HAVERÁ
ENTROPIA NA NOVA TERRA?
Eduardo
Lütz (*)
(*) Eduardo
Lütz é professor do Instituto de Matemática da
UFRGS, é mestre em Física e está concluindo
sua tese de Ph.D.
O
Problema da Definição
Definições,
até certo ponto, podem ser consideradas arbitrárias,
isto é, dentro de certos limites, não se pode dizer
que uma definição é correta e outra é
errada.
Por outro lado,
é possível gerar definições nas quais
nada se encaixe. Por exemplo, podemos definir M como sendo
o conjunto dos números reais tais que seu quadrado seja negativo.
O resultado é que M é um conjunto vazio,
pois nada se encaixa em tal definição.
Outros problemas
que podem surgir são a falta de padronização
e a deriva (1) de significados.
Por exemplo,
digamos que duas pessoas estejam a trocar idéias que associam
à palavra 'entropia'. Só que elas possuem diferentes
definições para este termo. O resultado de tal debate
será caótico e, provavelmente, pouco proveitoso.
No caso da deriva
de significados, as palavras tendem a mudar de sentido com o passar
do tempo (ao longo de um debate, por exemplo). Isto também
tende a gerar resultados catastróficos sobre as conclusões
a que se pode chegar.
Ocorre que estes
temíveis fenômenos lingüísticos têm
ocorrido em relação à palavra 'entropia'.
Como tais considerações
geralmente referem-se à grandeza mencionada na segunda lei
da Termodinâmica, devemos ater-nos à definição
usada no enunciado desta lei.
Definição
de Entropia
Aconselhamos
que o leitor leia o artigo de nossa autoria cujo título é
"O Que é Entropia?", caso ainda não o tenha
feito. Daqui por diante, suporemos que o leitor já tem conhecimento
do conteúdo do referido texto (publicado neste número
da Folha Criacionista imediatamente antes deste artigo).
De acordo com
a definição de entropia que estamos utilizando, a
entropia existe desde o nascimento do Universo e durará enquanto
este existir, isto é, enquanto existirem seres criados, conforme
discutiremos nas seções abaixo.
É bom
lembrar que à entropia também está associada
uma medida da informação associada a um estado. E
se trabalharmos em uma definição coerente de 'vida',
notaremos que tal definição deverá estar, no
mínimo, intimamente ligada à de 'processamento de
informações'. Não pretendemos entrar nestes
detalhes aqui, mas desejamos mencionar que há base para se
afirmar que, por definição, não há
vida sem entropia, por mais que procuremos pensar em coisas
diferentes (como "corpos etéreos" ou coisas assim).
Já no
contexto da Mecânica Estatística, que é bem
mais poderosa e confiável do que a Termodinâmica (embora
não negue os seus resultados práticos, e nem possa
fazê-lo, pois a Termodinâmica verifica-se experimentalmente),
o que ocorre é que a probabilidade de redução
de entropia em um sistema isolado é, em virtualmente todos
os casos de importância prática, tremendamente próxima
de zero.
Se examinarmos
o fundamento de tal conclusão, também veremos que
isto nada tem a ver com a existência do pecado. Será
então que a segunda lei da Termodinâmica estará
ainda em vigor na Nova Terra? Isto não causaria degradação
e morte? Esta lei era válida antes da entrada do pecado?
Como seria um
universo em que esta lei não se aplica? Mais especificamente,
o que seria de nosso universo se a segunda lei da Termodinâmica
deixasse de existir?
Resumindo, um
mundo sem a segunda lei da Termodinâmica seria terrivelmente
inóspito, inabitável, justamente ao contrário
do que se poderia pensar a partir de idéias popularmente
aceitas.
A segunda lei
da Termodinâmica já era válida antes do pecado?
Esta pergunta é relativamente fácil de responder pela
observação do Universo. Quando olhamos para o céu,
o que vemos não é o Universo atual, como ele é
hoje. O que vemos é uma imagem do que ocorreu no passado.
Resumindo: a
segunda lei da Termodinâmica é válida em todo
o Universo desde que ele foi criado, mesmo antes da entrada do pecado.
Deus não
precisa violar ou alterar qualquer de Suas leis para nos conceder
vida e felicidade eternas.
E quanto ao
pecado, qual sua relação com a segunda lei da Termodinâmica?
O que o pecado fez foi eliminar barreiras anti-degradação
que antes eram sustentadas por esta mesma lei. Tendo restado apenas
uma parte dos mecanismos biológicos de regeneração,
os seres vivos da Terra foram profundamente modificados em função
do pecado. Como conseqüência, a própria paisagem
da superfície da Terra sofreu alterações, especialmente
com o dilúvio.