sedimentos, e também da profundidade do estrato na hipotética coluna das rochas sedimentares. Hipotética, sim, porque todos os estágios que supostamente constituem a coluna, nunca foram encontrados juntos em qualquer formação geológica. O método usado para a datação de rochas sedimentares desde o Período Cambriano até hoje baseou-se, portanto, no Princípio da Superposição. Aplicando-se o Princípio da Continuidade, a mesma idade poderia ser atribuída às demais rochas pertencentes às formações que supostamente pertenceriam à mesma fácies, seja na América do Sul, na África do Sul, ou na Austrália. Posteriormente, o conteúdo fóssil das formações sedimentares, em diferentes locais, passou a ser usado para mostrar correspondência de idades entre os fósseis de um local e os de outro local. Isso deu origem ao Quarto Princípio da Estratigrafia – o Princípio
da Identidade Paleontológica. Esse Princípio afirma que
dois estratos com o mesmo conteúdo paleontológico apresentam
a mesma idade. Isso significa que, se os fósseis de uma determinada
camada, ou de uma fácies, são iguais em camadas correspondentes,
então elas podem ser consideradas como sendo da mesma idade. Identidade e diálogo Segundo alguns, o diálogo consiste em temperar as próprias convicções, de maneira a ir ao encontro das convicções dos outros. Em resultado de ir ao encontro de todos, entretanto, acaba-se por diminuir a propria identidade, o que porém não impede de dialogar também com quem não fosse semelhante quer doutrinariamente quer em comportamento. Jesus nasceu e viveu como hebreu, praticamente, mas dialogou e estabeleceu relacionamentos com uma grande variedade de pessoas muito diferentes dele: com uma mulher pagã, com os desprezados samaritanos, com um centurião romano, e com outros hebreus, independentemente de serem praticantes (fariseus, prostitutas e pecadores diversos). Simpatizou-se e fez amizade com eles, mas sem alterar seu próprio modo de ser e sem fazer concessões particulares. A mulher pagã teve de reconhecer a sua inferioridade com relação aos que pertenciam ao povo eleito (Mateus 15:21-28); à mulher samaritana, lembrou que a salvação não vinha deles, como cria, mas “dos judeus” (João 4:22); o leproso samaritano foi curado enquanto se dirigia não aos seus sacerdotes, mas aos dos hebreus (Lucas 17:11-19); o centurião romano teve de confessar que sua casa era indigna de receber Jesus, por ser impura conforme as normas hebraicas (Lucas 7:1-10); os pecadores diversos sentiam que Jesus estava próximo deles no plano humano, mas no plano moral eram eles que deviam mover-se em direção a Jesus e mudar de vida (Mateus 9:9-13, Lucas 7:36-50). Atenuar as próprias convicções freqüentemente não facilita o diálogo, mas sim o torna pouco interessante. Pode-se, ao contrário, manifestar abertamente o que se crê, sem provocar restrições: ao se prestar atenção ao modo pelo qual nos exprimimos, ao termos uma atitude de escuta às objeções e ao levá-las em conta; ao não procurarmos impor nossas convicções próprias, mas nos limitarmos a esclarecer nosso ponto de vista; ao admitirmos os nossos pontos fracos e reconhecermos os pontos fortes do interlocutor. Tendo esta atitude, poder-se-á constatar que não é difícil ter escuta e diálogo até por parte de quem se encontra no extremo oposto. Forte identidade e amplo diálogo é portanto a atitude que é preferível ao se defrontar com um assunto não muito fácil.
