![]()
![]()
Número 59
|
Em nossa capa apresentam-se as 36 combinações possíveis de dois dados individualizados pela sua côr. Na linha superior estão os 6 eventos possíveis no lançamento do dado vermelho. Na coluna da esquerda, idem, para o dado verde. No cruzamento das linhas com as colunas têm-se as 36 combinações possíveis. Nas diagonais traçadas de baixo à esquerda, para cima à direita, encontram-se as combinações cuja soma corresponde ao mesmo valor. Por exemplo, todas as combinações que levam à soma igual a 7 estão localizadas ao longo da diagonal principal. Embora somente existam três combinações possíveis de números que somem o valor 7 (6 e 1, 5 e 2, 4 e 3), existem seis combinações de dados que levam ao mesmo valor, levando-se em conta que eles estão individualizados pela sua côr.
A figura é ilustrativa das probabilidades existentes ao se lançarem os dois dados. A probabilidade de se obter a combinação dos dois números 1 (caso do cruzamento da primeira linha com a primeira coluna) é de 1 em 36.
Entretanto, a teoria das probabilidades lida sempre com o geral (grande número de eventos), e nunca com o particular (um evento específico). Assim, se um jogador tirasse 100 vezes em seguida a combinação dos dois números 1, isso não afetaria a probabilidade, que permaneceria 1 em 36. O conceito de probabilidade é teórico, e curiosamente tem ela sido comparada com a fé: "se por um lado é improvável, por outro é imutável".
A teoria das probabilidades foi elaborada por três franceses em meados do século XVII: um nobre de vida faustosa, o Cavaleiro De Méré, e dois matemáticos de horas vagas, Blaise Pascal e Pierre de Fermat. Os interesses principais de Pascal eram a filosofia e a religião, e também a Geometria Projetiva. Fermet era jurista e foi um dos fundadores da teoria dos números.
Na década de 1650, um encontro casual entre De Méré e Pascal despertou o interesse deste na solução de um problema que de há muito fascinara os jogadores: como dividir os lucros em um jogo de dados que precisa ser interrompido. A partir da correspondência trocada entre Pascal e Fermat desenvolveu-se a teoria das probabilidades as "leis do acaso".
Embora a teoria das probabilidades ainda guarde a estigma de sua origem, não se restringe hoje a jogos de dados e cartas, sorteios e lances. É ela a principal ferramenta da estatística com todas as suas aplicações importantes e úteis.
Há uma diferença fundamental entre os jogos de azar e a maioria dessas outras aplicações. No jogo, é sempre possível, embora às vezes difícil, enumerar todos os eventos possíveis. Na probabilidade estatística, ou seja, nas aplicações em que se busca descobrir o que poderá acontecer em situações da vida real, não é possível enumerar todos os eventos que poderiam ser previstos. Desta forma, o problema é conseguir uma amostra experimental bem ponderada e então finalmente avaliar a probabilidade de estar ela representando eficazmente todos os eventos possíveis.
MOLÉCULAS ENANTIOMORFAS
A Química Orgânica ou Química do Carbono é um dos mais fascinantes campos da ciência. As várias substâncias orgânicas podem ser classificadas de forma lógica, segundo funções características, como Hidrocarbonetos, Álcoois, Éteres, Ácidos, Aldeídos, etc.
A disposição dos átomos nas moléculas orgânicas pode ser estudada de forma racional, partindo-se das possibilidades de combinações dos seus átomos constituintes. Analisando-se essas possibilidades, conclui-se que é freqüente a possibilidade de se encontrarem moléculas "enantiomorfas", isto é, moléculas que sejam imagens especulares uma da outra, de tal forma que, mesmo sendo idênticas do ponto de vista quantitativo, isto é, contendo igual número dos diversos átomos que as compõem, são distintas na sua estrutura espacial. Uma ilustração desse "enantiomorfismo" são as nossas duas mãos. Elas são basicamente imagens especulares uma da outra. Não é possível superpormos a nossa mão direita à nossa mão esquerda, da mesma forma como não podemos vestir na mão direita uma luva da mão esquerda.
Para diferençar duas moléculas enantiomorfas entre si, utilizam-se técnicas que envolvem luz polarizada, que permitem a sua distinção em função do desvio da luz para a direita ou para a esquerda. As moléculas que desviam a luz para a direita são chamadas de "dextrógiras", e as que a desviam para a esquerda, são as "levógiras".
Na realidade, o fato mais surpreendente relacionado com o enantiomorfismo é que todas as substâncias orgânicas incorporadas nos seres vivos são levógiras! E ainda mais, sobrevindo a morte, inicia-se imediatamente a "racemização" das moléculas, isto é, a sua transformação gradativa de levógiras em dextrógiras, de tal forma que, com o decorrer do tempo, se chega a proporções iguais desses dois tipos de moléculas. Este fato tem sido utilizado em medicina legal para determinar o tempo ocorrido desde a morte de uma pessoa, através de métodos e técnicas especialmente desenvolvidos para essa datação.
Em conexão com estas considerações, tem sido feita uma reavaliação dos resultados da célebre experiência de Stanley-Miller que tentou produzir moléculas orgânicas amionoácidos, no caso em dispositivo especialmente planejado para essa finalidade (Ver Folha Criacionista número 50). O fato de terem sido sintetizadas nessa experiência simultaneamente moléculas dextrógiras e levógiras, na proporção de 50% cada, é bastante significativo! Na realidade, essa experiência que ficou tão famosa, e conhecida como tendo realizado a "síntese da vida" em laboratório, à luz do que acaba de ser exposto nada mais fez do que "sintetizar a morte"!
A aplicação da teoria das probabilidades ao estudo da evolução química (formação de aminoácidos ou proteínas ao acaso) e biológica (formação de uma célula viva original) leva a conclusões que depõem fortemente contra as pressuposições do evolucionismo é uma impossiblidade estatística a origem ao acaso de uma célula viva, de proteínas, ou sequer de um aminoácido!
Recomendamos aos nossos leitores o livro do Prof. Fernando De Angelis, "A Origem da Vida", que em seu Apêndices nº 3 considera de maneira bastante acessível as probabilidades de origem de uma proteína simples, ao acaso.
(BIBLIOTECA CIENTÍFICA LIFE. As Matemáticas. Livraria José Olympio Editora. Rio de Janeiro, 1969).
|