É necessário que o leitor seja paciente e disposto a prestar atenção não superficial, tanto pela dificuldade do assunto tratado em si, como também pelo estilo sintético aqui adotado, e pela variedade das argumentações trazidas a campo (históricas, culturais, bíblicas, científicas). Precisaria também estar um pouco familiarizado com as várias questões, pois de outra maneira será inevitável que alguma coisa possa não ser compreendida plenamente. Em compensação, as argumentações trazidas são, às mais das vezes, originais, e podem de algum modo oferecer idéias úteis para um aprofundamento pessoal. Não se exclui fazer-se no futuro uma versão mais facilmente compreensível, mas agora se desejou apresentar “a jato” (isto é, em poucas horas) estes pensamentos, sobre os quais o autor já estava refletindo há alguns anos. Darwin como “moeda falsa” Um exemplo. O governo dos Estados Unidos combate os dólares falsos, e considera “piores” aqueles que mais se parecem com os dólares verdadeiros. Todo dólar falso, de algum modo, tem em si muito do dólar verdadeiro, e se alguém passa a odiar tudo que existe em um dólar falso, arrisca-se a rejeitar também os dólares verdadeiros. Aplicação. Darwin havia terminado os estudos para pastor protestante e pertencia a uma classe social (burguesia) e à nação (Grã Bretanha) que haviam sido fortemente influenciadas pela Bíblia. Darwin não se colocou abertamente contra a sociedade à qual pertencia, e foi homenageado pelo ingleses tanto antes como depois de haver publicado a sua principal obra evolucionista (A Origem das Espécies, 1859). Ele procurou inserir a sua novidade no meio dos pressupostos da sociedade na qual vivia, e somente poucos se aperceberam (por exemplo, o bispo Wilberforce) que ele tinha substituído a verdade bíblica por algo que, por assemelhar-se a ela, a destruía. Assim, para combater a “moeda verdadeira” (a Bíblia), Darwin escolheu substituí-la por algo o mais possível semelhante, mas de valor inteiramente diferente. O evolucionismo afirma oficialmente que os seus mecanismos atuam ainda hoje, mas lentamente, e mediante um modo não ainda claro, para originar a formação das várias espécies (de fato), em um tempo remoto e fora de nosso controle. Uma expressão do tipo “há milhões de anos, de um modo que não compreendemos inteiramente” posta habitualmente no início dos discursos evolucionistas, permite assim inserir de antemão aquilo que se deseja demonstrar. O crente na Bíblia é criticado porque coloca a questão das origens fora de sua possibilidade de indagação, entretanto o evolucionista é de fato constrangido a refugiar-se em remoto tempo “mágico”, que vai além de sua capacidade de compreender. Não se elimina o mistério substituindo o desconhecido pelos símios (mesmo utilizando uma linguagem que parece científica): semelhança com o criacionismo e ambigüidade são duas características do evolucionismo que encontraremos sempre. O darwinismo, sobre estas bases, apresenta-se então como uma “moeda falsa”, e por isso deve ser combatido, mas sem se repudiar o que nele existe de verdade. Quem na realidade combater todos os aspectos do darwinismo, acaba por desacreditar certas características da própria Bíblia (como será visto melhor mais adiante). É o habitual problema das “heresias”, as quais exageram algumas verdades, ou as corrompem, ou as colocam em um contexto diverso do bíblico, mas conservam em si mesmas sempre muitas coisas corretas que devem ser salvaguardadas (e sempre certas “heresias” se desenvolvem porque o ambiente no qual nascem exagerou a parte oposta, e por este motivo representam em geral um sinal de alerta). Darwin como “moeda falsa”, Darwin como herético, são estes os pontos de vista sob os quais pretendemos examiná-lo, desagradando um pouco a todos: 1) Aos evolucionistas, os quais não renegam a Darwin mesmo quando
não partilham de algo proveniente dele; Ser contra todos, porém, paradoxalmente pode significar não ser contra ninguém de maneira particular, e isso poderia favorecer uma escuta não setorial das argumentações expostas. REALIDADE SIM, ATUALISMO NÃO Realidade, sim Quem crê na Bíblia não fecha os olhos diante da realidade. A Bíblia não é um livro de divagações fantasiosas sobre um mundo imaginário, mas é essencialmente um relato de coisas realmente acontecidas. Deus é inicialmente apresentado como o bom Criador de tudo, e depois do pecado de Adão se manifesta também como um sereno Juiz que condena o transgressor, mas com a finalidade de reeducá-lo. Toda a realidade que circunda tudo isso, por essa razão, também nos seus aspectos desagradáveis, revela algo sobre Deus, e esconder isso (ou, pior, negar isso) no fundo é uma rejeição do próprio Deus. Após a queda de Adão, a violência e o homicídio entraram no mundo, o qual se tornou cada vez mais corrompido, até ao ponto de rejeitar e crucificar Jesus Cristo. Jesus não se ilude sobre como será a condição humana depois dEle, e até o fim deste mundo: “Porquanto nação se levantará contra nação e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares” ... “E este evangelho do reino será pregado por todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim” (Mateus 24:7, 14). A Bíblia afasta o otimismo fácil e não pensa que esta humanidade corrompida possa realizar a paz antes da volta de Jesus. A violência e a guerra, por isso, fazem parte deste mundo, como também a morte: devemos trabalhar para nos contrapormos a elas, embora sabendo que serão totalmente eliminadas somente quando Deus instaurar plenamente o Seu reino. Jesus deixou Pilatos permanecer no poder, pois as autoridades políticas (mais ou menos daquele tipo) continuarão a governar enquanto não se acabe de construir os fundamentos do “novo mundo”, fundamentos representados pela formação de grupos de crentes em Jesus de todas as línguas, povos e tribos (Apocalipse 7:9). Nenhum Reino de Deus é real e plenamente possível antes da volta do Rei Jesus a esta Terra. Darwin sabia destas coisas, e quando disse que este mundo é regido pela “luta pela existência” e pela “seleção natural”, isto é, pelo conflito mesmo entre os membros de uma mesma espécie, disse algo óbvio (embora o exagerasse). Mas se Darwin exagerou por um lado, outros podem exagerar pelo lado oposto. Alguns, por exemplo, tanto entre os religiosos quando entre os ateus, pensam que a guerra, a fome e todas as outras calamidades poderiam ser imediatamente eliminadas mediante a boa vontade humana, antes da volta de Cristo, e também sem uma clara conversão do mundo (conversão a Cristo, não a um deus ecumênico que, de tão vago, cabe bem em todas as religiões do mundo). Existem, ainda, aqueles que insistem em definir como “natureza incontaminada” aquela onde o homem ainda não pôs os pés, mas onde, entretanto, as várias espécies mantêm-se em equilíbrio através de uma desapiedada luta recíproca, esquecendo o fato de que a própria degradação foi produzida pelo primeiro pecado de Adão, após o qual, creio eu, Deus teria tido que “remodelar” a natureza, fazendo-a de tal modo que também refletisse a perversão humana De fato, após a queda do homem, a sua dieta muda: não mais só sementes e frutos, mas também a erva originalmente destinada aos animais (Gênesis 1:29-30, 3:18), enquanto a indicação explícita para comer carne encontramos somente depois do Dilúvio (Gênesis 9:3-4). E quando, no término deste tempo, Deus atuar de novo sobre a criação, fará de maneira que o leão voltará a comer palha, e que a víbora não mais seja perigosa (Isaías 11:7-8). Se é somente Ele que pode fazer isto, então significa que foi Deus mesmo que desejou que a natureza refletisse a perversidade do homem, tornando-se isso um sinal da intolerância de Deus contra o pecado, com a intenção de produzir no homem o arrependimento. A Terra é um dom de Deus ao homem (Gênesis 1:28, Salmo 115:16) e quanto mais o homem se perverte, mais aquilo que está em sua posse se torna pervertido (Gênesis 3:17-18, Romanos 8:20). A presa da víbora, por exemplo, com seu mecanismo perfeito para injetar veneno mortal na vítima, tem muito a dizer sobre nós mesmos, sobre a natureza e sobre Deus: Darwin se concentra muito sobre isto, e nós, criacionistas, devemos prestar atenção para não descuidar destes aspectos inquietantes. A criação que deveríamos exaltar é aquela que existiu no fim dos primeiros seis dias (e que será restaurada no fim dos tempos): daquele mundo perfeito e harmonioso existem traços muito amplos e claros, porém mesclados também aos efeitos do pecado do homem. Concluindo, aquilo que uma postura neo-pagã tende a chamar de “natureza incontaminada”, pelo contrário, segundo a Palavra de Deus, é uma natureza que “geme e está em trabalho de parto”, esperando ser libertada da “escravidão da corrupção”, quando também o homem será libertado dela (Romanos 8:19-23). Atualismo, não O que, porém, está na base do pensamento de Darwin não é sobretudo a “seleção natural” produzida pela “luta pela sobrevivência”. O fundamento do seu trabalho, na realidade, é o “atualismo” (ou “uniformismo”, tomado do geólogo escocês Lyell), isto é, tomar a realidade de hoje e aplicá-la explicitamente a todo o passado (estendendo-a assim implicitamente também ao futuro). Havíamos visto que, quando Darwin descreve o mundo de hoje, não o distorce muito, mas quando disse que o mundo sempre foi assim, nega a “descontinuidade” da criação; e quando deixa entender que será sempre assim, nega a volta de Cristo e a “descontinuidade” do advento de Seu Reino. Darwin observa este mundo e, não sendo crente, não vê nele nenhuma obra sobrenatural (é por isso que esta postura pode também ser definida como “naturalismo”). Embora não explicitamente, de fato ele torna supérflua a presença de um Deus extremo e superior à criação. Nega, assim, a essência do relato bíblico, que mostra continuamente não só quando e como Deus já interveio no mundo, mas também quando e como pode intervir hoje, e quando e como intervirá no futuro. O atualismo é um conceito basilar de Darwin, bem conhecido de
quem se interessa por ele não superficialmente; porém sempre
acaba sendo posto em segundo plano, no máximo sendo citado como
pressuposto e depois esquecido. O darwinismo, assim, torna-se uma espécie
de “cavalo de Tróia”, porque faz concentrar a atenção
sobre um conceito substancialmente partilhado (a presença da “seleção
natural”), sem que, freqüentemente, se dê conta ao mesmo tempo
do verdadeiro objeto da controvérsia, representado pelo pressuposto
do atualismo, cuja aceitação substitui o Deus bíblico
por uma vaga “Entidade” que pôs o mundo em movimento para depois
não mais se interessar por ele. Uma “Entidade” que qualquer pessoa
pode também continuar a chamar de Deus, mas que é exatamente
o oposto do Deus bíblico, o qual, para levar ao máximo a
Sua atuação no mundo, finalmente, chegou a encarnar-se (em
Cristo)! (MASSACRES E CATÁSTROFES) O que vem a seguir é a história dos reis dos primeiros Britões, como apresentada tanto por Geoffrey of Monmouth como pelas Crônicas Galesas. Trata-se de uma história registrada que ficou no esquecimento após o massacre dos monges britões em Bangor no ano 604 A.D., por instigação de Agostinho, tendo assim ficado inteiramente desconhecida ou ignorada pelos cronistas saxões e normandos da Inglaterra. Conseqüentemente, entre os eruditos ingleses dos sécúlos XVI e XVII, acabou sendo suposto, de maneira geral e inquestionável, que jamais tivessem existido tais registros, e que a obra de Geoffrey of Monmouth ou a Crônica Galesa eram falsificações e contos de fada. Essa opinião persiste ainda hoje. Vimos, entretanto, no capítulo anterior, como esses registros gozam de grande dose de vindicação histórica, a despeito da sua rejeição pelo mordernismo da moda. Eis aqui, porém, a história simples e sem adornos que as próprias crônicas contam, uma história que nenhuma criança terá aprendido em seus bancos escolares em qualquer escola desta Terra. Ela se estende ao longo de 2.000 anos, e sua sobrevivência até hoje, menos do que um milagre, é um tributo àqueles eruditos galeses de antanho que reconheceram sua importância e a preservaram integralmente para nossa leitura. Dentre os antigos registros que os próprios Britões nos legaram, está preservada (pelo menos por Nennius) a lista dos primeiros reis britânicos, contados, geração a geração, desde Jafé, filho de Noé. Porém, a história dos Britões como uma nação à parte teve seu início com a queda de Tróia, e é neste ponto que Geoffrey of Monmouth e as Crônicas Galesas iniciam a história. Anchises (Anquises), que conhecemos de outras histórias, fugiu
das ruínas do incêndio de Tróia, com seu filho Enéias,
seguindo em direção à terra que hoje chamamos de
Itália, assentando-se com seus companheiros nas margens do rio
Tibre, em torno do local que posteriormente se tornou Roma. A população
nativa era regida por Latinus (Latino), que recebeu Enéias e os
seus com bondade e hospitalidade. Em retribuição, Enéias
derrotou o inimigo de Latinus – Turnus, rei dos Rútulos. Enéias
casou-se com Lavínia, filha de Latinus, e dessa união nasceu
Enéias Sílvio, que posteriormente chegou a reinar sobre
todas as tribos da Itália. Foi, porém, através da
linhagem de seu irmão Ascanius (Ascânio) que a linhagem real
se perpetuou, com o nascimento de Sílvio, filho de Ascanius. Sílvio
seduziu uma sobrinha (cujo nome é desconhecido) de Lavínia,
esposa de seu avô, e de sua união nasceu Brutus. A mãe
de Brutus morreu ao dar-lhe à luz. Ao chegar aos seus quinze anos,
Brutus acidentalmente matou seu pai com uma flecha, enquanto caçavam.
Por ter ocasionado a morte de seu pai e sua mãe, Brutus foi exilado
da Itália, e a linhagem real de Enéias passou às
mãos de outrem. E neste ponto inicia-se a história dos Britões
como uma nação à parte. Por mais que se tente passar a idéia de que os cientistas são imparciais e tomam decisões baseados apenas nos fatos, essa definitivamente não é a realidade. O físico norte-americano Thomas Kuhn publicou, em 1962, um livro que demonstra convincentemente o peso que os modelos teóricos e os paradigmas científicos têm sobre a comunidade científica. Em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, Kuhn mostra como são criados esses paradigmas, como eles sobrevivem – mesmo com o surgimento de evidências contrárias – e como são substituídos. Segundo Kuhn, a mudança paradigmática ocorre principalmente porque as comunidades científicas também mudam, à medida que morrem seus integrantes. Por isso, é possível gastar toda a vida defendendo uma idéia sem que ela necessariamente seja a correta. Um bom exemplo é o do britânico Joseph John Thomson (1856-1940), que propôs a existência de um tipo de partícula, o elétron, girando em torno do núcleo atômico. Vários cientistas ridicularizaram a idéia, que contrariava uma crença de quase 2.500 anos: a de que o átomo seria indivisível. O russo Dmitri Mendeleyev (1834-1907), criador da tabela periódica dos elementos, chegou a escrever uma sátira contra Thomson. Controvérsias científicas existem também em nossos dias, mas infelizmente a mídia passa a idéia de consenso absoluto. É o caso da teoria da evolução biológica. Muitos cientistas criacionistas e não-criacionistas têm levantado dúvidas complicadas para o modelo da evolução, e mesmo assim ele permanece aparentemente inabalável. Um desses pesquisadores é Michael Behe, bioquímico e professor na Universidade Lehigh, na Pensilvânia. Ele é autor do controvertido livro A Caixa-preta de Darwin, criticado e elogiado por muitos cientistas. A coragem de Behe, que não é criacionista, se mostra quando ele admite que o edifício evolucionista tem sérios defeitos estruturais, e diz que, “apesar da imagem popular, os cientistas são pessoas normais, com seus próprios preconceitos. Se alguém pretende desafiar uma crença profundamente defendida, pode esperar resistência”. “Emoções humanas” Mas Behe não é o único a desafiar a trincheira evolucionista, elucidando a verdadeira natureza da ciência. Recentemente têm sido publicados muitos livros analisando o assunto e a forma como a mídia tem contribuído para mistificar a ciência, atribuindo-lhe uma aura de infalibilidade. Em Grandes Debates da Ciência (Editora Unesp), Hal Hellman afirma que, “ao contrário dos erros tecnológicos, erros em ciência raramente são notícia. Em conseqüência, o público poucas vezes toma conhecimento dos caminhos equivocados pelos quais os cientistas muitas vezes enveredam. Mesmo no caso em que se divulga uma idéia científica incorreta, ninguém sabe que ela é incorreta; e quando se chega à idéia correta, ela é apresentada como uma nova descoberta, e a velha idéia é simplesmente esquecida. Até em revistas científicas, relatos de resultados negativos raramente chegam a ser impressos, a despeito do fato de que possam ser muito úteis para os que trabalham na área”. Hellman lembra ainda que freqüentemente “o processo de descoberta científica está carregado de emoção”. Ao apresentar uma nova idéia, “é provável que um cientista esteja pisando nas teorias de outros”, e os que "sustentam uma idéia mais antiga podem não a abandonar de bom grado”. “É comum que alguma questão sutil, ou não tão sutil, ligada a crenças e valores, esteja subjacente ao debate”, avalia. Hellman comenta que “os cientistas são suscetíveis de emoções humanas”, “são influenciados pelo orgulho, cobiça, beligerância, ciúme e ambição, assim como por sentimentos religiosos e nacionais”; "eles estão sujeitos às mesmas frustrações, cegueiras e emoções triviais que o resto de nós”; “são, na verdade, completamente humanos”. O professor Del Ratzsch, especializado em filosofia da ciência,
em seu livro The Battle of Beginnings (sem tradução para
o português), também faz algumas reflexões sobre o
assunto. Ele afirma que as teorias “não podem ser geradas por meios
puramente lógicos ou puramente mecânicos a partir de dados
empíricos”, mas são “resultado de criatividade e invenção”.
“As teorias não podem ser provadas de maneira conclusiva nem deixar
de ser comprovadas exclusivamente com base em dados empíricos.
Na verdade, os cientistas freqüentemente continuam a defender firmemente
certas teorias mesmo diante de clara evidência contrária.”
Ele completa: “A estrutura e natureza de teorias específicas, os
conceitos que elas empregam, sua avaliação e o critério
que determina sua aceitabilidade ou inaceitabilidade e sua aceitação
ou rejeição estão todos ligados não só
aos dados mas também aos princípios modeladores que alguém
aceita. E esses princípios modeladores também não
surgem só de dados empíricos.” Transcrevemos, a seguir, a notícia publicada pelo periódico paulista “A Folha de S. Paulo” em 28 de julho de 1996, com o título em epígrafe, a propósito do falecimento de Thomas S. Kuhn, que poderá ser útil para nossos leitores, no contexto da violência ou catástrofe epistemológica. Quando, no final do mês de junho, li sobre a morte de Thomas Kuhn, autor de “A Estrutura das Revoluções Científicas”, meu cérebro mergulhou no passado, nos fabulosos anos 60, cientificamente e politicamente revolucionários, durante os quais nasceram várias das nossas convicções – que hoje renascem, depois de terem sido sufocadas nos horríveis anos 80. Acredito, porém, que somente o meu cérebro voltou ao passado! Nos jornais europeus e americanos que li, a imagem da “Revolução Kuhniana” seguia um esquema hermenêutico próprio dos anos 80, em vez de tratar da violência epistemológica e prática descoberta por Kuhn. É sabido, o tema central do seu livro é o conceito de paradigma, ou seja, a idéia de que cada disciplina científica resolve os próprios problemas dentro de uma estrutura pré-estabelecida por pressupostos metodológicos, convenções linguísticas e experimentos exemplares. Em seu desenvolvimento, a “ciência normal” assim constituída se choca com situações de crise, ou seja, confronta-se com a impossibilidade de resolver um número sempre maior de problemas na base do paradigma vigente. Dos déficits e das turbulências da crise deve portanto nascer um “novo” paradigma. Ele possui as características da inovação radical, porque não somente se amolda aos problemas que estavam na base da crise e permite resolvê-los, mas produz “ex novo” a estrutura do paradigma, devolve-o para a ciência como potência constituinte. O exemplo fundamental (de Kuhn) é a passagem da astronomia (ou cosmologia) ptomomaica à astronomia (ou cosmologia) galileana. Mas são muitos os exemplo históricos que ele desenvolveu tanto na sua obra principal como nas laterais. A consciência do tempo e da historicidade era assim mostrada como intrínseca ao progresso do saber científico e à vida dos homens, era concebido como motor da consciência (e da forma da consciência) que eles constróem. É claro que essa hipótese kuhniana se desenvolve contra os conceitos positivistas da ciência que dominavam o saber ocidental, assim como contra os conceitos dialéticos da ciência do mundo socialista: wm ambos o saber científico era visto como um processo linear de descoberta de verdades objetivas e de construção progressiva da sociedade em torno dessa verdade. Nesse sentido, a função crítica e destrutiva do livro de Kuhn é fundamental. Quando recebemos seu livro, estávamos sofrendo da monstruosa alternativa entre ditaduras, guerras e destruições ideológicas do espírito, que tanto um como outro sistema “normalmente” propunham e que ambos justificavam “do ponto de vista da ciência”. De outro lado, Kuhn nos convidava a nos colocarmos na mesma situação dos fundadores da ciência copernicana: aquela absurda situação de impotência que sofríamos (pacificamente interiorizada pela “ciência normal”) cessaria; ao contrário, era possível destruir a gaiola do pensamento e da ação que os diversos positivismos e cientificismos nos impunham. Kuhn, um Che Guevara da ciência! Nesse espírito, não só aceitamos a hipótese kuhniana, mas alguns de nós a levaram adiante, rumo a um anarquismo radical da concepção da ciência e dos modos de vida – como sugeria Feyerabend, aluno de Kuhn. Todavia a hipótese de Kuhn não era apenas uma forma destrutiva do horizonte pseudo-científico da legislação reacionária do saber e do poder. Era também construtiva. Mostrava a natureza criativa da potência constituinte, da passagem de um paradigma para outro. Outras pesquisas, desenvolvidas no mesmo período ou em seguida, como as de Prigogine ou de Thom, nos mostravam a eficácia do evento ou da ação subjetiva na construção da ciência. Nas ciências sociais, E. P. Thompson e M. Tronti acabavam com qualquer determinismo histórico ao mostrar como realmente haviamsido construídas as motivações do agir e das massas. O foco de atenção se transferia então (da relação entre “velho” paradigma e crise) para a análise da relação entre a crise e o “novo” paradigma. Não era esta a realidade em que vivíamos? Não se tratava de submeter a nossa atividade de pesquisadores e de militantes à experimentação de um novo paradigma? Diante da crise do capitalismo e do socialismo real, qual novo paradigma de “libertação” podia ser construído? Grande parte da experiência teórica dos anos 60-70 nas ciências sociais e nas práticas da transformação foi vivida dentro da vontade de construir um novo paradigma do comunismo: hoje podemos atribuir o mérito a Kuhn – por nos ter ensinado a função constituinte do paradigma. Fomos derrotados. Mas o novo paradigma não é, ainda hoje, a única chave do conhecimento e a única perspectiva de renovação crítica? Kuhn nos diz: o paradigma, assim que nasce, é fechado dentro de uma nova “ciência normal”. Aqui se mede a insuficiência de seus ensinamentos e certamente se encaixam os necrológios pós-modernos e reacionários dos quais falávamos no começo. Para esses últimos, são importantes duas coisas: a primeira é relativizar a verdade científica; a segunda é que o saber científico, além de relativizado, seja normalizado e normativo. Nós sabemos que, no que diz respeito a Kuhn, a primeira afirmação não é correta: se o saber se transforma, se os paradigmas são historicamente simbolizados, não necessariamente são falsos. A ciência copernicana “não é menos, mas mais” verdadeira do que a ciência ptolomaica. A relatividade do saber não é uma desvalorização da verdade, mas uma qualificação de sua potência. Quanto à segunda afirmação (ser a “ciência
normal” resultado estável da transformação do paradigma),
essa poderia ser legitimada por Kuhn. Mas somente quando ele esquece parte
daquilo que ensinou: que a potência da ciência consiste na
constante modificação de seu paradigma na expressão
da sua força constituinte e – “last, but not least” – no fato de
que os homens são capazes de se reapropriar do paradigma e de transformá-lo
em arma de revolução permanente. No saber e na vida. O ensino médio tem entre suas finalidades habilitar o educando a ser capaz de continuar aprendendo, a ter autonomia intelectual e pensamento crítico (LDB 9.394/96, Art. 35, I, III). Os PCNEM (Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio), nas suas Diretrizes Curriculares Nacionais (Competências e Habilidades das Ciências Naturais) afirma que o currículo deve permitir ao educando “compreender as ciências como construções humanas, entendendo que elas se desenvolvem por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas...” e que “a ciência não tem respostas definitivas para tudo, sendo uma de suas características a possibilidade de ser questionada e de se transformar”. (PCNs, p. 116, 2119). Recente publicação do MEC, “Ensino Médio: Construção Política - Síntese das Salas Temáticas” (2003), na seção sobre o livro didático, destacou que “alguns livros didáticos apresentam reducionismo grosseiros e transposições simplificadas da realidade, o que compromete o aprendizado do aluno” e que “há muitos livros de má qualidade em que o conhecimento é apresentado de forma fragmentada, incluindo muitas vezes conceitos errados ou distorcidos” (p. 42). O artigo “Girafas, mariposas e anacronismos didáticos”, de Isabel Rebelo Roque, publicado na revista Ciência Hoje, vol. 34, # 200, p. 64-67, de dezembro de 2003, abordou parcialmente esta inusitada situação. (Ver neste número da Revista Criacionista a notícia “Criacionismo na SBPC?” – Nota dos Editores) Muito antes, no pequeno artigo “O convite de Darwin” publicado na revista Galileu, seção Idéias, Agosto de 2003, p. 42, [http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0.6993,ECT578940-1726,00.html] demonstrei que a situação é muito mais grave do que tão-somente esses dois anacronismos levantados por Rebelo Roque. Naquele pequeno artigo critiquei en passant o tratamento dado à teoria da evolução de Darwin em livros-textos de biologia atualmente utilizados no ensino médio brasileiro, tendo em vista a habilitação do educando em aprender, ter autonomia intelectual e pensamento crítico e da compreensão do significado da ciência preconizados naqueles documentos legais. (Ver também neste número da Revista Criacionista a transcrição do referido artigo, em seqüência a este artigo – Nota dos Editores) Aquele pequeno artigo demonstrou que livros-textos repentinamente falham em satisfazer estes requisitos da LDB e do PCN. Como regra geral, os livros-textos cobrem a evidência científica a favor da teoria darwinista sem nenhuma crítica, sem sequer identificar suas fraquezas científicas discutidas em atualizada literatura científica por abalizados especialistas. No processo, os livros-textos também deturpam a evidência científica publicada e ensinam uma série de erros factuais e duas fraudes. Note que no tópico “Currículo” do documento “Ensino Médio: Construção Política - Síntese das Salas Temáticas”, p. 38, o MEC destacou que “as disciplinas escolares propostas permanecem sendo as mesmas que tradicionalmente compõem o currículo escolar: sua escolha e seus conteúdos não são problematizados. Com isso, os conteúdos tradicionalmente ensinados são naturalizados, tratados como universais, como se não tivéssemos de discutir a quem interessam esses saberes, quais relações de poder sustentam e quais valores e visões de mundo privilegiam”. Na seção “Livros didáticos”, Propostas, p. 46, afirma que na construção do livro didático os eixos norteadores são “educação, comunicação e conhecimento” e quando se pensa a educação e a comunicação “pensa-se na linguagem como não neutra, com significado, dialógica, que não procura consensos, mas que expressa contradições”. Nossos livros-textos de Biologia, quando abordam a discussão da teoria da evolução, privilegiam a visão do naturalismo filosófico travestido de ciência, são consensuais quando existem sabidas contradições de opiniões de abalizados especialistas na literatura especializada sobre as evidências encontradas na natureza que, em vez de apoiar as teorias da origem e evolução da vida, mostram sua insustentável suficiência epistêmica. O MEC, apesar de ter sido notificado através da análise-relatório
“As Teorias da Origem e Evolução da Vida no Ensino Médio
do Brasil – Uma análise científica crítica e sugestão
de implementações” enviado à Comissão de Educação,
Cultura e Desportos da Câmara dos Deputados em 2003 e à SEMTEC
– Secretaria de Educação Média e Tecnológica,
até agora nada fez de substancial em relação à
improbidade científica de nossos atuais livros-textos de Biologia
… Quando Darwin publicou “A Origem das Espécies”, em 1859, os cientistas desconheciam a complexidade da célula, a herança genética e minimizavam as dificuldades encontradas no registro fóssil. As idéias confusas e não muito originais de Darwin revolucionaram a ciência e as concepções filosófico-religiosas – o homem evoluiu de uma forma simples através da seleção natural ao longo de bilhões de anos. Sem apoio das evidências, Darwin conseguiu a adesão da comunidade científica tão ignorante desses fatos quanto ele. Contudo, admitiu existir objeções à sua teoria e que poderia haver visões extremas da evolução: “Estou bem a par do fato de existirem neste volume pouquíssimas afirmativas acerca das quais não se possam invocar diversos fatos passíveis de levar a conclusões diametralmente oposta àquelas às quais cheguei. Uma conclusão satisfatória só poderá ser alcançada através do exame e confronto dos fatos e argumentos em prol deste ou daquele ponto de vista, e tal coisa seria impossível de se fazer na presente obra”. Esse convite gera debates apaixonantes. As objeções não são feitas unicamente por religiosos fanáticos. Sóbrios e renomados cientistas ainda questionam por motivos científicos. O sociólogo Edgar Morin, no livro “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro” para a Unesco, afirmou e sugeriu: “As ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente revelaram, ao longo do século 20, inúmeras zonas de incertezas. A educação deveria incluir o ensino das incertezas que surgiram nas ciências físicas, nas ciências da evolução biológica e nas ciências históricas”. A LDB 9394/96 estabeleceu as bases da educação nacional para aprimorar o educando pelo desenvolvimento de sua autonomia intelectual e do pensamento crítico. Isso ocorrerá quando algumas “zonas de incertezas” nas ciências biológicas forem abordadas: 1. A origem da vida: a teoria da evolução química
não goza mais de respeitabilidade científica, mas a experiência
de Urey-Miller “demonstra” como a vida surgiu. A ciência é a expressão de curiosidade. Por causa
do convite de Darwin, da sugestão de Morin e da proposta da LDB,
você pode e deve questionar o neodarvinismo, pois a melhor inferência
às evidências é o Design Inteligente. |